Demanda aquecida de carne bovina justifica o otimismo na pecuária, com as exportações atingindo recordes e o Brasil se consolidando mundialmente como melhor mercado para a proteína animal; Virada do mês entra como “combustível” nesse movimento
O mercado físico do boi gordo iniciou a semana da pecuária com preços firmes e seguindo a trajetória de valorizações pontuais pelas principais praças pecuárias do país, refletindo um cenário de oferta limitada e escalas de abate apertadas em várias regiões do Brasil. Ainda segundo os analistas que acompanham o mercado diariamente, fatores como a demanda interna e externa e escalas de abate mais apertadas, justificam o movimento que é impulsionado pela virada do mês – período em que a população está capitalizada com os pagamentos de salários.
Esse contexto impulsiona expectativas de alta nas cotações no curto prazo, conforme análise de Fernando Henrique Iglesias, da consultoria Safras & Mercado. Ele destaca que, além da menor oferta de bovinos, a demanda aquecida tanto no mercado interno quanto nas exportações fortalece a valorização do preço da arroba na pecuária do país.
Apesar do cenário de valorização, agentes da cadeia produtiva como criadores e engordadores não estão completamente satisfeitos com os valores obtidos, de acordo com o Cepea. Embora os preços do bezerro, do boi magro e do boi gordo estejam sustentados, a oferta de animais para abate continua baixa em comparação com o interesse de compra, gerando certa insatisfação entre os pecuaristas.
As exportações de carne bovina estão em um nível recorde, consolidando o Brasil como a principal alternativa global para o fornecimento de proteína animal. Esse desempenho robusto nas exportações tem contribuído para enxugar o mercado interno, criando uma dinâmica favorável para os preços. A demanda doméstica também mostra força, com a baixa taxa de desemprego impulsionando o consumo interno de carne bovina.
Devido à menor oferta de boiadas gordas e à consequente redução nas escalas de abate, os frigoríficos de São Paulo iniciaram a segunda-feira, 2 de setembro, com um aumento de R$ 2/@ nos preços pagos pelos lotes de boi gordo e vaca gorda, trazendo otimismo para a pecuária, conforme levantamento da Scot Consultoria.
Com isso, o preço do boi “comum”, destinado ao mercado interno, passou a ser de R$ 240/@ no mercado paulista, enquanto a fêmea terminada teve seu valor ajustado para R$ 217/@ (valores brutos, no prazo). Já os preços da novilha gorda e do “boi-China” (abatido mais jovem, com até 30 meses de idade) mantiveram-se estáveis, em R$ 230/@ e R$ 245/@, respectivamente, de acordo com a Scot.
O destaque, segundo a consultoria Safras & Mercado, ficou para o Centro-Oeste do país, onde as escalas estão mais apertadas e com frigoríficos encontrando dificuldades para originar a matéria-prima no campo [animal para abate]. Com isso, animais estão sendo negociados, nessa semana, no valor de R$ 250/@ em Mato Grosso do Sul.
Os preços da arroba do boi gordo em diversas regiões são os seguintes:
- São Paulo: R$ 243,45/@
- Goiás: R$ 235,75/@
- Minas Gerais: R$ 234,41/@
- Mato Grosso do Sul: R$ 250,00/@
- Mato Grosso: R$ 216,57/@
A redução na oferta de bovinos terminados no final de agosto/24 foi um fator adicional que impulsionou as cotações, segundo a Agrifatto. Com as programações de abate das indústrias frigoríficas reduzidas, as escalas atingiram o menor nível em seis meses, ficando em média a 7 dias úteis em todo o país.
“As boas vendas de carne bovina no mercado doméstico e para as exportações deram tração para o avanço dos preços do boi gordo. Além disso, a redução na oferta de bovinos ao final do mês de agosto/24 atuou como mais um propulsor para as cotações”, destaca a Agrifatto.
A consultoria prevê que setembro/24 continue apresentando valorizações nas cotações físicas do boi gordo, com o contrato para setembro/24 na B3 fechando a R$ 247/@. “A B3 (mercado futuro) aposta nessas altas”, observou relatório da Agrifatto.
No mercado atacadista, os preços da carne bovina também seguem firmes. O quarto traseiro continua sendo vendido a R$ 18,00 por quilo, enquanto o quarto dianteiro e a ponta de agulha são precificados a R$ 13,50 por quilo cada. A expectativa é de que as cotações continuem subindo ao longo da primeira quinzena do mês, impulsionadas pela entrada dos salários na economia, o que motiva a reposição ao longo da cadeia produtiva.
O dólar comercial encerrou a segunda-feira, 02, em queda de 0,29%, sendo cotado a R$ 5,6156 para venda. A variação do câmbio também tem seu impacto no mercado, influenciando a competitividade das exportações brasileiras de carne bovina no cenário global.
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