Chuva de até 200 mm atinge Sul do Brasil, com temporais, ventos de 100 km/h e granizo, alerta Inmet

INMET emite alerta de perigo para o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, enquanto frente fria e Jato de Baixos Níveis aumentam o risco de tempestades, alagamentos e prejuízos no campo.

O avanço de uma nova frente fria deve mudar o tempo no Sul do Brasil a partir desta quinta-feira (16), trazendo um cenário de elevado risco para produtores rurais e moradores da região. O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) emitiu alerta laranja de perigo para praticamente todo o Rio Grande do Sul e parte de Santa Catarina, com previsão de chuvas que podem acumular até 200 milímetros em apenas dois dias, além de rajadas de vento de até 100 km/h e possibilidade de granizo.

O cenário preocupa especialmente o setor agropecuário, já que muitas áreas do Rio Grande do Sul ainda apresentam solo encharcado em razão das chuvas recentes. Com isso, aumenta o risco de enxurradas, alagamentos, queda de árvores, interrupção no fornecimento de energia elétrica e danos às lavouras, além de dificuldades logísticas para o transporte da produção.

Sul concentra maior preocupação

Segundo o INMET, o alerta começa na quinta-feira (16) e permanece válido até a noite de sexta-feira (17). A previsão indica volumes de aproximadamente 100 mm por dia, podendo alcançar acumulados próximos de 200 mm durante o período.

Além da chuva intensa, o instituto alerta para:

  • ventos de até 100 km/h;
  • possibilidade de queda de granizo;
  • risco de cortes no fornecimento de energia elétrica;
  • queda de árvores;
  • danos em plantações;
  • alagamentos em diversas regiões.

Ao todo, cerca de 480 municípios gaúchos estão sob alerta de perigo, abrangendo praticamente todas as regiões do estado, além do extremo sul catarinense.

Entenda por que os temporais serão tão intensos

De acordo com o INMET, o retorno das tempestades ocorre devido à formação de uma área de baixa pressão sobre a Argentina, associada ao fortalecimento do Jato de Baixos Níveis (JBN).

Esse corredor de ventos transporta grande quantidade de calor e umidade do interior da América do Sul em direção ao Rio Grande do Sul, criando um ambiente extremamente favorável para a formação de tempestades severas. Ao mesmo tempo, a intensificação do jato subtropical em altos níveis reforça ainda mais a instabilidade atmosférica.

Os mapas meteorológicos divulgados pelo INMET mostram justamente esse corredor de umidade direcionado ao Sul do Brasil, aumentando significativamente o potencial para chuvas volumosas entre quinta e sexta-feira. As figuras técnicas do boletim evidenciam tanto a atuação do JBN quanto o aumento da água precipitável disponível na atmosfera.

Como fica o tempo nas demais regiões

Enquanto o Sul entra em alerta para temporais, o restante do país terá condições distintas.

Centro-Oeste

A previsão indica tempo firme na maior parte da região. Apenas áreas do norte e oeste de Mato Grosso podem registrar pancadas isoladas de chuva. Em Goiás, Distrito Federal e parte de Mato Grosso do Sul, o destaque passa a ser a baixa umidade relativa do ar, com índices entre 20% e 30%. Também são esperados ventos intensos no oeste sul-mato-grossense, podendo atingir cerca de 60 km/h.

Sudeste

O predomínio será de tempo estável, sem previsão de chuva significativa. As madrugadas continuam frias, com possibilidade de geada no sul de Minas Gerais e na região de Campos do Jordão (SP). Durante as tardes, as temperaturas voltam a subir gradualmente.

Nordeste

A frente fria também influencia o litoral da Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco e Paraíba, mantendo condições para chuva, especialmente nas áreas costeiras. Em contrapartida, o oeste da Bahia, sul do Maranhão e extremo sul do Piauí entram em atenção para baixa umidade do ar.

Norte

As chuvas permanecem concentradas sobre Amazonas, Roraima e Pará, enquanto nos demais estados da região ocorrem apenas pancadas isoladas.

Atenção redobrada no campo

Para o produtor rural do Sul, os próximos dias exigem monitoramento constante das previsões meteorológicas. O risco de excesso de chuva pode atrasar operações no campo, dificultar o trânsito em estradas rurais, provocar erosão, favorecer doenças em culturas de inverno e comprometer atividades pecuárias.

A orientação é acompanhar a atualização dos avisos oficiais do INMET, evitar operações durante a ocorrência de temporais e adotar medidas preventivas para proteger estruturas, equipamentos e animais.

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