Brasil tem 100 mil animais em quarentena para exportação

Brasil tem 100 mil animais em quarentena para exportação

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Com rebanho de mais de 200 milhões de cabeças, Brasil é o segundo maior exportador de carne bovina do mundo, atrás dos EUA. (Foto: Robispierre Giuliani/Ed. Globo)

Segundo o ministro Blairo Maggi, lote deve ser embarcado nos próximos dias e tem como destino países islâmicos

Os terminais portuários brasileiros devem embarcar nos próximos dias 100 mil animais vivos rumo a destinos estrangeiros. Em entrevista à Globo Rural, o ministro da Agricultura e Pecuária, Blairo Maggi, disse que esse é o tamanho do lote atual que está em quarentena em diversas fazendas do país.

O ministro não deu detalhes sobre data nem locais de embarque dos animais, mas ressaltou que a operação é regulamentada pelo governo há anos. Na semana passada, a Justiça de São Paulo atendeu a um pedido de organizações de proteção e defesa animal e suspendeu as exportações de animais vivos em todo o território nacional.

O caso ganhou força depois que o navio NADA atracou no Porto de Santos e embarcou mais de 25 mil animais vivos, com destino à Turquia, principal país comprador deste tipo de carga.

Segundo Maggi, o mercado de animais vivos no Brasil gira em torno de 600 mil cabeças por ano.

“Nós procuramos esses mercados [no exterior], abrimos e são mercados importantes para a pecuária brasileira. Temos aí mais de 100 mil bois em confinamentos e estações de quarentena para serem exportados nos próximos dias. São navios que vão chegar e não podemos parar com tudo isso”, disse.

O mercado de animais vivos é disputado no exterior por Brasil, Argentina, Uruguai, Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia. Os compradores, segundo Maggi, são os países islâmicos, que fazem o abate halal, respeitando algumas regras. A pessoa que mata o animal, por exemplo, precisa ser muçulmana. Além disso, lembra o ministro, há também países que não tem estrutura para receber carne congelada.

“Existem dois mercados que compram assim, é o halal, que, no caso a Turquia, prefere fazer o abate deles lá e não comprar a carne já pronta, congelada. E também alguns outros países que não têm uma cadeia de frio ainda completa, não conseguem guardar essa carne. Então eles compram os animais vivos e interiorizam os animais, levam para a zona de consumo e lá vão abatendo. Esses dois mercados são importantes”, explica Maggi.

Dados do Agrostat, sistema do governo com estatísticas de exportações, mostram que no ano passado o Brasil faturou 32% mais com as vendas de animais vivos. O negócio gerou ao país US$ 276 milhões (cerca de R$ 890 milhões).

POR CASSIANO RIBEIRO

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