Formação incomum foi descoberta em Entre-Ijuís, no Rio Grande do Sul, e despertou especulações sobre sua origem; pesquisador aponta possível intervenção humana, mas o caso ainda não tem explicação comprovada.
Uma formação circular de aparência incomum, encontrada no meio de uma lavoura de milho no município de Entre-Ijuís, na região das Missões, no Rio Grande do Sul, despertou a curiosidade de moradores e ganhou repercussão nas redes sociais. O registro foi feito pelo empresário e vitivinicultor Jorge Fin, de 67 anos, proprietário da Vinícola Fin, que se surpreendeu ao identificar um desenho bastante definido em uma área cultivada de sua propriedade.
A descoberta ocorreu na manhã de 9 de outubro de 2026, quando o produtor caminhava pela plantação. O que chamou sua atenção foi a regularidade da marca, localizada em um ponto elevado do terreno. Embora o formato tenha provocado especulações sobre fenômenos incomuns, não existe, até o momento, comprovação técnica sobre o que teria provocado a formação.
Produtor encontra desenho circular no meio da plantação
Segundo o relato inicial divulgado pelo Grupo Sepé de Comunicação, Jorge Fin percebeu a formação ao amanhecer e ficou impressionado com a aparência do círculo.
“Ao amanhecer desta sexta-feira apareceu esse círculo bem no centro da nossa lavoura de milho. E o círculo é perfeito, ficamos impressionados”, relatou.
Em entrevista posterior ao portal ABCmais, o agricultor explicou que não costuma caminhar pelo local onde encontrou a marca. Na ocasião, decidiu percorrer a área e acabou identificando o desenho.
O produtor afirmou que nunca havia presenciado algo semelhante em sua propriedade e demonstrou dúvidas sobre a possibilidade de alguém ter produzido a formação.
Apesar da surpresa, disse não ter sentido medo. “Achei bastante estranho, mas não me assombrou. Não fiquei preocupado com isso”, declarou ao veículo.
As imagens mostram uma plantação de milho ainda em desenvolvimento, com uma marca circular visível pelo contraste entre o solo e a vegetação. Essa característica é importante porque diferencia o registro de outros círculos encontrados em lavouras, nos quais as plantas aparecem dobradas ou deitadas.
Pesquisador considera possível intervenção humana
O episódio também chamou a atenção do ufólogo Rodrigo Amorim, pesquisador de fenômenos ufológicos, que analisou as imagens e apresentou uma interpretação diferente das especulações sobre uma possível origem extraterrestre.
Em entrevista ao ABCmais, Amorim afirmou que a formação encontrada em Entre-Ijuís não apresenta as mesmas características observadas em determinados registros conhecidos como agroglifos.
Essas formações recebem atenção principalmente quando surgem desenhos geométricos em áreas agrícolas. Entretanto, o termo não determina como foram produzidas nem comprova qualquer fenômeno extraordinário.
No caso gaúcho, o pesquisador destacou que as plantas não apresentam o dobramento típico de alguns desses registros.
“O que percebemos nesse caso foi a ação humana, provavelmente”, afirmou Amorim, ressaltando que sua avaliação foi realizada à distância.
A interpretação, contudo, não constitui uma conclusão pericial. Até agora, não foram divulgadas evidências que comprovem intervenção humana, fenômeno meteorológico ou qualquer outra causa específica.
O que pode provocar marcas incomuns em lavouras de milho?
Do ponto de vista agronômico, alterações localizadas no desenvolvimento das plantas podem apresentar diferentes origens.
A Embrapa destaca que a uniformidade de uma lavoura de milho está relacionada a fatores como distribuição das sementes, profundidade de semeadura, umidade do solo e condições de emergência das plantas.
Dependendo das circunstâncias, essas variáveis podem provocar diferenças de crescimento e falhas no estande, tornando algumas áreas visualmente distintas do restante da plantação.
Ventos intensos também podem provocar alterações na posição das plantas, especialmente em condições favoráveis ao acamamento. Entretanto, nenhuma dessas possibilidades foi demonstrada como responsável pelo círculo encontrado em Entre-Ijuís.
Uma avaliação agronômica precisaria considerar as condições do solo, a distribuição das plantas, o histórico de manejo, eventuais sinais de interferência mecânica e as condições meteorológicas anteriores à descoberta.
Outro aspecto relevante é distinguir uma alteração no desenvolvimento da cultura de uma marca provocada depois que as plantas já haviam emergido.
Essa diferenciação ajudaria a estabelecer se houve algum problema de implantação da lavoura ou uma interferência posterior.
Formação pode representar prejuízo ao agricultor?
Embora o episódio tenha despertado curiosidade principalmente pelo formato, uma avaliação da área também permitiria identificar possíveis impactos sobre a produção.
Na cultura do milho, falhas de emergência, redução da população de plantas e danos ao desenvolvimento vegetativo podem comprometer o potencial produtivo, dependendo da extensão e da intensidade do problema.
No entanto, não foram divulgados dados sobre a dimensão da formação, a quantidade de plantas afetadas ou eventuais perdas econômicas na propriedade.
Por enquanto, o caso permanece como um registro incomum no interior gaúcho. A regularidade aparente do desenho é suficiente para despertar curiosidade, mas não permite identificar sua origem.
A resposta depende de evidências observadas diretamente na lavoura, e não apenas da aparência da formação nas fotografias. Até que isso aconteça, o círculo encontrado por Jorge Fin continua sem uma explicação tecnicamente comprovada.
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