Cosan fecha venda de fazendas por R$ 1,85 bilhão após disputa entre gigantes do agro; veja quem ficou com cada área

Acordo encerra semanas de disputa pelo direito de preferência sobre mais de 41 mil hectares em Mato Grosso e divide as áreas entre SLC Agrícola, Grupo Bom Futuro e o produtor Alexandre Jacques Bottan.

A disputa envolvendo uma das áreas agrícolas mais valiosas de Mato Grosso chegou ao fim. A Cosan anunciou a conclusão da reorganização da venda de aproximadamente 41,2 mil hectares de terras pertencentes à Radar, empresa especializada em propriedades rurais controlada pela Cosan em parceria com a gestora americana Nuveen. O negócio movimenta R$ 1,85 bilhão e coloca um ponto final em um impasse que envolvia dois dos maiores grupos agrícolas do país.

Depois de semanas de negociações e do exercício simultâneo do direito de preferência por diferentes arrendatários, a solução encontrada foi dividir os ativos entre SLC Agrícola, Grupo Bom Futuro e o produtor rural Alexandre Jacques Bottan. A nova estrutura preserva o valor originalmente anunciado da operação e atende aos interesses das partes envolvidas.

As propriedades ficam em Mato Grosso e somam 41.214 hectares físicos, dos quais aproximadamente 28 mil hectares são agricultáveis, utilizados principalmente para o cultivo de soja, milho e algodão.

Segundo a Cosan, a alienação corresponde a cerca de 12% do portfólio da Radar e faz parte da estratégia de desinvestimentos da holding para reduzir sua alavancagem financeira. A participação indireta da Cosan na operação representa cerca de R$ 586 milhões, considerando sua fatia de 30% na Radar.

Cosan fecha venda de fazendas por R$ 1,85 bilhão após disputa entre gigantes do agro; veja quem ficou com cada área

O acordo distribuiu os ativos entre os antigos arrendatários.

A SLC Agrícola ficará com 8,9 mil hectares agricultáveis, desembolsando R$ 669 milhões. Além da aquisição, continuará operando outros 8,7 mil hectares por meio de contratos de arrendamento já existentes, garantindo continuidade operacional em áreas que já faziam parte de sua estratégia produtiva.

O Grupo Bom Futuro, por sua vez, adquiriu aproximadamente 18,7 mil hectares, ampliando sua presença em Mato Grosso, estado onde atua há mais de quatro décadas. O grupo não divulgou o valor desembolsado pela aquisição.

Já o produtor Alexandre Jacques Bottan também passou a integrar a composição dos compradores, ficando com outra parcela da área negociada. Parte dessas terras continuará sendo explorada pela SLC por meio de um novo contrato de arrendamento de longo prazo.

O impasse que travou o negócio

A negociação ganhou repercussão nas últimas semanas porque tanto a SLC Agrícola quanto o Grupo Bom Futuroalegaram possuir direito contratual de preferência sobre as mesmas áreas, já que ambas operavam parte das fazendas por meio de contratos de arrendamento.

Inicialmente, a Bom Futuro havia anunciado a compra integral do bloco. Dias depois, a SLC informou ao mercado que exerceria seu direito para adquirir toda a área, iniciando uma disputa jurídica e comercial entre os interessados.

Após negociações, as empresas chegaram a uma solução consensual que dividiu os ativos, encerrando um dos maiores embates envolvendo terras agrícolas no Brasil neste ano.

Estratégia da SLC prioriza áreas já conhecidas

Para a SLC Agrícola, o acordo mantém sua estratégia de crescimento com menor risco operacional.

Como a empresa já cultivava essas propriedades, a aquisição reduz incertezas relacionadas à adaptação das áreas e aproveita toda a infraestrutura existente, incluindo silos, algodoeira e demais benfeitorias.

Em comunicado ao mercado, o diretor financeiro e de Relações com Investidores da companhia, Ivo Brum, afirmou que a operação está alinhada à estratégia de crescimento disciplinado da empresa, destacando que a aquisição envolve uma área já integrada às operações da SLC, com infraestrutura instalada e elevada previsibilidade operacional.

Mercado recebeu mudança de forma positiva

Embora o custo por hectare adquirido tenha aumentado em relação ao desenho original da operação, o mercado interpretou positivamente a redução do desembolso financeiro da SLC.

No formato inicialmente proposto, a companhia desembolsaria R$ 1,85 bilhão para adquirir praticamente toda a área agricultável. Com a nova configuração, o investimento caiu para R$ 669 milhões, diminuindo a pressão sobre caixa e sobre o nível de endividamento da empresa. Analistas destacaram que o novo desenho reduz riscos financeiros, mesmo mantendo um custo mais elevado por hectare adquirido.

Venda faz parte do plano de desalavancagem da Cosan

Para a Cosan, a operação representa mais um passo importante na reorganização financeira da holding.

A companhia vem promovendo uma série de desinvestimentos para reduzir uma dívida estimada em R$ 11,5 bilhões. No mesmo período da conclusão do negócio, a empresa também enfrentou um rebaixamento de sua nota de crédito pela agência S&P Global Ratings, que citou a necessidade de continuidade na venda de ativos para fortalecer sua estrutura financeira.

O que a operação representa para o agro

Além do impacto financeiro para a Cosan, a transação evidencia um movimento que tem ganhado força no agronegócio brasileiro: a valorização das terras agrícolas de alta produtividade e a preferência por ativos já estruturados, com logística consolidada e histórico operacional.

Para empresas como SLC Agrícola e Bom Futuro, adquirir áreas onde já atuavam reduz riscos de implantação, melhora a eficiência operacional e fortalece estratégias de expansão em um dos estados mais relevantes para a produção nacional de grãos.

Com isso, a operação passa a ser uma das maiores negociações de terras agrícolas registradas no Brasil em 2026, encerrando uma disputa que movimentou o mercado desde o anúncio inicial da venda das fazendas da Radar.

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