Preços do milho em Sorriso seguem acima da paridade de exportação, refletindo a força da demanda das usinas de etanol e uma nova dinâmica no mercado.
Os preços do milho em Mato Grosso estão passando por uma transformação que pode redesenhar a formação de valor do cereal no principal estado produtor do país. Segundo análise da DATAGRO, as cotações em Sorriso vêm se mantendo acima da paridade com o porto de Paranaguá (PR), já descontado o frete, um comportamento que rompe com a lógica predominante durante anos em um mercado fortemente voltado às exportações.
A mudança, observada de forma consistente desde o início de 2024, evidencia o fortalecimento do mercado interno, impulsionado principalmente pela expansão das usinas de etanol de milho no estado. Na avaliação da consultoria, o crescimento da indústria vem reduzindo a dependência do setor em relação às exportações como principal referência para a precificação do grão.
Demanda regional ganha força
Durante muitos anos, o produtor mato-grossense tinha como principal parâmetro os preços praticados nos portos exportadores. O valor recebido no interior era calculado a partir da cotação em Paranaguá, descontando os custos logísticos até o terminal.
Esse cenário começou a mudar com os investimentos na indústria de etanol de milho. O aumento da capacidade de processamento fez com que parte cada vez maior da produção permanecesse no estado, elevando a concorrência entre compradores e sustentando preços mais altos nas regiões produtoras.
Na visão da DATAGRO, o avanço dos embarques pelos portos do Arco Norte também contribuiu para essa mudança, ao diversificar as alternativas de escoamento da produção e reduzir a concentração logística voltada ao Sul do país.
Mercado internacional também impulsiona as cotações
Além da demanda doméstica, o mercado internacional trouxe novos fatores de sustentação para os preços nesta semana.
Os contratos futuros de soja, milho e trigo negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) encerraram a segunda-feira em forte alta. A soja avançou 4,5%, enquanto o milho registrou valorização de 3,7% e o trigo subiu 2,6%.
Segundo a DATAGRO, o movimento foi impulsionado pelas preocupações com o clima nos Estados Unidos, especialmente com a possibilidade de seca atingir áreas do oeste do Corn Belt durante o desenvolvimento da safra 2026/27. Também contribuíram as expectativas de uma demanda mais aquecida da China pelos grãos norte-americanos, cenário que reforçou o apetite dos investidores nos mercados futuros.
Indústria amplia importância para o produtor
O crescimento da produção de etanol de milho vem consolidando uma nova alternativa de comercialização para os agricultores mato-grossenses. Com maior número de compradores instalados próximos às regiões produtoras, parte dos custos com transporte pode ser reduzida e os produtores passam a depender menos das oscilações do mercado exportador.
Esse processo também fortalece a agregação de valor dentro do próprio estado, já que o milho deixa de ser destinado apenas à exportação e passa a abastecer uma cadeia industrial que produz etanol, DDG (grão seco de destilaria utilizado na alimentação animal) e óleo de milho.
Para a DATAGRO, a combinação entre expansão industrial, maior demanda regional e novas rotas logísticas indica que essa mudança na formação dos preços tende a permanecer nos próximos anos, consolidando uma nova dinâmica para o mercado brasileiro de milho.
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ℹ️ Conteúdo publicado por Myllena Seifarth sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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