Conheça um pouco da história da raça Punganur

Conheça um pouco da história da raça Punganur

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Foto: Redes Sociais / José Otávio Lemos

Punganur é um Nelore em miniatura, estima-se que exista somente uma população de mais de 700 animais puros da raça ainda na Índia.

Por José Otávio Lemos 

Sim, no dia 2 de maio, durante a 85º ExpoZebu 2019, comemorando também os 100 anos da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu – ABCZ, serão registrados os primeiros animais da raça Punganur no Brasil. O núcleo inicial da raça chegou no Brasil no ano de 1962 trazidos pela Seleção VR. Nadudana, uma palavra da língua Hindi, que significa “pequeno gado”. São quatro raças indianas dentro dessa nomeclatura: Vechur, Malnad Gidda, Kasaragod e Punganur.

Todas as raças estão ameaçadas à extinção. Para se ter uma ideia, o Governo da Índia, através dos seus órgãos ligados à agropecuária, aponta uma população somente de 771 animais puros da raça Punganur.

Devido à raridade, muitas vezes, os animais das quatro raças são procurados como animais de zoológico, ou simplesmente curiosidades para crianças e adultos também.

Como todo zebuíno, apresentam o cupim típico da espécie. Têm várias cores, indo do preto (kapilla) ao branco e cinza, vermelho, amarelo, marrom e os manchados e pintados.

Interessante é que, normalmente, essas raças são lentas para amadurecerem, mas têm uma larga vida útil, de 18 a 21 anos.
Outra característica é a alta resistência à doenças, carrapatos e vermes. Também são pouco atacados por moscas por terem, entre todos os zebuínos, as maiores movimentações cutâneas.

Das quatro raças, sem dúvida, a que chama mais a atenção é a Punganur, um Ongole (Nelore) em miniatura.

Tive a honra de ser o único brasileiro a visitar, até a presente data, a fazenda experimental localizada em Palamaner (distrito de Chittoor, estado de Andhra Pradesh), sob orientação da Sri Venkateswara Veterinary University, com o maior rebanho de Punganur na Índia e tem ela o objetivo de preservação e melhoramento genético.

Essa raça foi desenvolvida pelos governantes da área de Punganur e daí o nome escolhido para nomeá-la; depois, em Vayalpad, Madnapalli e Palamaner. A pelagem do Punganur, tal como no Ongole (Nelore), varia desde o branco, cinza, vermelho, preto e o pintados de vermelho ou preto.

A raça, de estatura baixa, tem uma testa larga e chifres curtos (com algumas exceções, como no Ongole/Nelore). Os chifres são em forma de crescente, como estacas fincadas na fronte; e, muitas vezes, com curvatura para trás, para a frente, e laterais.

O Punganur é muito rústico, não necessita de alimentação exagerada, bem adaptado para absorção de nutrientes em feno. Os machos Punganur são muito utilizados para tração agrícola em solos leves, como também para transportes e esportes de corrida. As vacas são bem leiteiras, se observado o tamanho delas. Produção que varia de 3 a 8 litros/dia, contendo 8% de gordura e 10% de matéria seca. Existem marcas de até 12 litros/dia na Índia.

Na gashala (pequena fazenda) da família do Shri Kudala Surya Prakasa Rao, dirigida pela viúva Smt. Muktha Bai e descendentes do casal, uma excelente possibilidade de ver um rebanho formado por animais descendentes de uma vaca e uma novilha oriundas da Livestock Research Station de Palamaner em 1999. São 18 animais atualmente. Exemplo de que somente com dedicação se preserva uma raça. Visitei também a fazenda mantida pela ANKUSH, perto de Hyderabad, e pude ver por lá vários animais Punganur.

*O Zootecnista José Otávio Lemos, produtor rural, jurado e conselheiro técnico da ABCZ e diretor da JOL Empresa Múltipla Assessoria e Consultoria.

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Foto: Redes Sociais / José Otávio Lemos
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Foto: Redes Sociais / José Otávio Lemos
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Foto: Redes Sociais / José Otávio Lemos
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Foto: Redes Sociais / José Otávio Lemos

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