
O Brasil intensificou a medição de metano em bovinos de corte com novas metodologias de campo e laboratórios dedicados, e já apresenta resultados promissores de redução de emissões
Como maior exportador de carne bovina, o país é cobrado a alinhar competitividade com descarbonização, especialmente diante da alta contribuição do CH₄ entérico no balanço de gases da pecuária. Estimativas consolidadas indicam que bovinos podem emitir dezenas de quilos de metano por animal ao ano, o que torna a eficiência zootécnica e o manejo fundamentais para mitigar o impacto.
- CH₄ entérico é o metano que se forma no estômago dos ruminantes durante a digestão e sai principalmente nos arrotos dos animais. A maior parte do metano sai na forma de eructação, ou seja, pelos arrotos; uma pequena parte pode sair por gases intestinais.
A quantificação precisa do CH₄ entérico permite comparar sistemas produtivos, validar aditivos e metas de manejo e orientar políticas de mitigação, inclusive metas setoriais de corte de metano até 2030. Sem medir, não há como verificar ganhos de eficiência nem reportar reduções com credibilidade a mercados e iniciativas climáticas.
Pesquisas recentes na Embrapa Gado de Corte e Instituto de Zootecnia de Sertãozinho (IZ) avançaram para medições contínuas na terminação, com cangas, tubos nas narinas e captura das eructações por 24 horas ao longo de cinco dias, seguidas de cromatografia para quantificação de CH₄.

Os protocolos combinam múltiplas metodologias para estimar a produção diária de gás por animal dentro de diferentes sistemas de baixa emissão de carbono no Cerrado. A infraestrutura analítica é cara e de alta especialização, mas eleva a confiabilidade das estimativas em condições reais de produção.
Foi lançada ferramenta nacional para estimar e orientar práticas de redução de metano em sistemas pecuários, integrando avaliação de manejo de resíduos e metas de mitigação em linha com compromissos até 2030. Paralelamente, plataformas técnicas (como as ligadas a modelos de desempenho) vêm sendo usadas para simular cenários de ganho médio diário e implicações em emissões por arroba produzida.
Estudos comparando níveis tecnológicos em recria e terminação mostram forte queda de CH₄ por quilo de ganho: terminação com confinamento após recria suplementada reduziu 57,2% as emissões por ganho corporal e encurtou o ciclo de terminação em 94 dias frente a sistemas a pasto com menor tecnologia. A aceleração do ganho (por exemplo, de 0,3 kg/dia para 1,3 kg/dia) pode reduzir em torno de dois terços o metano por arroba, associando eficiência produtiva a menor intensidade de emissões. Pesquisas em sistemas intensivos de baixa emissão no Cerrado já operam com medição direta do CH₄ em fase de terminação, o que ajuda a calibrar essas estimativas em condições brasileiras.

A intensificação com manejo de pasto, suplementação e terminação mais curta tende a reduzir a intensidade de emissões, além de melhorar o retorno econômico. O monitoramento de oferta de forragem com satélites e modelos como o SAFER também apoia decisões de manejo que estabilizam desempenho e, indiretamente, a intensidade de metano por unidade de produto. Esses instrumentos viabilizam ajustes finos de lotação e oferta de matéria verde, críticos para ganhos consistentes e menores emissões relativas.
Apesar dos avanços, dados nacionais mostram pressão crescente das emissões de metano no agregado recente, reforçando a urgência de escalar práticas e tecnologias validadas em larga escala comercial. A expansão de medições diretas, padronização metodológica e integração com ferramentas de gestão e de política pública serão determinantes para converter pilotos e estudos em reduções setoriais mensuráveis até 2030.
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