Comunicação entre plantas é opção para o manejo de pragas

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Caruru se destaca na plantação de soja - Foto Marlon Bastiani (1)
Foto: Marlon Bastiani

Comunicação entre as plantas: Uma alternativa para o manejo de pragas agrícolas; as plantas podem detectar sinais de plantas vizinhas atacadas por herbívoros

Os insetos herbívoros são um problema importante na produção de diversas culturas. O uso de pesticidas químicos é uma prática comum para controle, mas tanto os insetos benéficos, como os inimigos naturais dos herbívoros (por exemplo, predadores e parasitóides), podem ser afetados. Mecanismos de defesa que as plantas utilizam para combater pragas, como por exemplo os voláteis de plantas induzidas por herbívoros (VPIH’s), podem ser usados ​​para recrutar predadores e parasitóides em busca de presas ou hospedeiros (LANGE et al., 2019).

Os VPIH’s desempenham um papel importante na defesa da planta, atraindo os inimigos naturais dos herbívoros ; ou impedimento de oviposição.  Tais compostos voláteis são lipofílicos, liberados das folhas, flores e frutos para a atmosfera e para o solo a partir das raízes das plantas em resposta ao ataque de herbívoros. Os VPIH’s produzidos variam de acordo com as espécies de plantas e herbívoros, o estágio de desenvolvimento e a condição das plantas e dos herbívoros (WAR et al., 2012).

Dessa forma, as plantas podem detectar sinais voláteis de plantas vizinhas atacadas por herbívoros ou patógenos e esses sinais podem regular vias de defesa bioquímica específicas e eficazes. As plantas também usam pistas voláteis para detectar a presença e identidade de outras plantas. Um exemplo dessa interação é a exposição de plantas de cevada a compostos orgânicos voláteis de uma cultivar diferente, a interatividade resultou em uma diminuição significativa de pulgões (DAHLIN et al., 2018).

Outro exemplo, é a utilização desses compostos voláteis para repelir a mosca-branca (Trialeurodes vaporariorum), dentre eles o limoneno, composto químico presente em diversas plantas, é o que apresenta significativo sucesso (CONBOY et al., 2020).

Portanto, as plantas respondem aos danos dos órgãos vegetais, ocasionados por herbívoros e patógenos emitindo os compostos voláteis, que podem deter os herbívoros direta ou indiretamente, podendo ainda, atrair seus inimigos naturais para matá-los. Os voláteis também podem preparar as plantas vizinhas para a defesa ou induzir a defesa em partes distantes da área danificada da mesma planta, ou seja,  a exposição prévia de plantas a voláteis de vizinhos que foram atacados por herbívoros pode resultar em uma resposta mais forte em termos de atração de predadores quando os herbívoros danificam a planta. Assim, as comunicações intra e entre plantas sugerem que várias espécies de plantas desenvolveram ferramentas de comunicação comuns ou específicas da espécie durante o processo evolutivo (DAS et al., 2013).

Os insetos contam com seu olfato para localizar alimentos e hospedeiros, encontrar parceiros e selecionar locais para colocar os ovos. O uso de VPIH’s, para repelir pragas e interromper seus comportamentos dirigidos pelo olfato, tem grande significado prático no manejo integrado de pragas (WANG et al., 2021).

Portanto, combinar cultivares com base em como eles interagem entre si é uma estratégia promissora para a gestão de pragas agrícolas (DAHLIN et al., 2018), pois dessa forma é possível induzir os mecanismos de resistência, bem como aumentar experimentalmente as defesas das plantas, como por exemplo, aumentar os VPIH’s, podendo contribuir para o desenvolvimento de práticas mais sustentáveis ​​de manejo de pragas em lavouras (LANGE et al., 2019).

AUTORES

Chrystiaine Helena Campos de Matos – Licenciada em Química pelo IF Sudeste MG – Campus Barbacena, MG, Mestranda em Agroquímica pelo IF Goiano – Campus Rio Verde, GO.
Charllys Richellyher da Silva – Biólogo pelo IF Goiano – Campus Rio Verde – Rio Verde, GO.
Cristiele Dayane Cardoso dos Santos – Médica Veterinária pela Uniceplac – Gama, DF, Mestranda em Zootecnia pelo IF Goiano – Campus Rio Verde, GO.
Daisa Mirelle Borges Dias – Medica Veterinária pela Universidade de Rio Verde – UniRV, Rio Verde, GO, Técnica em Zootecnia pelo IF Goiano – Campus Rio Verde, GO, Mestranda em Zootecnia pelo IF Goiano – Campus Rio Verde, GO.
Felipe Pereira Cunha – Engenheiro Agrônomo pelo Centro Universitário de Mineiros – Unifimes, Mineiros, GO, Mestrando em Zootecnia pelo IF Goiano – Campus Rio Verde, GO.
José Ricardo Gouveia Capanema – Ciências Biológicas pela UEMG – Mestrando em Zootecnia pelo IF Goiano – Campus Rio Verde, GO.
Sabrina Ferreira Gonçalves – Engenheira Civil pela Universidadede Rio Verde- UniRv, Rio Verde, GO.
Cristiane de Melo Cazal – Química pela Universidade Federal de Viçosa, Mestre em Agroquímica pela Universidade Federal de Viçosa, Doutora em Química pela Universidade Federal de São Carlos, Professora do IF Sudeste MG – Campus Barbacena, MG.
Marco Antônio Pereira da Silva – Zootecnista pela Escola Superior de Ciências Agrárias de Rio Verde, Mestre em Zootecnia pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Doutor em Ciência Animal pela Universidade Federal de Goiás, Professor do IF Goiano – Campus Rio Verde, GO.

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