China suspende importações de frango de Santa Catarina após foco de Newcastle; embargo nacional é evitado

Governo brasileiro negocia restrição regionalizada com autoridades chinesas após confirmação da doença em criação comercial de perus; México suspende compras de produtos avícolas de todo o Brasil.

A China suspendeu as importações de carne de aves provenientes de Santa Catarina após a confirmação de um foco da doença de Newcastle em uma criação comercial de perus no município de Nova Itaberaba, no oeste catarinense. A medida foi confirmada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) nesta terça-feira (20), após negociações conduzidas pelo governo brasileiro para evitar que a restrição atingisse as exportações de todo o território nacional.

A decisão representa um desdobramento importante para o setor avícola brasileiro, já que a China está entre os principais destinos da carne de frango produzida no país. Segundo informações divulgadas pelo governo brasileiro, a restrição chinesa ficou limitada a Santa Catarina, resultado das tratativas diplomáticas e sanitárias realizadas após a confirmação do foco da enfermidade.

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De acordo com o Mapa, além da China, o México suspendeu a importação de determinadas categorias de produtos avícolas provenientes de todo o Brasil. O Chile também adotou restrições, mas limitadas aos produtos originários de Santa Catarina. As medidas variam conforme os protocolos sanitários estabelecidos com cada parceiro comercial.

A atualização foi divulgada pelo ministério em nota oficial sobre as restrições temporárias impostas por mercados compradores de produtos avícolas brasileiros. O governo informou que continua em contato com as autoridades sanitárias internacionais para apresentar esclarecimentos técnicos, acompanhar a evolução do caso e buscar a retomada segura do comércio.

China restringe compras a Santa Catarina

A limitação geográfica do embargo chinês foi um dos principais resultados das negociações conduzidas pelo governo brasileiro. Inicialmente, havia preocupação de que a confirmação da doença provocasse uma suspensão mais abrangente das compras de carne de aves do Brasil, com possíveis consequências para a cadeia exportadora.

Com a restrição concentrada em Santa Catarina, os embarques provenientes dos demais estados não foram incluídos nessa medida chinesa, conforme a atualização divulgada pelo Mapa. A decisão, entretanto, não significa que todos os estabelecimentos catarinenses estejam automaticamente autorizados a exportar: a aplicação das exigências sanitárias depende das regras e dos procedimentos estabelecidos entre os dois países.

O mercado chinês tem relevância expressiva para a avicultura brasileira. De janeiro a setembro de 2026, o país asiático respondeu por aproximadamente 10% das exportações brasileiras de carne de frango, com cerca de 420 mil toneladas importadas, segundo informações oficiais citadas pela imprensa.

A duração das restrições e os procedimentos necessários para a retomada dos embarques serão fatores importantes para avaliar os efeitos comerciais da ocorrência. Enquanto isso, exportadores e autoridades acompanham as tratativas para evitar que o episódio provoque limitações adicionais ao comércio internacional de proteína animal.

México suspende importações de produtos avícolas de todo o Brasil

Embora a China tenha limitado a restrição a Santa Catarina, o México adotou uma medida de alcance nacional. Segundo o Ministério da Agricultura, o país suspendeu as importações brasileiras de aves vivas, carne e miúdos de aves, ovos férteis, pintinhos de até três dias e determinadas categorias de aves destinadas à comercialização ou mantidas como animais de companhia.

O Chile, por sua vez, restringiu a entrada de produtos provenientes de Santa Catarina. A medida inclui ovos férteis, ovos SPF, pintinhos de um dia, aves ornamentais, carne fresca de aves, ovos destinados ao consumo humano e produtos cárneos que contenham carne fresca de aves.

As diferenças entre as decisões demonstram como os protocolos sanitários bilaterais influenciam a extensão dos embargos. Enquanto alguns mercados aplicam restrições nacionais, outros aceitam limitar as medidas à região afetada, conforme os acordos e os critérios de regionalização reconhecidos pelas autoridades envolvidas.

O Mapa informou que a situação dos demais mercados importadores permanece sob monitoramento. Novas atualizações serão divulgadas à medida que houver confirmações sobre eventuais mudanças nas exigências comerciais.

Foco foi confirmado em criação comercial de perus

O caso foi confirmado em 18 de outubro de 2026, em um estabelecimento de avicultura comercial de corte de perus localizado em Nova Itaberaba, Santa Catarina. A identificação ocorreu durante investigação epidemiológica conduzida pelo Serviço Veterinário Oficial do estado, com confirmação laboratorial pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de São Paulo.

Após a confirmação, a propriedade foi interditada e a movimentação de aves foi suspensa. As autoridades iniciaram os procedimentos de contenção e erradicação previstos no plano de contingência para a doença de Newcastle, incluindo medidas sanitárias para eliminar o foco e impedir a disseminação do vírus.

O monitoramento também abrange propriedades localizadas na região. Segundo o Mapa, a vigilância epidemiológica envolve Nova Itaberaba e os municípios vizinhos de Coronel Freitas, Nova Erechim e Águas Frias, com acompanhamento técnico e coleta de amostras conforme os protocolos oficiais.

A doença de Newcastle é uma enfermidade viral que afeta aves domésticas e silvestres e pode comprometer os sistemas respiratório, digestivo e nervoso dos animais. A ocorrência exige medidas rigorosas de defesa sanitária devido ao potencial de disseminação e aos efeitos sobre o comércio internacional de produtos avícolas.

O ministério ressaltou, contudo, que o consumo de carne e de outros produtos avícolas submetidos à inspeção sanitária oficial permanece seguro. As medidas adotadas têm como objetivo controlar a ocorrência, proteger a produção nacional e cumprir os requisitos sanitários exigidos pelos parceiros comerciais.

Setor acompanha efeitos sobre as exportações

A avicultura brasileira acompanha os desdobramentos do caso diante da importância das exportações para o desempenho da cadeia produtiva. Restrições comerciais prolongadas podem exigir mudanças na destinação dos embarques, além de pressionar os custos logísticos e a comercialização da proteína no mercado interno.

A regionalização obtida nas negociações com a China reduz o alcance inicial da medida sobre a produção brasileira, mas não elimina os desafios para os estabelecimentos localizados em Santa Catarina. A evolução da vigilância sanitária, a comprovação da eficácia das medidas de controle e as negociações com os países compradores serão determinantes para a retomada do comércio.

O Ministério da Agricultura informou que continuará fornecendo informações técnicas às autoridades sanitárias internacionais e acompanhando a situação dos mercados importadores. A expectativa do setor é que o controle do foco permita avançar nas tratativas comerciais e reduzir os impactos sobre as exportações brasileiras de carne de aves.

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ℹ️ Conteúdo publicado por Myllena Seifarth sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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