A mudança na Alico, também implica na demissão de 172 funcionários. Nos últimos dez anos, a Alico sofreu uma queda de 73% na produção de cítricos, mesmo com investimentos em terras e tratamentos contra o greening.
A Alico, uma das maiores produtoras de frutas cítricas dos Estados Unidos, anunciou o fim de suas operações na área de citricultura. Com sede na Flórida e mais de um século de história, a empresa revelou que a decisão foi motivada por desafios ambientais e econômicos, incluindo a doença do greening cítrico e os impactos devastadores de furacões recentes. A empresa irá focar em desenvolvimento imobiliário e diversificação no uso de suas terras, marcando uma transformação estratégica.
Nos últimos dez anos, a Alico sofreu uma queda de 73% na produção de cítricos, mesmo com investimentos em terras e tratamentos contra o greening. A situação foi agravada pelos furacões Irma (2017), Ian (2022) e Milton (2024), que destruíram grande parte das árvores já enfraquecidas. O furacão Ian, sozinho, derrubou metade das plantações da companhia.
John Kiernan, presidente e CEO da Alico, afirmou que a produção de laranjas na Flórida se tornou economicamente inviável. Ele destacou que a empresa está relutante, mas determinada a se adaptar às novas realidades.
Greening: uma ameaça global à citricultura
O greening, também conhecido como Huanglongbing (HLB), é uma doença bacteriana sem cura que afeta plantas cítricas, causando queda prematura de frutos, redução no tamanho e qualidade das laranjas, além de crescimento desigual dos ramos.Transmitida pelo inseto psilídeo (Diaphorina citri), a doença tem se espalhado rapidamente, comprometendo a produção em diversos países.
Situação no Brasil
No Brasil, maior produtor mundial de laranjas, o greening tem avançado de forma alarmante.Em 2023, a incidência da doença no cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo/Sudoeste Mineiro aumentou para 38%, um crescimento de 56% em relação ao ano anterior, afetando aproximadamente 77 milhões de árvores.
Estudos indicam que, mantido esse ritmo de infestação, a produção brasileira pode sofrer uma redução de 25% nos próximos dez anos, mesmo sob condições climáticas favoráveis.
Reestruturação e foco no mercado imobiliário
A Alico possui cerca de 21,6 mil hectares de terras na Flórida, além de direitos de exploração de petróleo, gás e minerais. No futuro, a companhia espera que 75% dessas áreas permaneçam voltadas para a agricultura, enquanto 25% serão destinadas ao desenvolvimento comercial e residencial.
A mudança também implica na demissão de 172 funcionários. A empresa, no entanto, garantiu apoio durante a transição e a contratação de terceiros para manter a produção residual até 2026. A expectativa é que a reestruturação melhore os retornos aos acionistas e estabilize o futuro da empresa.
Dados financeiros e perspectivas
Apesar das dificuldades, a Alico registrou um faturamento de US$ 930 milhões no ano fiscal de 2024, com um lucro líquido de US$ 7 milhões, impulsionado pela venda de terras e indenizações de seguros. A produção de laranjas da empresa no mesmo período alcançou 3,1 milhões de caixas, um aumento de 14,7% em relação ao ano anterior.
A valorização das terras da Alico é um dos pilares da nova estratégia. A estimativa é que suas propriedades estejam avaliadas entre US$ 650 milhões e US$ 750 milhões, sendo a maior parte destinada à agricultura.
Um novo capítulo para a Alico
Fundada no início do século XX como Atlantic Land and Improvement Company, a Alico foi pioneira no setor agrícola dos EUA. Apesar do encerramento da produção de cítricos, a empresa continuará desempenhando um papel significativo na agricultura da Flórida por meio de operações diversificadas.
A transição marca o fim de uma era e o início de um novo capítulo, onde a administração responsável das terras e o desenvolvimento sustentável prometem manter o legado da Alico por décadas. Segundo Kiernan, a decisão é essencial para garantir a estabilidade financeira da empresa e abrir caminhos para novas oportunidades.
“Estamos comprometidos em criar um futuro próspero, mantendo nossas raízes na agricultura e explorando plenamente o potencial de nossas terras,” concluiu o CEO.
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