Carne natural é alternativa suculenta ao consumo industrial

Carne natural é alternativa suculenta ao consumo industrial

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Foto: Divulgação / Natural Beef

Rebanho reduzido, alimentação orgânica e “carinho” nos bois? Sim, ações simples no tratamento dos animais garantem qualidade nas carnes naturais

Embora o conceito de “carne verde” ou orgânica não possa ser desenvolvido no Brasil, uma proposta semelhante desponta como opção para o conforto dos bovinos, garantindo, por meio de uma série de cuidados, qualidade elevada ao produto final.

Oriunda de animais criados longe de hormônios ou processos industriais, a carne natural tem assegurado aumento de pelo menos 12 % mensais nas vendas da única empresa mato-grossense a trabalhar com a proposta.

Com rebanho reduzido em até 225%, se comparado a grandes frigoríficos, a Natural Beef, aposta em uma rotina mais livre e em profissionais que chegam a fazer carinho e a conversar com os bichos.

Enquanto um empreendimento que atua em larga escala abate cerca de 1600 animais por dia, na fazenda da Natural Beef o número não passa de 110 bois por mês, totalizando cerca de 18 toneladas por período. “Produzindo em uma demanda tão grande é impossível acompanhar todas as etapas de perto e garantir que todos sejam abatidos seguindo todas as regras de bem estar. E não é essa nossa proposta”, explica o gerente de operações, José Abdo.

Tudo começa na inseminação. Uma vaca e um boi selecionados fornecem o sêmen e o óvulo que seguem, após a fecundação in vitro, para uma vaca comum, conhecida como “barriga de aluguel”. Em uma propriedade localizada em Juruena (583 km de Cuiabá) os bezerros são concebidos e permanecem até o período de desmame, de sete a oito meses após o nascimento.

Depois seguem para a fazenda Fontes, em Tangará, onde passam então a ser alimentados com 70% de pasto somado a um reforço de 30% de grãos produzidos ali mesmo, sem hormônios ou aditivos para engorda.

De acordo com José, que também é veterinário, eles são distribuídos em piquetes com, no máximo, 22 animais separados pela estimativa de idade. “Como são menos bichos, eles são criados sem estresse, o processo todo é mais lento. Os responsáveis fazem carinho, conversam com eles.”

Ao longo da maturação, nem todos ficam prontos ao mesmo tempo, permanecendo ali até que atinjam pelo menos 12 arrobas. A partir daí, seguem para o abate em um frigorífico terceirizado. “Pro embarque nós usamos apenas um caminhão e é sempre o mesmo motorista, pra não estranhar.”

Já no frigorífico, eles descansam por 12 horas antes de entrarem no corredor da morte, onde recebem uma descarga elétrica, assistida pelos profissionais. “Isso faz toda diferença no resultado. Se na hora do abate o boi fica nervoso ele libera ácido láctico e acaba endurecendo a carne”, explica Abdo.

A peça então é resfriada até 0º e retorna para a fazenda, onde será desossada, embalada a vácuo e congelada a uma temperatura de -30º, o que eu garante a conservação do sangue. “O que dá o gosto na carne é o sangue e nesse processo não se perde praticamente nada.”

Até esta etapa o procedimento envolve um total de 21 funcionários, sendo 19 mulheres e dois homens. Tantos cuidados implicam em um aumento de pelo menos 125% no preço da carne natural, se comparada a uma peça comum.

Assim, a picanha oferecida a R$ 40 no mercado chega a R$ 90,00 na loja da Natural Beef. A diferença não parece intimidar o público alvo do empreendimento, que apresenta crescimento constante 10 a 12% no número de clientes, desde sua fundação, há seis anos. “Em um contexto de crise, são números muito bons”, lembra o diretor.

Mesmo com dados tão inspiradores em mãos, ele garante que a expansão do empreendimento, quando acontecer, se dará sempre de forma contida, propiciando a manutenção de seu propósito: qualidade acima de tuo. Sendo assim, atingir uma produção em grande escala não faz parte dos planos da empresa, que pode, no futuro investir em pequenas “boutiques” de carne distribuídas em algumas cidades do Estado.

Vantagens para a saúde e meio ambiente

A ONG WWF Brasil define a carne orgânica como uma carne produzida a partir de um sistema produtivo ambientalmente correto, socialmente justo e economicamente viável, isenta de resíduos químicos e com preocupação socioambiental.

No Brasil, o ideal ainda é pouco difundido, em parte por esbarrar na legislação. “Aqui não é possível produzir a carne verde porque isso implica na ausência total de substâncias químicas no processo de criação, e no Brasil a legislação obriga que todo o gado seja vacinado”, diz José.

Assim, ao adquirir carne orgânica certificada, o consumidor tem a garantia de que está levando para casa um alimento completamente isento de resíduos químicos, pois a carne é produzida da maneira mais natural possível, com os animais sendo tratados principalmente com medicamentos fitoterápicos e homeopáticos, vacinados e alimentados com pastos isentos de agrotóxicos. O processo de produção desta carne diferenciada garante o consumo de um alimento seguro e saudável.

A carne orgânica é produzida em fazendas de criação de gado certificadas, que seguem normas rígidas de certificação orgânica, que determinam um sistema de produção ambientalmente correto.

Estas normas exigem primeiramente que os produtores cumpram a legislação ambiental, o que garante a proteção das áreas naturais obrigatórias que devem existir dentro de uma propriedade rural, tais como as matas nas beiras dos rios.

Além do cumprimento da legislação ambiental, a certificação exige a proteção de nascentes e de corpos d`água, proíbe a utilização de fogo no manejo das pastagens, e por ser um sistema que proíbe o uso de agrotóxicos e químicos, evita a contaminação do solo e dos recursos hídricos localizados dentro da unidade produtiva.

Fonte: Olhar Direto

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