Conheça os equipamentos para boas prática no preparo do solo

Conheça os equipamentos para boas prática no preparo do solo

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Foto: Divulgação

Com as novas tecnologias é necessário conhecer os equipamentos e entender como operá-los para preparar o solo e aplicar as boas práticas, confira nossas conclusões.

Diogo Ferrari*

Preparo de solo consiste basicamente em promover uma melhoria nas condições físicas e químicas para garantir uma boa infiltração/percolação da água no solo, uma boa mobilidade dos nutrientes do solo, garantindo um crescimento radicular favorável à planta, bem como um bom crescimento vegetativo e uma boa brotação, garantindo assim o melhor estabelecimento da cultura. Sendo uma operação utilizada desde o início da agricultura no Brasil, o Preparo de Solo se baseia no revolvimento do solo ou não, com o intuito de provocar uma desagregação dos agregados do solo, e ainda, permitir e manter níveis favoráveis de matéria orgânica.

Componente, um dos mais importantes, do custo de produção, o preparo do solo está relacionado com a questão de dar sustentabilidade à agricultura, pois influencia a maioria das propriedades físicas do solo, afetando com isso os processos biológicos, condicionando o estabelecimento e desenvolvimento das plantas, buscando manter ou superar as produtividades ano a ano.

Partindo para as etapas desse processo, vale mencionar que todas estas são importantes, e objetivam a correção do solo posteriormente como calagem, gessagem e adubação. O preparo apresenta ações básicas inicias que irão promover boas condições para o crescimento radicular, colaborando assim para o sucesso no plantio, garantindo o estabelecimento da cultura e assim grandes produtividades.

Pensando cruamente no preparo de solo, este tem como objetivo atenuar ou eliminar os seguintes fatores:

  • FÍSICOS: compactação, adensamento e encharcamento;
  • QUÍMICOS: baixo teor de nutrientes, elevados teores de alumínio (Al), manganês (Mn) e sais de sódio (Na);
  • BIOLÓGICOS: plantas daninhas, nematóides, cupins, entre outros;

Cabe aqui uma atenção redobrada no preparo de solo, quanto à conservação deste. Prevendo durante as operações/atividades de preparo, a execução de terraços e medidas que evitem as perdas de solo por erosão e escorrimento superficial de água.

AÇÕES INICIAIS DE PREPARO DE SOLO

ARAÇÃO

Operação em declínio na áreas de culturas anuais por razões conservacionistas, devido ao elevado custo e alta demanda de tempo para realização. Ou mesmo pela tendência da adoção do uso de Plantio Direto ou Cultivo Mínimo.

Ação que consiste em um corte, elevação e inversão de uma leiva de solo. Realizando esse procedimento, resulta em descompactação do solo, mistura de componentes minerais e orgânicos, controle de plantas daninhas por seu abafamento, incorporação de restos de culturas, adubos verdes, corretivos e fertilizantes aplicados previamente.

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Fonte: Autor

ESCARIFICAÇÃO

A escarificação é uma alternativa de preparo altamente utilizada nas operações de Plantio Direto ou Cultivo Minimo, onde realiza através do Escarificador o rompimento da camada superficial do solo sem promover a inversão do perfil mobilizado, e também, de manter entre 50 e 75 % da cobertura vegetal existente sobre o solo antes do preparo. A operação de mobilização do solo até realizada em uma profundidade máxima de 30 cm em função das hastes descompactadoras presentes hoje nos implementos fabricados que são mais finas e curtas que um Subsolador, justamente pela busca de menor revolvimento do solo.

Particularidades:

  • Condições de abundante cobertura vegetal: devem ser equipados com discos de corte na frente das hastes, evitando o arraste da palhada (embuchamento);
  • Em condições de solos pesados ou que levantam muito torrão: fazer o uso de rolos destorroadores/ niveladores para destruição desses torrões gerados na operação.

Vantagens:

  • Menor tempo de operação;
  • Menor consumo de combustível por unidade de área;
  • aumento da infiltração-penetração-percolação da água no solo.
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Fonte: Autor

SUBSOLAGEM

Essa operação que objetiva a descompactação do solo com os tais Subsoladores, onde o terreno apresenta uma camada compactada a profundidades que ultrapassam 30 cm. Estes são compostos por hastes (mais espessas, longas e resistentes que os Escarificadores), dotados de um maior espaçamento entre as hastes para permitir a vazão de terra na operação.

Particularidades:

  • Condições de abundante cobertura vegetal: devem ser equipados com discos de corte na frente das hastes, evitando o arraste da palhada (embuchamento).
  • Em condições de solos pesados ou que levantam muito torrão: fazer o uso de rolos destorroadores/ niveladores para destruição desses torrões gerados na operação.
  • Elevado consumo de energia: em função da profundidade de trabalho e suas hastes mais espessas;
  • Indicado para: solos com camada impeditiva ao fluxo de água e/ou ao desenvolvimento do sistema radicular das plantas, em profundidades maiores de 30 cm;
  • Necessidade: após a subsolagem, via-de-regra requer uma ou mais operações complementares pois a superfície torna-se muito irregular.
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Fonte: Autor

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Plantio direto: melhora o solo e a produtividade da soja

AÇÕES SECUNDÁRIAS DE PREPARO DE SOLO

Essas operações visam nivelar e destorroar a camada mais superficial do solo onde será realizado o plantio e/ou semeadura, e assim promover condições favoráveis à implantação e ao desenvolvimento inicial das culturas. Isso porque, para o plantio, é necessário que se ofereça uma camada de agregados, suficientemente finos e úmidos. Essa função é assegurar e possibilitar que as raízes da planta tenham um melhor acesso aos nutrientes depositados no solo (adubação), a água disponível (solo/irrigação), permitindo uma rápida germinação das plantas e pegamento das plantas cultivadas.

Essa ação de preparo secundário, busca adequar a camada dos 10 a 20 cm superficiais do solo para uma semeadura uniforme em distribuição e profundidade. E ainda, esta ação permite o controle de plantas daninhas em germinação ou emergidas após as operações de “preparo primário”.  Cabe salientar que essa operação deve ser realizada o mais próximo possível da semeadura da cultura a ser conduzida na área para aproveitar ao máximo todo o efeito proporcionado pelas etapas de preparo de solo.

A OPERAÇÃO

Essas operações mais comumente utilizadas com a finalidade de realizar este preparo secundário são as gradagens com grades de discos ou grades de dentes. Também podem ser utilizados as enxadas rotativas e os cultivadores de campo.

EQUIPAMENTOS PARA ESSA OPERAÇÃO

GRADES

As grades, dotadas de discos(recortados ou lisos), equipamentos predominantes, caracterizados pela facilidade de manejo, regulagens e manutenção. Pensando no ponto de vista conservacionista deixam a desejar, devido aos efeitos de nivelamento e destorroamento da camada superficial acompanhada pela drástica redução dos níveis de cobertura do solo com resíduos.

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Fonte: Autor

CLASSIFICAÇÃO E ESPECIFICAÇÕES BÁSICAS DOS DIFERENTES TIPOS DE GRADES AGRÍCOLAS

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Fonte: Autor

ARADORAS E NIVELADORAS

ARADORAS

Destinado à preparação do solo, que realiza a aração e a gradagem numa mesma operação. As peças ativas da grade aradora são formadas por discos montados em eixos, que giram em ângulo, com a linha de tração. As grades possuem uma estrutura pesada, necessária à penetração dos discos no solo. As grades pesadas possuem mais de 130 kg de massa sobre cada disco e as intermediárias ou médias, de 50 a 130 kg.

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Fonte: Autor

NIVELADORAS

Objetiva destorroar, nivelar e adensar o solo. Recebe também denominação de grade leve por possuir massa inferior a 50 kg sobre cada disco de corte. Existem grades de simples e de dupla ação. As de simples ação são constituídas de dois conjuntos de discos dispostos lado a lado e as duplas quatro conjuntos, em forma de duas parelhas. As de dupla ação podem ser destorroadoras ou niveladoras. Nas destorroadoras os conjuntos de discos são dispostos em forma de “X” e nas niveladoras, de “V”.

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Fonte: Autor

ENXADAS ROTATIVAS

Acionados através da tomada de potência do trator, dispensando força de tração.

Podendo ser operadas com facilidade em condições desfavoráveis ao desenvolvimento de tração (solos de várzeas), assim como em condições normais das demais áreas agrícolas. Sua diversidade de regulagens possibilita obter diferentes distribuições do tamanho dos torrões em uma mesma condição de solo, permitindo adequar o leito de semeadura ás necessidades das culturas a serem implantadas.

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Fonte: Autor

CULTIVADORES

Equipamentos de hastes, mais leves e finas que o escarificador. Atua promovendo um menor destorroamento do solo do que as grades. Não muito eficientes no controle de plantas daninhas, porém incorporam menores percentagens da cobertura vegetal remanescente após o preparo primário, podendo até mesmo aumentar os níveis de cobertura do solo (desenterrando partes de plantas enterradas no preparo primário). Este equipamento ainda possui uma versão com caixa de adubo, onde realiza a deposição deste próximo ao “pé” da cultura permitindo assim melhor eficiência na absorção do nutriente (adubo) depositado.

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Fonte: Autor

Conclusões finais

Finalizando, operações de preparo do solo podem ser realizadas após a colheita ou até mesmo poucos dias antes da semeadura, sendo que os principais objetivos são os seguintes:

  1. Promover uma uniformidade da agregação do solo e consequentemente melhor formação de raízes da planta de cultivo;
  2. Expor raízes do solo para promover limpeza do terreno e ter uma maior uniformidade para plantio.
  3. Favorecer por meio de desagregação do solo e facilitar a penetração, infiltração e percolação da água de chuva;
  4. Eliminar e incorporar restos culturais e plantas daninhas para a limpeza da área (decompor matéria orgânica);
  5. Promover a germinação de sementes de plantas daninhas, e após emergidas,  eliminadas periodicamente através de máquinas ou herbicidas;
  6. Expor sementes de daminhas a intempéries na superfície do solo para que possam perder a viabilidade antes daquelas incorporadas ao solo ou semeadas em plantio;
  7. Destruir insetos-praga hibernantes, que passam a entressafra hospedados na resteva e nas plantas daninhas, aguardando a implantação de nova safra;
  8. Eliminar plantas hospedeiras e focos iniciais de microrganismos patogênicos, operação particularmente importante, caso tenha ocorrido doença/praga no cultivo anterior;
  9. Logo após a colheita, realizando a eliminação dos restos culturais e incorporação da palhada ao solo arado;
  10. Destorroamento do solo pós aração com grade de discos ou enxada rotativa;
  11. A rotativa, mais especificamente para a cultura de arroz, é passada para a formação de lama, e corrigir pequenos desníveis nos quadros e alisar a superfície do solo;

Dessa forma, conhecendo cada procedimento e os equipamentos adequados, devem ser então definidos e utilizados dentro de sua finalidade de operação, bem como levados em consideração: a área, o solo, e o microclima da região de cultivo. Todas essas operações de preparo de solo, se todos os pontos forem ponderados na definição das etapas de preparo, colaborarão para resultados significativos e assim obter bons índices de produtividade.

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