Braford ganha espaço no centro-oeste brasileiro

Braford ganha espaço no centro-oeste brasileiro

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Melhoramento genético confere à raça características para boa adaptação ao clima da região.

A raça Braford, resultado do cruzamento do britânico Hereford com zebuínos, especialmente o Nelore, vem apresentando um crescimento significativo nas Regiões Sudeste, Centro-Oeste e Norte do Brasil. Cresce a cada ano a procura por sêmen de touros provados e reprodutores com avaliação genética em programas de melhoramento genético como a Conexão Delta G para cruzamento em rodeios comerciais, em função dos inúmeros benefícios e ganhos em produtividade. Além disso, o crescente número de frigoríficos certificados pelo programa Carne Pampa, que bonifica animais que se enquadram no padrão da raça, tem garantido aos pecuaristas um ganho extra fora da porteira.

Em 2015, a presença do Braford nos estados do Centro-Oeste chegou a 25 mil, um crescimento de 56,25% em relação a 2014, de acordo com a Associação Brasileira de Criadores de Hereford e Braford (ABHB). No Brasil, neste mesmo ano, eram contabilizados 300 mil animais Braford registrados, ou seja, aqueles que são utilizados na seleção e melhoramento.

Conforme o presidente da Conexão Delta G, Eduardo Eichenberg, a boa adaptação do Braford ao clima tropical permite o uso da raça para cruzamento em todas as regiões do Brasil, agregando precocidade e qualidade de carne a rebanhos comerciais do país. A adaptação é reforçada por características avaliadas pelo programa da Conexão Delta G. “Dentre as mais de 20 características de real importância econômica avaliadas pelo programa, os dados de comprimento e tipo de pelo permitem identificar reprodutores de pelo curto e liso, mais adaptados a regiões de clima tropical”, informa.

Eichenberg afirma que, além disso, o recente e inédito trabalho de seleção genômica para resistência ao carrapato, fruto de uma parceria entre a Conexão Delta G, Embrapa e GenSys Consultores Associados, com o apoio da ABHB, permite a identificação de reprodutores mais resistentes ao carrapato – o qual é responsável por prejuízos bilionários à cadeia pecuária todos os anos -, dando, assim, mais segurança ao cruzamento.

Atualmente, a Conexão Delta G gera DEPs genômicas – marcadores genéticos mais DEP (Diferenças Esperadas na Progênie) tradicional – para características adaptativas, tais como resistência a carrapatos, comprimento de pelo e pigmentação ocular, elevando significativamente a precisão (acurácia) das avaliações genéticas. Hoje o produtor de bezerros cruzados busca exatamente esse tipo de reprodutor, com alto desempenho e boa adaptação ao trópico, para incrementar a produção de carne de qualidade, destaca Bernardo Pötter, proprietário da Agropecuária Caty, de Santana do Livramento (RS).

Segundo Lourenço Campo, pecuarista e leiloeiro do interior de São Paulo, a base da pecuária no Brasil Central é a raça Nelore, mas nos últimos 10 anos o cruzamento industrial ganhou força. Salienta que a raça mais utilizada é o Angus, mas o Braford vem fazendo o papel de repasse nos programas de inseminação graças à sua ótima adaptação. Campo destaca ainda que o Braford tem sido usado direto nas matrizes F1, dando resultado excelente nos dois casos.

Campo investe no Braford desde 2004 após conhecer a raça no Rio Grande do Sul. O seu plantel é avaliado pelo programa de melhoramento da Conexão Delta G. Afirma que o cruzamento industrial está muito maduro e os pecuaristas estão valorizando cada vez mais a genética. “O Braford no Brasil Central se confunde com a Conexão Delta G, a maioria dos pecuaristas aqui conheceu o Braford junto com a Conexão”, informa.

A também pecuarista Clarissa Peixoto, de Cuiabá, Mato Grosso, do Grupo Pitangueira, segundo maior vendedor de touros taurinos do Brasil e o primeiro da raça Braford, ressalta as excelentes características do Braford como a rusticidade e capacidade de suportar as temperaturas mais quentes do Brasil Central. Conforme a criadora, o ideal para a região é o touro Braford porque ele tem uma resposta muito boa e isso se deve principalmente à avaliação genética. O Grupo vende para 70% dos estados brasileiros e anualmente cinco mil ventres produzem touros para o mercado, todos avaliados pelo programa da Conexão Delta G. “Não adianta você ter uma tipificação morfológica bonita e boa para os padrões Mercosul, se não servir para o Centro-Oeste. Acho que essa avaliação é muito importante”, enfatiza.

Fonte: Conexão Delta G (Rejane Costa/AgroEffective)