Bolsonaro diz que Agro não é 10, é 9, porque é dependente!

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Foto DIvulgação

Segundo a declaração dada pelo Presidente da República, Jair Bolsonaro, o nosso agro não é 10, é 9, porque depende de outros fatores para ser 10; Confira o vídeo!

O presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou nesta quinta-feira que o agronegócio brasileiro “não é dez”, mas “nove”, em razão da dependência do País da importação de fertilizantes essenciais para as lavouras. As declarações do Presidente, vieram em um momento onde o agronegócio teme os impactos que a dependência dos insumos de outros países devem causar ao setor.

A fala foi feita em transmissão ao vivo nas redes sociais e ao lado da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, nome favorito do Centrão para ser a candidata a vice de Bolsonaro.

O agronegócio é uma importante base eleitoral do presidente, mas tem recebido acenos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), principal adversário do chefe do Executivo nas eleições deste ano.

“Nosso agronegócio não é dez, é nove, porque depende de outros fatores para ser dez”, afirmou o presidente na live. Tereza Cristina complementou a declaração.

“O Brasil, no passado, não fez um programa nacional para produção própria de fertilizantes. Fizemos opção errada lá atrás”, disse a ministra, que deve lançar até o fim do mês um programa nacional para fomentar a produção local do insumo.

Como o Brasil se tornou dependente de fertilizantes

Em linhas gerais, o Brasil importa 85% dos fertilizantes que utiliza, e a Rússia responde por 23% dessas importações. A eventual falta de potássio é a que mais preocupa o setor e “certamente vai haver desabastecimento mundial” desse nutriente, dizem analistas.

A guerra na Ucrânia tem potencial devastador no agronegócio brasileiro, devido à dependência do país de fertilizantes importados. Mas nem sempre foi assim. A Petrobras já chegou a ser a maior produtora de nitrogenados do mundo, mas deixou o negócio para focar em petróleo e gás, em 2018.

Confinamento e Boitel VFL BRASIL. Foto: Marcella Pereira

A decisão, segundo especialistas, fez parte de um plano de negócios da estatal, a partir de 2016, que previa desinvestimentos em áreas que não eram o principal foco da empresa — petróleo e gás — para reduzir a sua então dívida de US$ 160 bilhões.

O consumo de fertilizantes no Brasil

O Brasil é o quarto maior consumidor de fertilizantes do mundo (atrás de China, Índia e Estados Unidos) e o maior importador mundial desses insumos.

Em 2021, dos mais de 40 milhões de toneladas de fertilizantes consumidos no país, 85% foram importados. A parcela das importações na demanda interna de adubos e fertilizantes tem crescido ano a ano: em 2017, os importados representavam 76% do total, segundo dados da Anda (Associação Nacional para Difusão de Adubos).

Brasil realmente depende dos fertilizantes russos?

Somente em 2020, a demanda brasileira por fertilizantes cresceu 12% em relação ao ano anterior e, em 2021, aumentou novamente em 14%, acompanhando uma tendência mundial de avanço do consumo de fertilizantes, além de sucessivas safras recordes de grãos no país.

Esse aumento de demanda se refletiu nas importações de fertilizantes vindos da Rússia, que praticamente dobraram no último ano, passando de US$ 1,8 bilhão em 2020, para US$ 3,5 bilhões (R$ 18 bilhões) em 2021.

Importação de adubos e fertilizantes da Rússia — Foto: BBC

A Rússia responde sozinha por 23% das importações brasileiras de fertilizantes, que somaram US$ 15,2 bilhões (R$ 78,4 bilhões) no ano passado.

Para se ter uma ideia, o valor importado em fertilizantes da Rússia é quase 70% maior do que o segundo colocado nas importações, a China, de onde importamos US$ 2,1 bilhões em fertilizantes em 2021.

E tem ainda Belarus, sétimo maior exportador de fertilizantes ao Brasil, respondendo por 3% das nossas importações desses insumos e aliado da Rússia na invasão à Ucrânia. Assim, os dois países aliados respondem juntos por 26% da importação brasileira de fertilizantes, um grau de dependência relevante e que explica o olhar atento do país ao conflito no Leste Europeu.

“A Rússia atualmente é o maior exportador de NPK mundial”, observa Marcelo Mello, diretor de fertilizantes da consultoria StoneX.

Principais exportadores de fertilizantes ao Brasil — Foto: BBC

NPK é a sigla para nitrogênio (N), fósforo (P) e potássio (K), os três macronutrientes mais importantes para a nutrição das plantas.

O nitrogênio é obtido a partir do gás natural, combustível do qual a Rússia é o segundo maior produtor do mundo e o maior exportador. O fósforo e o potássio, por outro lado, são produtos minerais, dos quais o país de Vladimir Putin tem minas abundantes.

“A Rússia sempre foi um importante fornecedor de fertilizantes para o Brasil e o volume importado cresceu nos últimos anos porque estávamos com uma demanda imensa e eles tinham a capacidade de nos vender”, explica Mello.

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