Em mais um dia de valorização, preços do boi gordo disparam com aumento da demanda para exportação; Segundo analistas, ambiente de negócios ainda sugere pela continuidade deste movimento no curto prazo.
O mercado físico do boi gordo segue em uma trajetória de alta, impulsionado por uma combinação de fatores que incluem a oferta reduzida e uma forte demanda, especialmente no segmento de exportação. Nesta quarta-feira (18), os preços da arroba intensificaram o movimento de valorização, mantendo um cenário que já vinha sendo observado nas semanas anteriores. Segundo analistas, ambiente de negócios ainda sugere pela continuidade deste movimento no curto prazo.
De acordo com Fernando Henrique Iglesias, analista da Safras & Mercado, as escalas de abate ainda permanecem curtas, o que gera um ambiente de negócios favorável para novas altas no curto prazo. Apesar da restrição de oferta, os frigoríficos mantêm suas operações sem maiores ociosidades.
Mesmo nesse ambiente de oferta mais restrita, os frigoríficos não trabalham com maior ociosidade.
“O abate no mês de agosto sinaliza essa tendência. Portanto, a grande variável para justificar o acelerado movimento de alta está nas questões que envolvem a demanda, em particular a demanda para exportação, com volumes impressionantes de carne bovina exportados na atual temporada”, assinalou Iglesias.
Nas semanas recentes, o mercado físico de gado sofreu uma forte pressão de alta nos preços da arroba, levando a uma recuperação nos valores do gado terminado em todos os estados. Diante desse fator, os preços médios da arroba do boi gordo estão cotadas da seguinte forma nas principais praças pecuárias do país:
- São Paulo: R$ 265,00/@
- Goiás: R$ 255,00/@
- Minas Gerais: R$ 253,00/@
- Mato Grosso do Sul: R$ 268,00/@
- Mato Grosso: R$ 232,00/@
A demanda de exportação, principalmente voltada para o mercado chinês, tem sido um dos principais motores desse aumento de preços. O chamado “boi-China”, animal jovem e abatido com até 30 meses com destino a exportação, alcançou R$ 261/@ na praça paulista, um valor R$ 6 acima do boi destinado ao mercado interno, segundo dados da Scot Consultoria. Além disso, o mercado atacadista, embora tenha registrado altas, mostra uma menor margem para novos reajustes, devido à competitividade das outras proteínas, como a carne de frango.
Os frigoríficos enfrentam desafios com escalas mais curtas, especialmente com a oferta limitada de vacas e novilhas prontas para o abate. Segundo a Agrifatto, as escalas de abate encurtaram para sete dias úteis em várias regiões, refletindo uma pressão maior sobre os preços do boi gordo. No cenário nacional, esse movimento é reforçado pela contínua elevação das exportações de carne bovina in natura, além de uma recuperação parcial do consumo doméstico.
Mercado atacadista
No varejo, apesar do cenário de consumo mais contido na segunda quinzena do mês, o desempenho das vendas de carne bovina está dentro do esperado, com o fluxo de pedidos de reposição dos estoques ocorrendo de forma regular. As cotações, mesmo em um ambiente de relativa estabilidade, seguem em patamares elevados, refletindo a escassez de oferta e a demanda ainda aquecida no mercado externo.
Segundo o Cepea, as valorizações de todos os cortes com osso levantados pelo Cepea no mercado atacadista de carne da Grande São Paulo estiveram por volta de 4% ao longo dos últimos sete dias. Diante disso, a carcaça casada do boi gordo (junção do traseiro, do dianteiro e da ponta de agulha) vem sendo negociada nesta semana no maior patamar nominal deste ano.
Ainda segundo pesquisadores do Cepea, atacadistas da Grande São Paulo comentam que, além de a oferta dos frigoríficos estar um pouco menor, o consumo se aqueceu – de fato, alguns indicadores macroeconômicos (desemprego e massa de rendimentos) dão sustentação a esse comportamento.
Boi gordo no mercado internacional e mercado futuro
Outro fator que favorece o movimento de alta é a valorização do boi gordo em dólares. Na última terça-feira (17), o preço do boi em moeda norte-americana alcançou US$ 46,86/@, o maior valor desde maio de 2024, conforme o Indicador Cepea. Essa valorização, segundo a Agrifatto, é resultado da reduzida oferta de animais prontos para o abate e da forte demanda por carne bovina no mercado internacional, especialmente a chinesa.
No mercado futuro, o otimismo também se manteve. Os contratos futuros na B3 registraram ajustes positivos, com destaque para o vencimento de outubro/24, que teve um incremento de 1,23%, fechando a sessão em R$ 263,15/@.
O cenário atual indica que a demanda por carne bovina, especialmente por vacas e novilhas, deve continuar a sustentar os preços, com a expectativa de que as exportações permaneçam elevadas nos próximos meses.
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