Suplementar na seca é crucial para lucrar na pecuária

Suplementar na seca é crucial para lucrar na pecuária

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bezerros gado nelore x angus
Foto: Divulgação

O gado está entrando na seca, o valor nutritivo das pastagens cai e precisamos suplementar para que o rebanho consiga aproveitar melhor esse pasto seco

A chegada da seca é um momento crucial para a pecuária, pois as decisões tomadas neste período impactarão diretamente todas as demais fases da atividade. Tendo em vista a importância deste momento e as dúvidas comuns dos pecuaristas, a Minerthal, uma das mais tradicionais fabricantes de suplementos para bovinos de corte e leite do Brasil, promoveu na terça-feira, 16/06, um bate-papo online sobre como realizar a suplementação na seca, em seu canal do Youtube.

O encontro virtual contou com a participação do médico-veterinário e diretor da Minerthal, Sergio Morgulis, e do zootecnista e gerente técnico, Fernando Schalch, que trataram da suplementação na cria e recria durante a seca, focando nos investimentos necessários e os retornos esperados.

Foto: Divulgação

“Nosso objetivo com essa live é ajudar os pecuaristas a resolver seus problemas de performance durante o período de seca por meio da suplementação de precisão e auxiliá-los a atingir resultados produtivos e o retorno financeiro esperado”, destacou Schalch Jr.

“A realidade do pecuarista hoje é de um gado entrando na seca, uma fase crucial, tendo em vista que o valor nutritivo das pastagens cai e precisamos suplementar para que o rebanho consiga aproveitar melhor esse pasto seco”, afirmou Morgulis.

Segundo ele, cada uma das quatro estações do ano tem sua particularidade, que pede uma estratégia de suplementação diferente, variando o tipo de produto de acordo com as metas e objetivos da fazenda. “Hoje temos muitas ferramentas na tecnologia de suplementação que auxiliam o pecuarista a melhorar o desempenho do seu rebanho”, ressaltou o diretor.

Fase de Cria na Pecuária de corte

Morgulis destacou na atividade de cria a importância de a vaca apresentar bom escore corporal para que chegue à estação de monta e consiga emprenhar com maior facilidade e assim, produzir um bezerro por ano. “O segredo é que as vacas cheguem ao final do período de seca com bom escore corporal para ter bons índices de fertilidade e para que os bezerros nasçam fortes, sadios e com boas condições para os futuros ganhos de peso”, completou.

Ele ainda salientou que estamos em uma época crítica do ano, que é marcada pelo início do período seco e que se registra o desmame dos bezerros. A vaca neste período encontra-se gestante, passará pela seca com alta necessidade de nutrientes para sua mantença e crescimento do feto para que então, no final do período seco inicie as parições. “Estamos em um período de tensão, pois o pasto está seco e a vaca precisa apresentar um bom escore corporal para o fim da gestação, quando há um crescimento considerável do tamanho do feto. Além disso, ela precisa estar em boas condições ao parto e oferecer boa lactação ao bezerro”, explicou.

Após caracterizar a situação em que se encontra a cria, o diretor apresenta três problemas principais na fase da seca, que devem ser analisados pelos pecuaristas com cautela. O primeiro e mais importante, em seu ponto de vista, é a capacidade de investimento. “O criador está preparando um animal para um ciclo que começa com a concepção, segue para gestação, parto, desmama e, por fim, a venda do bezerro. Esse processo pode ocorrer em até dois anos”.

O segundo ponto é ter pasto. “Não adianta ter dinheiro para investir em suplementação se não temos pasto. É importante entender que suplemento não substitui o pasto, mas, sim, complementa os nutrientes limitantes na pastagem que são exigidos pelos animais”, completa Sergio.

E, por fim, infraestrutura, para garantir a boa distribuição do suplemento e fazer com que os animais consumam de maneira adequada. “Precisamos ter a certeza de que atingimos a meta de consumo necessário, determinando e controlando a ingestão de suplemento, de acordo com a categoria animal nesta fase do ano”, apontou.

Fernando aponta ainda que uma nutrição mal feita afetará acarretando três problemas na cria: baixos índices reprodutivos, aumento da mortalidade e redução no peso dos bezerros à desmama. “Um trabalho bem feito no período seco é fundamental para os resultados no futuro. Uma má nutrição neste período pode afetar o desenvolvimento do animal em todas as fases de sua vida”, reforçou.

Para solucionar problemas recorrentes da má nutrição na cria, podemos lançar mão de uma boa suplementação visando fornecer com precisão os nutrientes deficientes na pastagem que permita o melhor desempenho dos animais. Podendo esta ser suplementos ureados ou mesmo proteicos dependendo da necessidade animal. É preciso, além de escolher o suplemento mais adequado a categoria animal e época do ano, verificar questões de manejo de fornecimento, cochos, para certificar que os animais estão consumindo a quantidade necessária.

Fase de recria na Pecuária de corte

Recria é um período de atenção, pois o bezerro é desmamado na “boca da seca”. Nesta fase de desmama, Sergio Morgulis explicou que o animal sai da lactação e de um pasto muito bom caracterizado pelo período das águas para um período crítico de falta de qualidade na pastagem, o que pode ser um fator determinante para o desenvolvimento dos animais. “O bezerro é um animal muito exigente, mas que responde muito bem à suplementação, principalmente a proteica, o que pode garantir bom retorno ao pecuarista”, destacou.

O especialista salientou que o animal estava desempenhando muito bem, com taxa de ganho muito alta, por isso é preciso atenção para não perder tudo o que conquistou até esse momento e ainda não comprometer seu desenvolvimento futuro.

Seguindo a linha de raciocínio, deve-se ter atenção aos animais de sobreano, que têm menor exigências nutricionais. “A proteína é um fator limitante, mas energia também é importante para que o animal engorde e atinja o peso maior na entrada das águas”, ressaltou Morgulis.

“A fase de recria não exige um investimento tão alto, mas o ponto crucial é a disponibilidade de pasto. Quanto melhor a qualidade do pasto maior será a performance do gado”, enfatizou o diretor.

Os animais desmamados devem ser suplementados com proteico para que possam se desenvolver. “Neste momento eles estão ganhando músculo, por isso é importante traçar uma boa estratégia de suplementação com proteína para garantir o melhor aproveitamento desta fase do animal”, orientou Morgulis.

Caso o fornecimento de nutrientes, em específico de proteína não seja suficiente nesta fase de vida do animal algumas implicações serão acarretadas. Ele elencou como consequências o fato de o bezerro passar magro pela seca, fator que pode contribuir para o aumento de mortalidade na propriedade, além de comprometer a evolução do animal. “Esse boi vai chegar debilitado na estação das águas e, consequentemente, vai demorar muito tempo para responder, podendo perder entre seis meses e um ano na idade de abate ou da idade a primeira cria”, ponderou o diretor.

Esse cenário acaba por gerar um prejuízo muito grande para o pecuarista. “Baixa produtividade é sinônimo de baixa lucratividade. A pecuária precisa ser mais produtiva e eficiente, por isso é necessário adotar estratégias para que se possa produzir mais e melhor”, finalizou Schalch Jr.

Para solucionar estes problemas que podem ocorrer as alternativas que podem ser utilizadas é fornecer suplementos minerais proteicos ou até mesmo energéticos para bezerros desmamados e suplementos minerais ureados aditivados ou proteicos para animais ao sobreano. O objetivo é proporcionar aumento no ganho de peso médio dos animais ao longo do ano, para diluir o custo do ágio dos bezerros, aumentar o número de arrobas produzidas por hectare por ano, melhorar a qualidade da composição de carcaça e redução de idade ao abate ou redução da idade a primeira cria.

“É importante reforçar que, independentemente da fase, se não analisarmos com cautela as necessidades nutricionais dos animais e investirmos em um processo eficiente de suplementação, os resultados ficarão abaixo do que se espera na propriedade”, advertiu Morgulis.

Além da caracterização das fases de cria e recria no período seco, Fernando e Sérgio apresentaram comparações entre estratégias usuais nestas fases demonstrando o retorno que cada uma delas traz ao pecuarista. Eles ressaltaram a importância da boa disponibilidade de pastagem, do ajuste na taxa de lotação e de seguir as boas práticas de suplementação, para proporcionar suplementação certeira do rebanho.

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