Boi gordo volta a subir e frigoríficos elevam ofertas para garantir abates; veja as cotações

Arroba avança em São Paulo e em outras praças pecuárias; dificuldade para completar escalas sustenta o mercado na entrada de outubro, segundo consultorias.

O mercado do boi gordo encerrou setembro com novas valorizações e maior disputa por animais em parte das regiões produtoras. Em São Paulo, as referências de compra subiram na quarta-feira (30), enquanto negócios pontuais chegaram a R$ 375 por arroba, conforme relatos da Scot Consultoria. Os valores mais elevados foram observados em compras de frigoríficos de pequeno e médio porte, que enfrentam maior dificuldade para preencher suas programações de abate.

A entrada de outubro também concentra a atenção dos pecuaristas na reposição dos estoques de carne pelo atacado e pelo varejo. Esse movimento pode dar sustentação a novos reajustes, mas depende do comportamento das vendas. O cenário combina firmeza na compra do gado com limites para o repasse da alta ao consumidor, diante da concorrência de proteínas mais baratas, especialmente a carne de frango.

São Paulo registra alta de R$ 5 por arroba

No levantamento da Scot Consultoria referente a 30 de setembro, o boi gordo destinado ao mercado doméstico paulista avançou R$ 5 por arroba, para R$ 360. O animal com padrão para atender ao mercado chinês também subiu R$ 5, alcançando R$ 365 por arroba.

As duas referências são de preços brutos e pagamento a prazo. Para determinados lotes, porém, a consultoria relatou compras de até R$ 375 por arroba por indústrias de pequeno e médio porte.

A Agrifatto, por sua vez, apontou referência de R$ 360 por arroba em São Paulo, tanto para o boi comum quanto para o animal com padrão-China, com negociações pontuais acima desse nível. Segundo a consultoria, plantas menores já haviam desembolsado R$ 365 e direcionavam suas ofertas para R$ 370 por arroba.

As diferenças entre os levantamentos exigem atenção: referências de mercado, médias estaduais e negócios específicos representam condições distintas de compra. Assim, os R$ 375 relatados para alguns lotes não devem ser interpretados como preço generalizado no estado.

Frigoríficos menores precisam disputar o gado

A dificuldade para completar as escalas ajuda a explicar por que algumas indústrias aumentam suas ofertas com mais intensidade.

Segundo Fernando Henrique Iglesias, analista da Safras & Mercado, as programações de abate permaneciam concentradas entre seis e sete dias úteis, sustentando a perspectiva de preços firmes no curto prazo.

Nesse ambiente, frigoríficos pequenos e médios dependem mais das compras no mercado para garantir o funcionamento das plantas. As grandes empresas, conforme as avaliações da Safras & Mercado e da Agrifatto, contam com animais provenientes de parcerias e confinamentos próprios, o que proporciona maior conforto no abastecimento.

Para o pecuarista, essa diferença torna relevante acompanhar a necessidade de compra de cada unidade. A melhor oferta pode estar ligada à urgência de um frigorífico específico, além das características do lote e das condições comerciais.

Arroba sobe nas cinco praças acompanhadas pela Safras

As médias divulgadas pela Safras & Mercado mostraram valorização nas cinco praças apresentadas no levantamento de quarta-feira. São Paulo registrou o maior avanço em reais por arroba.

EstadoMédia em 30/09Média anteriorVariação
São PauloR$ 365,33/@R$ 362,25/@+R$ 3,08
GoiásR$ 351,25/@R$ 350,43/@+R$ 0,82
Minas GeraisR$ 350,88/@R$ 349,71/@+R$ 1,17
Mato Grosso do SulR$ 357,61/@R$ 357,05/@+R$ 0,56
Mato GrossoR$ 340,61/@R$ 339,73/@+R$ 0,88

Fonte: Safras & Mercado. Médias do levantamento, que não equivalem necessariamente às condições de um negócio individual.

O comportamento indica uma valorização distribuída entre importantes regiões produtoras, embora com intensidades diferentes. A necessidade de compra das indústrias e a disponibilidade de animais em cada praça seguem determinantes para a formação dos preços.

Virada do mês pode sustentar a carne no atacado

No mercado atacadista, os preços da carne bovina mantiveram os patamares alcançados após as valorizações recentes. As referências informadas foram:

  • Quarto dianteiro: R$ 21,50 por quilo;
  • Quarto traseiro: R$ 28,00 por quilo;
  • Ponta de agulha: R$ 20,00 por quilo.

Segundo Iglesias, a reposição entre atacado e varejo na virada do mês pode abrir espaço para novos reajustes. A Agrifatto também apontou essa recomposição como um dos fatores acompanhados pelos pecuaristas na expectativa de continuidade da alta.

Entretanto, a menor competitividade da carne bovina em relação às proteínas concorrentes pode restringir esse movimento. Para sustentar novas valorizações, o mercado precisa conciliar a dificuldade de compra do gado com o escoamento da carne.

O que observar antes de negociar o lote

A firmeza da arroba favorece a busca por melhores condições de venda, mas a comparação entre propostas deve considerar prazo de pagamento, descontos, frete, rendimento e exigências de classificação dos animais.

Um valor anunciado acima da referência pode resultar em retorno diferente depois dessas condições. Da mesma forma, a decisão de prolongar a permanência do gado na fazenda precisa considerar o custo adicional de alimentação e o desempenho esperado.

Na entrada de outubro, os principais pontos de atenção são a evolução das escalas, a frequência de compras acima das referências e a reposição de carne no atacado. Se os negócios mais altos se tornarem recorrentes e alcançarem mais compradores, poderão indicar uma consolidação dos novos patamares da arroba.

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