Começa a safra 2026/27: veja onde o plantio da soja estará liberado em setembro

Calendário oficial do Mapa abre janelas de semeadura em 13 estados ao longo de setembro; Mato Grosso começa no dia 7, Mato Grosso do Sul no dia 16 e Goiás no dia 25, enquanto projeções apontam quase 50 milhões de hectares cultivados no país

O plantio da soja 2026/27 começa a ganhar espaço no campo brasileiro a partir de setembro, quando termina o vazio sanitário em importantes regiões produtoras. Paraná e São Paulo terão áreas liberadas já em 1º de setembro, Mato Grosso inicia sua janela no dia 7, Mato Grosso do Sul no dia 16 e Goiás no dia 25. Ao todo, 13 estados terão pelo menos uma região autorizada a iniciar a semeadura durante o mês, de acordo com o calendário estabelecido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

A largada ocorre diante de uma temporada que pode levar o Brasil novamente a uma área recorde de soja. As primeiras projeções privadas para 2026/27 colocam o cultivo nacional entre 49 milhões e 49,5 milhões de hectares, mantendo a oleaginosa muito próxima da marca simbólica de 50 milhões de hectares.

Plantio da soja 2026/27 começa em 1º de setembro no Paraná e em São Paulo

Os primeiros produtores autorizados a avançar com o plantio da soja 2026/27 estarão em áreas específicas do Paraná e de São Paulo.

No Paraná, a Região II — que engloba áreas do Norte, Noroeste, Centro-Oeste e Oeste, conforme a divisão da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) — encerra o vazio sanitário em 31 de agosto. A janela oficial vai de 1º de setembro a 31 de dezembro de 2026.

O Paraná possui outras duas regiões. A Região III, no Sudoeste, poderá iniciar em 11 de setembro, enquanto a Região I, formada por municípios do Sul, Leste, Campos Gerais e Litoral, terá semeadura permitida a partir de 20 de setembro.

São Paulo também trabalha com três calendários distintos. A Região I abre em 1º de setembro, a Região II em 13 de setembro e a Região III em 16 de setembro. A Secretaria de Agricultura paulista informa que a regionalização foi criada justamente para adaptar o calendário às diferentes condições de produção encontradas no Estado.

Calendário de setembro: veja quando a soja poderá ser semeada

A Portaria SDA/MAPA nº 1.579, de 9 de abril de 2026, estabelece os períodos de vazio sanitário e as janelas de semeadura para a safra 2026/27 em nível nacional.

Considerando apenas as regiões cuja autorização começa durante setembro, o calendário fica assim:

Estado/regiãoInício da semeaduraFinal da janela
Paraná — Região II1º de setembro31 de dezembro
São Paulo — Região I1º de setembro29 de dezembro
Mato Grosso7 de setembro7 de janeiro
Amazonas11 de setembro9 de janeiro
Paraná — Região III11 de setembro10 de janeiro
Rondônia11 de setembro9 de janeiro
São Paulo — Região II13 de setembro10 de janeiro
Bahia — Região II15 de setembro15 de janeiro
Mato Grosso do Sul16 de setembro31 de dezembro
Pará — Região I16 de setembro14 de janeiro
São Paulo — Região III16 de setembro24 de dezembro
Paraná — Região I20 de setembro20 de janeiro
Acre21 de setembro8 de janeiro
Santa Catarina — Região II22 de setembro22 de janeiro
Goiás25 de setembro2 de janeiro
Rio de Janeiro29 de setembro6 de janeiro
Piauí — Região III30 de setembro27 de janeiro

As datas constam na regulamentação federal da safra 2026/27. Nos estados que trabalham com mais de uma região, o produtor precisa verificar em qual divisão seu município está enquadrado antes de iniciar as operações.

Plantio da soja 2026/27 avança pelo Centro-Oeste durante setembro

Entre os estados de maior peso na produção nacional, Mato Grosso será o primeiro do Centro-Oeste a entrar oficialmente na nova temporada. O vazio sanitário mato-grossense ocorre entre 8 de junho e 6 de setembro, permitindo a presença da nova cultura a partir de 7 de setembro. A janela segue até 7 de janeiro de 2027.

No Mato Grosso do Sul, a restrição permanece até 15 de setembro. Assim, a semeadura estará liberada entre 16 de setembro e 31 de dezembro.

Goiás fecha o grupo dos grandes produtores que entram no calendário em setembro. O vazio sanitário vai de 27 de junho a 24 de setembro e o plantio poderá ocorrer entre 25 de setembro de 2026 e 2 de janeiro de 2027. A Agrodefesa reforça que, durante o período de vazio, não pode haver manutenção de plantas vivas de soja, incluindo as chamadas plantas voluntárias ou tigueras.

Minas Gerais e Distrito Federal, por outro lado, terão de esperar mais alguns dias: nos dois casos, a janela da nova safra começa somente em 1º de outubro.

Vazio sanitário define a largada e protege a nova safra

O intervalo antes da semeadura não é apenas uma divisão administrativa entre duas temporadas.

O vazio sanitário integra o Programa Nacional de Controle da Ferrugem Asiática da Soja (PNCFS) e determina um período sem plantas vivas de soja no campo. O objetivo é quebrar a chamada “ponte verde” que permite ao fungo Phakopsora pachyrhizi, causador da ferrugem asiática, sobreviver entre uma safra e outra.

A Embrapa explica que a ausência do hospedeiro ajuda a reduzir a quantidade de inóculo do fungo na entressafra e pode retardar a chegada da doença às novas lavouras. A calendarização também busca reduzir cultivos excessivamente tardios e a pressão de seleção sobre populações do patógeno resistentes aos fungicidas.

Por isso, o calendário não deve ser interpretado apenas como uma referência agronômica. Trata-se de uma medida fitossanitária obrigatória, acompanhada pelos órgãos estaduais de defesa agropecuária.

Há ainda uma particularidade importante. Segundo o Mapa, a data inicial do calendário representa o momento a partir do qual é permitida a presença de plântulas emergidas no campo. No Paraná, por exemplo, a Adapar alerta que uma operação pode ocorrer imediatamente antes do fim do vazio desde que a germinação e a presença das plantas respeitem rigorosamente a abertura oficial da janela.

Quase 50 milhões de hectares entram no radar da nova temporada

Além do calendário, o tamanho da área que poderá entrar em produção coloca a safra 2026/27 novamente em patamar histórico.

O primeiro levantamento da Datagro aponta 49,3 milhões de hectares destinados à soja, crescimento de 0,3% sobre 2025/26. A consultoria trabalha, em um cenário climático relativamente favorável, com produtividade média de 3.763 quilos por hectare e potencial de produção de 185,6 milhões de toneladas.

A StoneX trabalha com número ligeiramente maior: 49,5 milhões de hectares, alta de 0,76%, com produtividade nacional próxima de 3,7 toneladas por hectare.

Já a AgRural projetou 49,006 milhões de hectares, avanço de 0,9%. Apesar das diferenças metodológicas, os levantamentos convergem para um ponto: o Brasil deverá cultivar algo próximo de 49 milhões a 49,5 milhões de hectares de soja, mantendo a tendência de expansão da oleaginosa, ainda que em ritmo mais lento que em temporadas anteriores.

Plantio da soja 2026/27 terá calendário, clima e margem no centro das decisões

A autorização fitossanitária, contudo, não significa que todas as máquinas entrarão imediatamente nas áreas.

Na prática, o avanço do plantio da soja 2026/27 dependerá também da umidade do solo e da regularização das chuvas. Em sistemas de sequeiro, produtores podem optar por esperar condições mais seguras mesmo após o fim do vazio sanitário, reduzindo o risco de emergência irregular e necessidade de replantio.

O cenário econômico também tende a aumentar a seletividade. As primeiras projeções de área indicam crescimento significativamente menor que o observado em vários dos ciclos anteriores, com consultorias apontando margens mais apertadas e maior cautela dos produtores.

A StoneX acrescenta o clima como um dos principais pontos de atenção da temporada. A consultoria avalia que um cenário associado ao El Niño pode beneficiar partes da Região Sul com maior disponibilidade de umidade, mas elevar o risco de condições mais secas no Nordeste, Norte e até em áreas de Mato Grosso.

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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