Crédito Rural: confira as dicas para uma boa gestão

Falta de controle eficiente das finanças pode afetar a rentabilidade e até a sobrevivência do negócio; saiba o que fazer para não sair do orçamento.

Por Fernanda Custódio, de São Paulo

Tomar crédito rural ou usar recurso próprio? Como saber o momento certo e o volume de crédito para adquirir produtos? Para ajudar a acabar com as dúvidas do produtor rural sobre a gestão financeira da propriedade, o programa Economia 360 fez uma live com especialistas nesta segunda-feira, 3, reunindo um time de especialistas em crédito rural.

Grande parte da população do Brasil enfrenta dificuldades ao lidar com o dinheiro que tem disponível: uma pesquisa da Serasa Experian mostrou que, no ano passado, nada menos do que 48% dos brasileiros não controlavam o orçamento e estavam inadimplentes.

Mesmo entre os 52% restantes, pouco mais de dois terços controlavam os gastos conforme o planejamento. Nesse contexto, uma indicação fundamental do gerente de complexo Agro do Santander Brasil, Olavo Monteiro Neto, é separar as finanças pessoais das finanças da lavoura.

Precisamos entender o quanto entra de dinheiro e o quanto é gasto. É preciso falar de dinheiro também – o fluxo de caixa não deve ser um tabu. E precisamos estabelecer metas de curto, médio e longo prazo e ainda listar despesas”, indica Monteiro Neto.

Segundo ele, um custo pode ser classificado como essencial, não essencial ou como desperdício. O especialista afirma que os não essenciais, como, por exemplo, gastos em restaurantes ou internet mais rápida, precisam ser revistos. Além disso, é preciso avaliar a situação financeira como deficitária, neutra ou superavitária.

O modelo deficitário ocorre quando os gastos superam os ganhos. “Nesse modelo, é preciso priorizar o pagamento de dívidas mais caras e, se houver necessidade, sentar com o banco credor e renegociá-las”, diz o representante do Santander. Na situação de neutralidade, há um equilíbrio, porém, a pessoa não consegue fazer uma reserva para os momentos de crise, como a atual, por exemplo.

Já no modelo superavitário, o indivíduo recebe mais do que gasta, e, com isso, consegue fazer reservas. Monteiro Neto reforça a importância de reservas de liquidez, de projetos e de aposentadoria. “A reserva de liquidez ajuda naquela conta que não estava no cronograma, já a de projetos contribui para a compra de um carro, apartamento ou até mesmo uma fazenda e a de aposentadoria irá ajudar no futuro”, completa.

O economista e consultor em gestão de propriedade rural Rogério de Melo Bastos estima que, na área rural, cerca de 90% dos produtores desconsideram o uso de ferramentas de gestão.

O especialista dá três dicas de apoios importantes para ajudar a identificar a solidez do negócio:

  • Balanço patrimonial: essa análise irá apontar os índices de liquidez e de capacidade de pagamento;
  • Fluxo de caixa: fazer a projeção de gastos fixos e variáveis e das receitas em um período de 12 meses vai ajudar na identificação da necessidade de capital de giro;
  • Demonstrativo de Resultado do Exercício (DRE) : irá ajudar na visualização do quanto os custos fixos e variáveis afetam o negócio.

“Devido à estrutura patrimonial, os produtores têm condições de absorver uma tomada de crédito elevada, pelo valor patrimonial que pode ser dado como garantia. Por isso, é preciso ter cuidado e o crédito deve ser algo para alavancar o negócio, dar oportunidade de crescimento. Os agricultores precisam se apropriar minimamente da ciência econômica”, aponta Bastos.

Alavancagem

O economista-chefe da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Antônio da Luz, reforça que a falta de uma gestão financeira eficiente pode levar a decisões equivocadas e, consequentemente, impactar a rentabilidade e até mesmo a sobrevivência do negócio. “Crédito rural é como medicamento: na dose equivocada, ao invés de fazer bem, começa a fazer mal para o
negócio”, afirma.

O economista reitera a importância da alavancagem operacional. A alavancagem é o quanto a pessoa toma de capital de terceiros para cobrir as despesas anuais.

“Se você negociar 70% desse valor com recursos de terceiros, eu diria que você está no limite da alavancagem operacional. Já num segundo cenário, temos uma alavancagem de 90% e taxa de capital próprio de 10% dentro do negócio; dessa forma, o produtor assume o risco inteiro, por isso temos tanto endividamento no setor”, diz o especialista.

Antônio da Luz também alerta que a redução da alavancagem para algo entre 45% e 50% ainda permite a aquisição de crédito rural, a participação do sistema financeiro no negócio, só que com pagamento de taxas de juros menores. “Para crescer o negócio, aumentar a área plantada, é preciso de níveis de alavancagem saudáveis”, pondera o economista.

Fonte: Canal Rural

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