Brasil vai comercializar 6 mil cabeças de gado para o Marrocos

Instituto Biológico atenderá gado vivo exportado para o Marrocos; participação do país no comércio de bovinos vivos é pouco mais 1% do total

O Brasil, maior exportador de carne bovina do mundo, de acordo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), ainda está em fase embrionária quando se trata da comercialização de gado em pé –– nome técnico que indica esse tipo de transação. Em 2021, foram exportadas em torno de 2,4 milhões de toneladas de bovinos vivos em todo o mundo, esse volume representa aproximadamente 20% do comércio internacional de bovinos, considerando a soma de animais vivos e carnes. Nesse período, a participação do país foi de pouco mais 1% do total.

O comércio de animais vivos, embora promissor, exige uma operação logística complexa. Para chegar ao país de destino, o animal geralmente precisa enfrentar uma viagem de milhares de quilômetros, que vai da fazenda fornecedora ao porto de origem, passando pelo transporte marítimo e por terra, até o frigorífico ou a fazenda de destino. Muitas vezes ainda se exige um período de quarentena no mercado de destino.

A entrada do Brasil no restrito grupo exportadores de gado vivo é resultado do esforço conjunto do setor privado e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Empresários do setor agropecuário souberam aproveitar a oportunidade e mostrar ao mercado que o Brasil atende aos quesitos necessários para atuar como player nesse segmento, oferecendo a qualidade e a sanidade do rebanho bovino exigidas.

O Mapa criou as condições legais, de acordo com as normas internacionais, para impulsionar esse segmento exportador, reconhecendo a capacidade do IB para realizar as análises necessárias.

Foto: Divulgação

Instituto Biológico atenderá gado vivo exportado para o Marrocos

Desde sua criação, em 1927, o Instituto Biológico (IB-APTA), instituição de pesquisa da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, atua para tornar o agro paulista e brasileiro cada vez mais seguro e competitivo. Uma destas frentes, conduzida pelo Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Sanidade Animal, trabalha para atender as demandas do setor pecuário, relacionado à importação e exportação de animais vivos (bovinos e suínos) e seus produtos, principalmente sêmen e embriões bovinos.

Há mais de 20 anos, o IB realiza o diagnóstico diferencial de doenças da reprodução e vesiculares em bovinos. Razão pela qual é constantemente procurado para atender aos protocolos sanitários exigidos pelos países importadores, referentes a brucelose, IBR/IPV, BVD, Língua azul e leucose enzoótica bovina, febre aftosa e estomatite vesicular.

Essa notoriedade se deve ao fato de que o IB é acreditado na norma ISO/IEC 17025, que dá credibilidade às análises realizadas e reconhecimento internacional, garantindo inclusive a harmonização dos testes diagnósticos nos protocolos sanitários acordados entre os países importador e exportador.

gado cruzado do sul do pais - recria - garrotes
Foto: Evoluê AG

6 mil animais para o Marrocos

Em fevereiro de 2023, o IB iniciou novo atendimento para exportação de bovinos vivos para o Marrocos. Até o momento, serão analisados cerca de 6 mil animais para febre aftosa e língua azul. Destacamos que o exame de febre aftosa é realizado somente em um laboratório credenciado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária e acreditado na ISO/IEC 17025.

  • Os testes são individualizados, e todos os animais enviados ao país africano serão testados.

De acordo com Líria Okuda, diretora do Laboratório de Virose de Bovídeos, os holofotes para o Brasil tendem a subir, já que o país possui rebanho bovino estimado em 210 milhões de cabeças, que garantem sua liderança como fornecedor de proteína animal. Graças ao avanço do Programa Nacional de Erradicação da Febre Aftosa, novos mercados podem ser abertos e, portanto, o rigor sanitário também tende a aumentar, já que a pandemia da Covid-19 acendeu o alerta sobre a importância de uma Saúde Única.

A comercialização do gado em pé é um nicho que, se bem explorado, pode trazer mais divisas para o Brasil e o reconhecimento do setor, coloca o Instituto Biológico como centro de excelência e referência em saúde animal, afirma a pesquisadora.

O Brasil tem um universo de produtos a explorar na exportação a Marrocos

Recentemente o adido agrícola da embaixada do Brasil no Marrocos, Nilson Guimarães, em webinar falou sobre o universo de produtos a explorar na exportação ao mercado marroquino. Segundo Guimarães, o Brasil pode exportar mais café e frutas tropicais ao Marrocos, e também pode começar a comercializar aos marroquinos material genético animal, avícola e bovino, e o que ele chamou de produtos da biodiversidade brasileira, produtos típicos do Brasil como erva-mate, óleo de babaçu, castanha-de-baru, castanha-do-Brasil e açaí.

Falando em formas de o agro brasileiro e marroquino serem complementares, o adido enfatizou a diferença na natureza do setor entre os países. “A agricultura marroquina é baseada na pequena e média propriedade, em produtos especializados em geral, e a brasileira é baseada em commodities e em grandes propriedades”, disse, mencionando também a diferença no clima dos dois países e na frequência de chuvas.

Além da demanda do Brasil por fertilizantes e sardinhas, Guimarães vê a possibilidade de expansão da pauta exportadora marroquina com frutas vermelhas congeladas (O Brasil já compra morango congelado do Marrocos), azeite de oliva e azeitona em conserva, e ainda o óleo de Argan, tanto para a culinária quanto para o setor de cosméticos, pelo qual ele é mais conhecido no País.

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