Brasil deveria recorrer à OMC contra UE na questão do frango, diz Acrimat

Associação defende que o país tome medidas de ordem comercial para resolver impasse na exportação

O diretor executivo da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Luciano Vacari, defende que o Brasil tome medidas de ordem comercial para resolver o impasse na exportação de carne de frango para a União Europeia (UE). “O país precisa fazer valer seus direitos frente à Organização Mundial de Comércio (OMC)”, disse Vacari nos bastidores da Intercorte, realizada na sexta-feira (13/4) em Cuiabá.

Em março, o Ministério da Agricultura embargou as exportações de dez unidades da BRF para o bloco econômico, depois da deflagração da Operação Trapaça, da Polícia Federal, no mesmo mês. Antes disso, porém, a União Europeia vinha rejeitando um número cada vez maior de lotes brasileiros de carne de frango, alegando a presença de salmonela acima dos níveis permitidos.

O setor produtivo do Brasil argumenta que os europeus vêm utilizando um critério de inspeção de salmonela em carne de frango in natura diferente do usado no frango salgado. “É preciso respeitar o que dizem as regras”, disse Vacari sobre a postura da União Europeia.

“Estão usando barreiras comerciais disfarçadas de barreiras sanitárias”, afirmou ele.

Vacari, que faz parte da instituição voltada para criadores de bovinos, afirmou que a situação acaba afetando todos os setores da pecuária. “Esse volume que não está sendo exportado vai parar no mercado interno e os preços de todas as carnes (de frango e suíno) vão cair”, disse. “Isso mexe com o tabuleiro todo.” Segundo a XP Investimentos, a competitividade da carne bovina no atacado paulista é a pior dos últimos oito anos, com a carcaça bovina a R$ 9,61 e o quilo do frango a R$ 3,03 – preços para a parcial de abril até esta sexta-feira.

Na quinta-feira (12/4), o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, relatou que houve poucos avanços nas reuniões com representantes da UE, em Bruxelas (Bélgica), para evitar o embargo a exportações de carnes brasileiras pelo bloco. No entanto, segundo ele, há “alguma expectativa para minimizar impactos negativos para as exportações de carnes de aves do Brasil para o bloco” econômico.

Na próxima quarta-feira (18/4), haverá uma votação na Comissão Europeia para decidir sobre restrições às exportações brasileiras de carne de aves da BRF e outras à UE. De acordo com Maggi, após a publicação, uma possível decisão “será avaliada e serão tomadas as providências que forem consideradas necessárias, para restabelecer o fluxo comercial”.

POR ESTADÃO CONTEÚDO

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