Contrato com mais de 10 mil bovinos vira caso de polícia após disputa por animais no Pará

Parceria de recria firmada em Cumaru do Norte terminou em disputa judicial e ocorrência na Deleagro; documentos apontam saldo reivindicado de 2.724 animais.

Uma parceria pecuária envolvendo 10.598 bovinos em Cumaru do Norte, no sul do Pará, chegou à Polícia Civil após um dos participantes alegar que animais vinculados ao contrato estariam sendo encaminhados para abate sem sua autorização. O caso foi registrado em 22 de setembro na Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Rurais, Roubo e Furto de Gado (Deleagro), em Xinguara.

Segundo o boletim, a documentação apresentada pelo comunicante registra 7.874 saídas de animais ao longo da parceria. A petição judicial usada na denúncia aponta um saldo de 2.724 bovinos, cuja restituição é reivindicada. As alegações ainda dependem da apuração policial e da análise da Justiça. Continue a leitura e acompanhe o Compre Rural, onde informação de qualidade ajuda a fortalecer quem vive e produz no campo.

Parceria começou em 2023

O contrato de parceria rural foi firmado em 7 de dezembro de 2023 e tinha como objeto a recria de bovinos na Fazenda Rancho Santa Cecília I. Conforme os documentos apresentados à polícia, os animais seriam identificados pela marca “AS” na anca direita.

O anexo contratual citado no boletim consolidou a entrada de 10.598 cabeças, com peso médio inicial de 240 quilos por animal. Após o encerramento da relação contratual, o comunicante afirma ter solicitado informações e a restituição do rebanho remanescente.

A disputa também chegou à esfera judicial. O boletim registra uma ação de execução de título extrajudicial distribuída em 29 de junho de 2026, na 1ª Vara Cível e Empresarial de Redenção, com valor da causa informado em R$ 13,3 milhões.

Polícia encontrou animais com a marca investigada em frigorífico

A apuração ganhou força em setembro. Um documento comercial apresentado à polícia previa o embarque de 162 bois para o Frigorífico Mercúrio, em Xinguara, com abate programado para 21 de setembro. Outro registro indicava mais 108 animais, com embarque previsto para o dia 23.

No dia 21, uma equipe da Deleagro foi ao frigorífico para verificar os bovinos que aguardavam abate. Segundo o relatório oficial da diligência, havia animais nos currais 10, 11 e 12, e a inspeção constatou a presença da marca que havia sido indicada pela autoridade policial para averiguação. Uma cópia da Guia de Trânsito Animal (GTA) também foi entregue aos investigadores.

O documento policial, porém, não informa a quantidade exata de bovinos encontrada nesses três currais e tampouco determina, por si só, a propriedade definitiva dos animais. Ele registra a identificação física da marca e os elementos apresentados pelo denunciante.

A movimentação de bovinos por meio da GTA é um ponto relevante em investigações desse tipo. Em outro caso, sem relação com a ocorrência paraense, a Agrodefesa de Goiás abriu procedimento para apurar suspeitas de uso irregular de Guias de Trânsito Animal no transporte de gado.

Caso ainda depende de investigação e decisão judicial

Reportagens publicadas pelo Zé Dudu e pelo jornal A Notícia também relatam uma ação envolvendo 217 bovinos em Santana do Araguaia. Esse número, contudo, não consta no boletim de ocorrência nem no relatório de missão policial disponibilizados publicamente e, por isso, deve permanecer atribuído aos veículos que divulgaram a informação.

Até o momento, os documentos examinados mostram a existência de uma disputa contratual, uma ocorrência policial, diligências da Deleagro e uma ação judicial. Eles não autorizam concluir antecipadamente que houve crime ou atribuir responsabilidade definitiva a qualquer uma das partes.

Para produtores que trabalham com parceria pecuária, o episódio também evidencia a importância de manter registros consistentes de entrada e saída de animais, GTAs, notas fiscais, identificação individual ou por marca e autorizações de comercialização. Em contratos com milhares de cabeças, divergências de controle podem representar valores elevados e resultar em disputas prolongadas.

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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