O setor canavieiro do Brasil pode ampliar a produção para atender as demandas interna e externa sem que haja necessidade de desmatamento.
Caso a governança ambiental do Brasil se deteriore, uma expansão do cultivo de cana no país pode atender à demanda da União Europeia (UE) por etanol dentro de seus requisitos ambientais, mas arrisca “empurrar” a criação de gado e a produção de soja sobre florestas, provocando aumento de emissões de gases causadores da crise climática. As conclusões estão em um estudo que pesquisadores europeus e brasileiros publicaram neste mês na revista “Nature”.
O estudo “Cana-de-açúcar brasileira amarga negociações entre União Europeia e Mercosul” foi conduzido por pesquisadores da Comissão Europeia, do Centro de Sensoriamento Remoto (CSR) da UFMG e do centro espanhol de pesquisa agro-alimentar Aragón.
Os cientistas consideraram que as emissões adicionais resultariam não de uma substituição direta de florestas pela cultura da cana, mas de um aumento da competição de commodities por terra.
- Brasil bate recorde de bilionários e patrimônio salta quase 40%, aponta ranking global da Forbes
- Diesel vira motivo de alerta no agro e conflito no Oriente Médio acende preocupação no Brasil
- Brasil e China anunciam fábrica de tratores para agricultura familiar com apoio do MST; veja onde
- Zé Trovão propõe quatro medidas para conter crise do diesel e evitar desabastecimento no Brasil
- Governo pede ao Cade para investigar aumento dos combustíveis
No estudo, os pesquisadores ressaltam que o setor canavieiro do Brasil pode ampliar a produção para atender as demandas interna e externa sem que haja necessidade de desmatamento, mas que essa possibilidade está condicionada às políticas ambientais do país.
Já em um cenário de deterioração da governança ambiental, eles calculam que a pressão por terras pode gerar emissões adicionais de gases de efeito estufa de volumes entre 300 milhões de toneladas e 1 bilhão de toneladas equivalentes a carbono acima da primeira meta brasileira dentro do Acordo de Paris.
Fonte: Valor Econômico.