Colonização microbiana do trato gastrintestinal do potro

Colonização microbiana do trato gastrintestinal do potro

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Importância do microrganismo no desenvolvimento do TGI. Foto Divulgação.

O trato gastrintestinal (TGI) do cavalo adulto normal contém uma complexa comunidade de microrganismos.

A maioria deles está localizada no intestino grosso, onde ajudam na digestão de alimentos (especialmente fibra) e sintetizam compostos (como algumas vitaminas) que são importantes para a saúde do cavalo.

A maioria dos microorganismos considerados úteis no intestino do cavalo são não patogênicos e são conhecidos como flora intestinal normal. Alguns micróbios patogênicos também residem no trato GI, mas eles competem com a flora intestinal.

Em potros, a colonização do trato gastrintestinal por organismos patogênicos pode levar a um quadro de diarréia. Atualmente existem muitas pesquisas centradas na identificação dos organismos responsáveis pela diarréia neonatal, no entanto, um esforço menor tem sido feito para identificar os fatores que permitem que os organismos patogênicos se estabeleçam no trato GI do potro. Além disso, sabe-se muito pouco acerca de como e quando a flora normal GI se estabelece no potro.

Pesquisadores da Universidade de Kentucky têm estudado o desenvolvimento da capacidade digestiva do potro durante vários anos. Uma pesquisa inicial indicou que os potros muito jovens têm uma baixa capacidade de digestão da fibra, porém, potros mais velhos têm uma capacidade semelhante à de suas mães.

Como a digestão da fibra é feita por uma bactéria específica no intestino grosso, estas observações sugerem que entre 1ou 2 meses de idade os potros desenvolvam uma população microbiana normal no seu trato gastrintestinal.

No passado, a pouca disponibilidade de métodos laboratoriais precisos, econômicos e relativamente rápidos limitou o estudo da flora gastrintestinal. Atualmente, novas técnicas moleculares estão sendo desenvolvidas, as quais facilitarão o estudo da flora intestinal, por tanto esperamos melhorar nosso conhecimento sobre esta importante parte da saúde eqüina. Nós temos usado recentemente uma análise chamada eletroforese em gel com gradiente desnaturante (DGGE) para comparar a semelhança entre a flora fecal de potros recém-nascidos e suas mães desde o nascimento até cerca de 12 semanas de idade.

As fezes são consideradas um conteúdo não-invasivo no intestino grosso do cavalo, devido a que a maioria da população microbiana do trato GI reside neste orgão. Através de análise DGGE, o DNA metagenômico é isolado das fezes e amplificado pela reação em cadeia da polimerase (PCR). Os amplicons resultantes são então separados em gel de gradiente para produzir um padrão de bandas que representa a diversidade da comunidade microbiana. O número e o posicionamento das bandas são característicos para cada comunidade da amostra.

No primeiro dia após o parto, a semelhança entre o DNA microbiano nas fezes da égua mãe e as fezes do potro foi baixa. No entanto, a semelhança aumentou rapidamente e perto das duas semanas de idade, éguas e potros aparentemente tiveram populações microbianas similares em suas fezes. Nenhum dos potros no estudo sofreu de diarréia patogênica, portanto, essas observações sugerem que o trato gastrintestinal do potro é colonizado por micróbios normais nos primeiros dias do nascimento.

Neste estudo sobre a colonização do trato GI do potro ficam varias interrogantes. Desconhece-se se uma falha da flora intestinal normal ao colonizar o trato gastrintestinal aumenta a susceptibilidade dos potros para desenvolver um quadro de diarréia patogênica. Se assim for, as estratégias para melhorar o desenvolvimento da flora normal podem ser benéficas para o potro. Em um estudo de 2 anos, nosso grupo de pesquisa analisou os efeitos de um prebiótico na incidência de diarréia em potros. No primeiro ano, houve uma tendência à diminuição do tempo de tratamento de diarréias nos potros.

No entanto, no segundo ano houve uma baixa incidência de diarréia nos dois grupos pesquisados (grupo controle e grupo tratado com prebiótico) e, portanto, não houve confirmação de um efeito significativo do pré-biótico.

No futuro esperamos estudar os efeitos tanto dos dos prebióticos como dos probióticos no desenvolvimento da flora GI do potro. Além disso, gostaríamos de identificar a progressão normal de micróbios que colonizam o trato gastrintestinal do potro nos primeiros dias de vida.

Fonte: Rural Soft

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