Consultora orienta sobre tendências do mercado de carnes

Consultora orienta sobre tendências do mercado de carnes

Consultora Lygia Pimentel
Consultora Lygia Pimentel / Foto: Tecnoshow Comigo

Durante palestra ministrada pela consultora Lygia Pimentel, na TECNOSHOW COMIGO, foram analisados os fatores que influenciaram a atual situação dos preços e as tendências para o futuro desse mercado

A consultora de mercado, Lygia Pimentel, apresentou durante a palestra Panorama da Pecuária de Corte para 2017, oito itens que o produtor precisa saber sobre planejamento estratégico, quantificação, tendências, diagnósticos e soluções para o mercado.

Lygia explicou que a crise econômica registrada nos últimos anos ocasionou um efeito em cadeia no consumo da carne bovina entre os brasileiros, chegando a mínimas históricas em 2015 e 2016, quando os números registraram valores de quinze anos atrás. A crise da economia por dois anos consecutivos, conforme relatou, influenciou na queda do PIB brasileiro superior a 3%, que derrubou a renda per capita do brasileiro em quase 10% e que, somada à inflação e ao alto nível de desemprego, fizeram o poder de compra voltar a níveis de 2003. “A demanda de carne é elástica e varia conforme a renda. O brasileiro prefere comer carne todo dia, mas se ele não puder, ele ainda vai sobreviver, então acaba cortando o consumo e trocando por carnes mais baratas como frangos e suínos”, analisou.

Seguindo seu raciocínio, a consultora enfatizou que o consumo retraído refletiu sobre a indústria, fazendo com que muitos frigoríficos tomassem prejuízos e fechassem algumas plantas. “Somou-se a isso a queda do mercado exportador, entre 2014 e 2016, com redução de 9,3%. Foram realizadas algumas mudanças saudáveis, mas com casos negativos influenciados pela política mundial, como a crise do petróleo na Rússia, que fez com que aquele país diminuísse a importação de carne brasileira. Foram clientes grandes com problemas grandes, trazendo interferência no volume exportado”, reforçou.

A consultora lembra que, nesse cenário, ainda surgiu um fator novo, registrado com a Operação Carne Fraca da Polícia Federal, que fez com que vários mercados respondessem negativamente à carne brasileira. “Apesar dos embargos durarem apenas uma semana, em média, o ritmo da retomada das negociações está sendo lento”, ponderou.

Maior rebanho no pasto

Diante da redução do apetite do consumidor e da indústria, sobrou rebanho no pasto. De acordo com Lygia, a evolução do abate de bovinos caiu 17,1% sobre o volume de animais entre 2014 e 2016, fazendo com que o estoque de animais aumentasse para 7 milhões de cabeças, sendo dois milhões de machos em idade de abate. “E aí o ciclo pecuário virou, já que nos últimos três anos todos trabalharam para aumentar a capacidade produtiva. Com isso a desvalorização do bezerro chegou a 17%, valor acima da desvalorização do boi gordo. Com isso, o mercado já percebe a desvalorização da arroba do boi gordo no último ano. Não está sendo bom para o pecuarista, nem para o frigorífico, já que não houve a contrapartida na troca do ciclo”, reforçou.

Diante do cenário complexo, a especialista ainda alerta para a chegada da cobrança do Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural) – que dominou os debates na TECNOSHOW COMIGO, sobretudo na solenidade de abertura da feira – uma vez que a cobrança pode trazer prejuízos inestimáveis para os produtores.

Pensar na frente

Lygia, no entanto, acredita em oportunidades a longo prazo. “Se a gente analisar estrategicamente, tudo isso traz uma oportunidade para o produtor. Com o advento tecnológico e aumento da produtividade, não interessa quantas cabeças o produtor tem, mas quantas arrobas ele produz. O aumento do consumo virá do aumento da disponibilidade”, informou. “Além disso, o pecuarista tem que ficar de olho na evolução do preço do milho, que vem caindo e é um momento excelente para ele comprar”, ressalta.

Ainda segundo a especialista, como os preços tem afetado as pessoas na atividade no primeiro giro de 2017, isso deve prejudicar a disponibilidade do boi, trazendo oportunidades para preços no segundo giro. “As fases ruins chegam para o pecuarista melhorar, investir em tecnologia, não para desistir. Mais ainda, ele precisa proteger o seu investimento e, se houver margem, travá-la. É preciso fazer gestão de riscos e fazer seguros”, salienta. No entanto, ela ainda alerta para a necessidade de acompanhar os desdobramentos do mercado, com as consequências da Operação Carne Fraca e o Funrural, que podem alterar o panorama do mercado pecuário nos próximos meses.

FICHA TÉCNICA
16ª edição da TECNOSHOW COMIGO
Data: 3 a 7 de abril de 2017 (segunda a sexta-feira)
Local: Centro Tecnológico COMIGO (CTC) – Rio Verde – GO (Anel Viário Paulo Campos, Km 7, Zona Rural)
Horário: 8 às 18 horas