De vilã à mocinha: A irrigação sustentável e seus mitos

De vilã à mocinha: A irrigação sustentável e seus mitos

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Foto Divulgação.

Entenda os benefícios da irrigação sustentável e como ela é benéfica durante o racionamento de água

Em meio a uma crise com a falta de água que a cidade de São Paulo vem apresentando em sistemas de reservatórios que distribuem água para os moradores do município, após a escassez de um dos elementos mais importantes e necessários para a sobrevivência humana, diversos agricultores procuram meios de economizar sua principal matéria prima.

Quando pensamos em cultivo, é comum lembrarmos da utilização de irrigadores em áreas rurais, mas além da tecnologia que o equipamento pode oferecer, existe o mito de que o método de irrigação é sinônimo de desperdício de água.

Para o Coordenador Geral de Desenvolvimento de Instrumentos de Política de Irrigação do MI, Cristiano Zinato, a agricultura irrigada sempre foi vista como vilã entre os usuários de água, porém, graças aos Planos de Agricultura Irrigada que existe em diversos estados, isso está mudando e gerando uma maior aproximação da área ambiental com a de produção agrícola.

As irrigações aliadas à tecnologia moderna e processos de conservação da água tendem a não causar danos à produção agrícola e ainda proporciona redução de custos. O principal produto, coligado contra o racionamento, são aqueles constituídos de um evaporímetro e um pluviômetro. Estes aparelhos são capazes de determinar com precisão a necessidade de irrigação e a quantidade de água ideal a cada lavoura, sua inovação consiste na fácil utilização, uma vez que não requer operações matemáticas, como outros dispositivos com a mesma função.

Segundo estudos feitos por Luis Henrique Bassoi, coordenador da Rede AgroHidro e pesquisador da Embrapa Cerrados, cada vez mais agricultores investem na melhoria da irrigação no plantio, além de acabar com os possíveis desperdícios relacionados a esse procedimento. Ainda para Bassoi, a economia de água na irrigação pode chegar a 30%, dependendo do sistema de produção usado, que por sua vez depende do solo, clima, técnicas de cultivo e da espécie cultivada.

No caso da região Centro-Oeste brasileira, há diversas áreas de irrigação para grande escala que são eficientes na quantidade de água demandada. “Em outras regiões, existem métodos mais eficientes, como o gotejamento, indicado para culturas perenes como café e frutíferas”, completa. Ainda segundo o professor, a irrigação no Brasil deve atingir 100 milhões de hectares até 2020. O governo tem mostrado interesse – e preocupação – com a agricultura irrigada. Em 2011, criou a Secretaria Nacional de Irrigação e em novembro de 2012 o Ministério da Integração Nacional lançou o Mais Irrigação. O programa prevê investimentos de R$ 10 bilhões para aumentar a eficiência das áreas irrigáveis, além de incentivar a criação de polos de desenvolvimento.

Um bom exemplo de empresa que é adepta da irrigação sustentável e vem colhendo bons frutos desse hábito é a Fibria. Líder Mundial na produção de celulose de eucalipto a marca conta com base florestal de 970 mil hectares, dos quais 343 mil são destinados à conservação ambiental.

A empresa tem duas unidades de produção de mudas, uma delas inaugurada em fevereiro em Nova Viçosa, na Bahia e ainda conta com um sistema de reaproveitamento de água pluvial na irrigação, a água da chuva acumulada nos 82 mil metros quadrados de cobertura do viveiro é canalizada para um reservatório e utilizada para irrigar as mudas.

O efluente da irrigação, juntamente com a água da chuva das áreas não cobertas, é utilizado para irrigar plantios de eucalipto situados nas imediações do viveiro. “O projeto prevê uma redução anual de 70% do consumo de água, o que, em valores, significa ganho de R$ 4 milhões e os investimentos totalizaram R$ 40 milhões”, afirma Rodrigo Zagonel, gerente de Silvicultura e Viveiro da Fibria.

Para a engenheira civil e diretora da AcquaBrasilis, Sibylle Muller, há benefícios econômico-financeiros e também ambientais no reuso dessas águas, “O reuso de água permite a substituição de volumes de água potável por água não potável (água cinza tratada ou água de chuva tratada, por exemplo), permitindo a preservação de recursos hídricos naturais para uso em fins mais nobres, onde seja necessária a água potável, como para consumo humano. A redução do consumo de água potável oferecida pelas concessionárias permite a redução do valor da conta de água, resultando em economia direta para os usuários”, explica.

Por fim, a engenheira ainda destaca que o reuso de água é importante não apenas pelo fim do desperdiço na irrigação, mas também para uma economia para as empresas, que chegam a uma média de 50% a partir do reuso de água e claro, pelo fato de a plantação não sofrer com as secas que o país pode enfrentar, já que com os sistemas de irrigação sustentável, sempre haverá um reservatório de água pronto para ser usado no plantio.

Fonte: Agrosustentabilidade

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