Giulia Fabrin Scussel, de 29 anos, é sócia-fundadora da Néctar Hidromel e a primeira mulher a presidir a federação de apicultores e meliponicultores de Santa Catarina
Uma experiência com fermentação durante a faculdade abriu caminho para a engenheira agrônoma Giulia Fabrin Scussel, de 29 anos, transformar mel em negócio. Com R$ 600 reunidos entre colegas, ela participou do início de uma produção artesanal de hidromel em uma garagem. A iniciativa deu origem à Néctar Hidromel, de Florianópolis, e integra uma trajetória que agora ganhou reconhecimento na lista “As 100 Mulheres Poderosas do Agro”, divulgada pela Forbes Brasil em outubro de 2026.
A atuação da catarinense também se estende à organização dos produtores. Giulia é a primeira mulher a presidir a Federação das Associações de Apicultores e Meliponicultores de Santa Catarina (Faasc), entidade que reúne 53 associações. Sua presença na seleção coloca em evidência uma cadeia que conecta agricultura familiar, pesquisa, desenvolvimento de bebidas e valorização dos produtos das abelhas.
Da experiência na universidade ao negócio com mel
Formada em Agronomia e mestre em Ciências pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Giulia encontrou no ambiente acadêmico o ponto de partida para empreender.
O contato com a fabricação de hidromel ocorreu em uma disciplina da graduação. A partir desse aprendizado, quatro amigos decidiram experimentar receitas e avaliar a possibilidade de comercializar uma bebida feita com matérias-primas catarinenses.
O investimento inicial permitiu os primeiros passos, mas a profissionalização exigiu uma estrutura maior. Segundo registro publicado pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc) em 2023, a seleção da empresa pelo programa Centelha ajudou a financiar equipamentos, regularização e organização dos processos.
“A Néctar cresceu muito depois do programa Centelha”, afirmou Giulia à instituição na ocasião. O apoio também permitiu ampliar os testes de ingredientes e desenvolver produtos para comercialização.
O que é o hidromel produzido pela empresa
O hidromel é uma bebida alcoólica obtida pela fermentação de uma mistura de mel e água com leveduras. Embora seja conhecido popularmente como “vinho de mel”, sua matéria-prima principal é diferente da utilizada no vinho de uva.
Na Néctar, a proposta combina mel catarinense com frutas, chás e especiarias. As receitas incluem ingredientes como butiá, chá-mate, limão e tangerina com gengibre, com graduação alcoólica que varia conforme o produto.
Para a cadeia apícola, esse processamento representa uma possibilidade de diversificação: o mel passa a compor uma bebida com marca, receita e identidade próprias. O resultado comercial depende, porém, de fatores como qualidade da matéria-prima, controle da fermentação, regularização e acesso ao consumidor.
Uma nova liderança na apicultura catarinense
A aproximação de Giulia com o associativismo também nasceu da pesquisa. Durante sua formação, ela estudou o mel de melato da bracatinga e conheceu instituições envolvidas na valorização da origem desse produto.
Em junho de 2023, começou a trabalhar na Faasc, inicialmente para auxiliar na organização de um congresso do setor. A experiência ampliou seu contato com associações e com os desafios enfrentados pelos produtores.
Eleita em 11 de agosto de 2026, Giulia passou a comandar a diretoria para o mandato iniciado em 15 de setembro, com duração até setembro de 2028, conforme o comunicado de posse da federação.
Entre as prioridades apresentadas estão aproximar a entidade das regiões produtoras, ouvir as associações e fortalecer a identidade do mel catarinense. A proposta conecta representação institucional e abertura de mercados, duas frentes relevantes para ampliar as oportunidades dos apicultores.
Reconhecimento reúne empreendedorismo e representação do campo
A seleção da Forbes foi publicada em 15 de outubro, no Dia Internacional da Mulher Rural, e reúne produtoras, pesquisadoras, executivas, empreendedoras e lideranças institucionais.
A relação não estabelece uma classificação de poder entre as participantes. A publicação informa que os nomes seguem ordem alfabética, com exceção das duas primeiras homenageadas. Portanto, a numeração associada a Giulia não significa que ela seja a 42ª mulher mais poderosa do agronegócio.
Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias.