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A pecuária brasileira tem passado os últimos meses em meio a desgastes que estão levando o setor a um “caminho sem volta”

Thiago Pereira

Inúmeros foram os artigos e matérias veiculadas no inicio do ano em relação as perspectivas do agronegócio para esse ano. Todas elas vieram cheias de esperança e credibilidade em uma economia aquecida. Pois bem, o que encontramos é o inverso.

O rebanho brasileiro passou de 145 milhões, em 1990, para 218 milhões em 2017. Além disso, tivemos uma redução no tamanho da área de pasto, no mesmo período, de 188 milhões de hectares, para menos de 167 milhões. Toda essa mudança foi significativa para a produtividade do setor.

Durante anos foi cedida a agricultura as terras mais férteis, já que o valor gerado por unidade de área era maior, cabendo a pecuária sobreviver com o que restava. Entretanto, esse cenário mudou com a modernização da pecuária de corte e de leite.

O empresario rural percebeu que era preciso ver a suas terras como um negócio. Com isso, o setor passou a se tornar lucrativo e com grande potencial.

Infelizmente, assim como tudo no Brasil, a “política” acabou tomando conta do setor. O que isso significa? Vamos nos atentar a alguns fatos:

Primeiro surgiu a “carne fraca”, escândalo da corrupção da fiscalização sanitária que levou o Brasil a ser desacreditado no mercado externo, ser motivo de piada no mercado interno e com isso abalar um setor em pleno crescimento.

Depois veio a “questão JBS/Temer”, que fez com que a maior indústria reduzisse drasticamente os abates. Causando um aumento da oferta e consequentemente uma queda no valor da @.

Como se não bastasse, o setor leiteiro viu o seu investimento em tecnologia, importação de genética, bem-estar animal e aumento de produção ir pelo ralo com o preço pago ao produtor, aumento no preço dos insumos e as políticas governamentais importando cada vez mais leite.

Aliado a tudo isso, o país enfrentou uma irregularidade nas chuvas, piores em algumas regiões, porém com uma abrangência nacional.

Para finalizar, a mudança na taxação do petróleo, para cobrir o rombo causado pela fraude na Petrobrás, elevou os custos do transporte.

“O pecuarista deveria produzir apenas para o seu consumo, dessa forma o governo iria ver o seu valor para o país”

Quando analisamos as perdas que o pecuarista enfrentou por conta desses fatores, temos uma lista de tirar o sono:

  1. Perda da produtividade, por falta de investimento e credibilidade do setor;
  2. Perda na seleção genética, com o grande número de matrizes abatidas para tentar manter a margem de lucro do pecuarista;
  3. Queda no volume da captação de leite, devido a saída do pecuarista da atividade por causa do preço pago ao produtor;
  4. Redução na compra de insumos, causada pelo alto custo que esses produtos alcançaram;
  5. Aumento das pastagens degradadas, devido ao baixo lucro do produtor e o aumento do preço dos fertilizantes e sementes;
  6. Redução das exportações com o descredito do Brasil no mercado externo.

A foto desse artigo retrata de forma clara a situação da pecuária brasileira. Infelizmente o pecuarista acreditou em um ano diferente para o setor, mas janeiro acabou e o carnaval já passou e a situação que encontramos é de um mercado instável e de poucas perspectivas de melhoras.

O ano já é de grandes “distrações” com as eleições, copa do mundo e crises na saúde. Deixo então uma frase que retrata como o pecuarista precisa se ver:

” O que você tem, todo mundo pode ter, mas o que você é…ninguém pode ser”.

 

 

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