Carne brasileira ganha destaque em Xangai com chef premiado

Com foco na interiorização estratégica e enfrentando a pressão das cotas de importação, Abiec e ApexBrasil mobilizam 21 frigoríficos e a alta gastronomia Michelin para consolidar a carne brasileira na China a partir da megalópole de Chongqing.

Nesta quinta-feira (14/05), o coração do sudoeste chinês torna-se o epicentro da diplomacia comercial do agronegócio nacional. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), em parceria com a ApexBrasil, realiza em Chongqing um evento estratégico para consolidar a presença da carne brasileira na China. A iniciativa faz parte do projeto “The Beef and Road”, que busca expandir o market share do Brasil para além dos centros saturados de Pequim e Xangai, focando em metrópoles do interior que somam dezenas de milhões de novos consumidores.

O palco da ação é o Hotel InterContinental, em Chongqing — uma megalópole de 32 milhões de habitantes. O encontro promove o matchmaking entre 21 dos maiores frigoríficos brasileiros (incluindo gigantes como JBS, Minerva e Marfrig) e mais de 52 grandes importadores chineses, em um momento em que a segurança alimentar e a diversificação de fornecedores são prioridades na agenda de Pequim.

The Beef and Road: Interiorização é o novo motor da carne brasileira na China

Diferente de ações anteriores focadas na costa leste, a quarta edição do “The Beef and Road” — que já percorreu Hangzhou, Nanjing e Zhengzhou desde 2025 — foca na capilaridade logística e comercial. A estratégia de focar na carne brasileira na China através do interior responde a uma mudança no perfil de consumo: enquanto as cidades de “Primeiro Nível” (Tier 1) estão maduras, o potencial de crescimento real reside nas cidades de “Segundo e Terceiro Nível”, onde a urbanização acelerada demanda proteínas de alta qualidade.

Para Roberto Perosa, presidente da Abiec, o objetivo é o contato direto com a ponta da cadeia. “Estamos criando um ambiente de negócios que reduz intermediários e apresenta a sustentabilidade do nosso produto para quem realmente decide a compra no varejo e no food service chinês”, destaca.

Diplomacia Gastronômica: O fator Michelin em Chongqing

A promoção da carne brasileira na China ganha um contorno sofisticado com a participação do chef Mao Xiaojun. À frente do renomado restaurante Silver Pot e detentor de uma estrela Michelin por quatro anos consecutivos, Xiaojun assina o jantar de gala do evento. A proposta é uma releitura técnica: utilizar cortes brasileiros em preparos tradicionais da culinária de Sichuan, famosa por sua complexidade de temperos e pimentas. Essa abordagem visa quebrar barreiras culturais e provar que a proteína nacional não é apenas uma commodity, mas um ingrediente versátil para a alta gastronomia asiática.

Geopolítica e Desafios: O fator Trump e a saturação de cotas

O evento ocorre sob uma densa nuvem geopolítica. A 1.700 quilômetros dali, em Pequim, os presidentes Xi Jinping e Donald Trump reúnem-se hoje para discutir acordos bilaterais que podem redesenhar o fluxo de commodities. O setor produtivo brasileiro monitora se uma eventual concessão chinesa aos produtores americanos de soja e carne poderia pressionar as margens brasileiras.

Entretanto, analistas de mercado presentes em Chongqing apontam um cenário de oportunidade: se a China absorver mais carne dos EUA, os americanos — que enfrentam baixa disponibilidade de rebanho e exportações nulas para a China em março — precisarão recorrer à carne brasileira para abastecer seu mercado interno, possivelmente derrubando as barreiras tarifárias que o Brasil aguarda ver removidas.

Somado a isso, há a urgência das cotas:

  • Volume Autorizado: 1,1 milhão de toneladas anuais.
  • Status Atual: 50% da cota já preenchida em meados de maio.
  • Impacto Tarifário: Dentro da cota, a tarifa é de 12%. Fora dela, o exportador enfrenta uma sobretaxa de 55%, o que torna as rodadas de negócios de hoje em Chongqing cruciais para garantir contratos antes do fechamento dessa janela.

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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