O valor também é 8% maior que os financiamentos consolidados em todo o ciclo 2021/22, quando ficaram R$ 293,4 bilhões, segundo balanço divulgado à época pelo Ministério da Agricultura.
O volume de crédito rural concedido neste Plano Safra 2022/23, de julho do ano passado até maio deste ano, ultrapassou pela primeira vez a marca dos R$ 300 bilhões. Os desembolsos recorde dos 11 meses chegaram a R$ 317,2 bilhões, 18% a mais que no mesmo período da temporada passada, segundo dados do Banco Central consultados no dia 5 de junho e compilados pelo Valor.
O valor também é 8% maior que os financiamentos consolidados em todo o ciclo 2021/22, quando ficaram R$ 293,4 bilhões, segundo balanço divulgado à época pelo Ministério da Agricultura. Do montante desembolsado até maio deste ano, R$ 86,7 bilhões são de linhas com equalização do Tesouro Nacional.
As operações de custeio lideram os desembolsos desta safra. Em 11 meses, foram concedidos R$ 188,1 bilhões, quase 34% a mais que os R$ 140,5 bilhões emprestados entre julho de 2021 e maio de 2022. Apesar da escassez de recursos para a subvenção das linhas de investimentos equalizadas, que ficaram travadas na maior parte desta temporada, os financiamentos nessa modalidade avançaram 5% na comparação com o ciclo anterior, saindo de R$ 79,8 bilhões para R$ 83,8 bilhões.
O ritmo ainda continua mais lento nas operações de comercialização e de industrialização, que tiveram desembolsos de R$ 30,7 bilhões e R$ 14,5 bilhões, respectivamente, desde julho de 2022.
O desempenho do crédito rural em maio já contou com o reforço do novo limite equalizável distribuído na última semana do mês, fruto da suplementação orçamentária de R$ 200 milhões para a subvenção das linhas de financiamento do Plano Safra 2022/23. Banco do Brasil, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Caixa receberam autorização para emprestar quase R$ 7,5 bilhões com equalização.
No Banco do Brasil, a liberação começou ainda em maio. Com isso, os valores desembolsados pela instituição, líder no mercado, chegaram a R$ 176 bilhões até o fim do mês passado, incluindo os montantes emprestados via títulos do agronegócio.
Na Caixa, mais da metade do R$ 1 bilhão disponibilizado para o Moderfrota, para a compra de máquinas e equipamentos agrícolas, já foi acessado na primeira semana com a linha aberta.
Ministério da Agricultura busca ter mais de R$ 400 bilhões em recursos no Plano Safra 2023/24
De acordo com o Ministério da Agricultura, ainda estavam disponíveis R$ 27,59 bilhões de recursos controlados equalizáveis e R$ 19,75 bilhões de recursos livres para serem emprestados no Plano Safra 2022/23 em 22 de maio. A programação inicial do plano era de R$ 340,88 bilhões.
Ainda não há definição de data para o anúncio do Plano Safra 2023/24. O Ministério da Agricultura trabalha para ter mais de R$ 400 bilhões de recursos disponíveis para contratação por médios e grandes produtores, mas precisaria de um orçamento de R$ 18,5 bilhões para a equalização dos juros. Contudo, há dificuldade na equipe econômica para atender ao pedido.
Para este ciclo, foram previstos R$ 12,4 bilhões para equalizar os juros, sendo R$ 8,6 bilhões para a agricultura familiar e R$ 3,8 bilhões para médios e grandes, distribuídos ao longo de vários anos.
A equipe do ministro Carlos Fávaro desenha as diretrizes para alinhar a concessão de crédito à adoção de práticas sustentáveis no campo. O objetivo é oferecer uma redução de até 3 pontos percentuais dos juros finais nas linhas de financiamentos do Plano Safra 2023/24 para quem aplica técnicas ambientalmente corretas na produção, como o plantio direto, o uso de bioinsumos e os sistemas de produção integrados, além de critérios sociais e econômicos.
O ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, planeja ações semelhantes para o Plano Safra da Agricultura Familiar. O objetivo é estimular, com juros mais atrativos, a produção de alimentos que compõem a cesta básica ou que chegam diretamente à mesa do consumidor, como arroz, feijão, mandioca e hortaliças.
A expectativa entre as entidades da agricultura familiar é que o Pronaf tenha mais de R$ 70 bilhões em crédito na safra 2023/24. Mas ainda está difícil prever o cenário da próxima temporada. Para ter esse volume de financiamento, a maior parte subvencionada, o setor demandaria incremento no orçamento da equalização, dos R$ 8,6 bilhões atuais para mais de R$ 14 bilhões.
“O custo financeiro da subvenção econômica ao crédito somado ao gasto elevado com o Proagro, que tem previsão de mais de R$ 5,8 bilhões para 2023, a depender da safra de inverno do Sul do Brasil, complica o planejamento da safra”, disse uma fonte que acompanha as discussões.
Fonte: Valor Econômico.
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