Brasil: Câmbio e oferta deixam carne mais competitiva

De acordo com estudo do Rabobank, neste momento, a proteína é uma das mais baratas do junto com concorrentes: Estados Unidos, Argentina e Austrália.

O Rabobank, maior banco de agronegócio do mundo, afirma que o câmbio e a oferta tem garantido a competitividade da carne bovina brasileira no mercado internacional. Neste momento, a proteína é uma das mais baratas do junto com concorrentes: Estados Unidos, Argentina e Austrália.

Wagner Yanaguizawa, analista do Rabobank, comentou a respeito do cenário vivido por cada um destes países no mercado em meio a pandemia da Covid-19 e explicou a competitividade atual do Brasil.

“Neste cenário de Covid-19, peste suína africana (PSA) e expectativa de redução do Produto Interno Bruto (PIB) de muitos países, o Brasil se encontra em uma posição confortável em relação à oferta de animais comparado à essas 3 potências na exportação de carne bovina. Os impactos quanto ao novo coronavírus não tem afetado tanto o Brasil no mercado, porém, vale destacar que cada um destes países enfrentam cenário distintos”, comenta Yanaguizawa.

Austrália

De acordo com o analista, o país da Oceania que sofreu com sérios problemas climáticos no ano passado, queimadas intensas resultaram em uma pressão de abate muito forte. O incremento de demanda pela China acabou dando uma leve sustentação aos preços, porém, no ano atual a oferta está bem limitada e houve uma redução de produção em torno de 13%. Os níveis de rebanho reduziram a patamares de 20 atrás.

Estados Unidos

O principal destaque são os impactos ao setor produtivo nos últimos 2 meses para o país estadunidense. Por conta do novo coronavírus, os níveis de oferta estão abaixo dos níveis de demanda, com a oferta mais limitada, os preços aumentaram de forma rápida também no mercado internacional. Há previsão de baixos incrementos na produção do país.

Argentina

Vindo de uma crise econômica desde o ano passado e com uma taxa de inflação em 54%, o peso argentino tem se desvalorizado cada vez mais por conta do agravamento da pandemia de Covid-19 no mundo. Por conta deste cenário de desvalorização da moeda argentina, os patamares de preços do país estão muito competitivos no cenário internacional.

Brasil

O país vive uma situação situação similar à Argentina, mas menos impactante. Depois do pico de preço que alcançado em 2019, com o aumento no volume de exportação para a China, a inflação e a desvalorização do real frente ao dólar neste ano levou os preços a patamares competitivos. Com isso, de acordo com o analista da Rabobank, quando a questão tratada é competitividade de oferta, o Brasil está em posição privilegiada frente a outros países.

“Temos visto que a produção de uma forma geral no Brasil tem sido bastante guiada pela demanda, não só pela demanda internacional chinesa mas principalmente pela queda da demanda doméstica. Desde o final de março, houve uma recuperação principalmente por conta da China, porém, a nossa demanda doméstica, por conta do coronavírus, acabou caindo mais e trouxe bastante desestímulos principalmente no cenário de custo de produção elevado”, comenta Wagner.

Segundo o analista, neste segundo semestre há previsão de uma sazonalidade de produção ligeiramente maior que a do primeiro semestre do ano, assim como uma melhora nas exportações em relação à China.

“Se formos analisar as médias mensais de exportação desde 2015, quando começou os embarques com destino ao país asiático, no segundo semestre a China importa 65% de todo o volume anual brasileiro, então temos uma expectativa de mercado anual aquecido, principalmente por conta da questão cambial e oferta disponível, mas é preciso ficar muito atento a demanda, principalmente no período que vamos levar para recuperação de demanda, posterior ao pico de casos da Covid-19”, comenta o analista da Rabobank

Tendência

De acordo com Wagner Yanaguizawa, há uma retomada mais sazonal no final do terceiro trimestre, mas isso irá depender do fim da pandemia do novo coronavírus, sendo asssim, o analista prevê preços estabilizados, com leve tendência de alta para o curto prazo.

Fonte: Rabobank e Canal Rural

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