Diesel poderia chegar a R$ 10,37 sem subsídio, aponta cenário da Scot

Consultoria compara preços do diesel S10 em São Paulo com um cenário sem subvenção; benefício de R$ 2,12 por litro não representa desconto automático de igual valor nas bombas.

O preço do diesel e o peso dos subsídios sobre o abastecimento voltaram ao centro das atenções do agronegócio. Em levantamento divulgado nesta quarta-feira, 28 de outubro, a Scot Consultoria apresentou um cenário no qual a cotação máxima do diesel S10 em São Paulo alcançaria R$ 10,37 por litro sem a subvenção. O valor é uma simulação da consultoria, e não um preço efetivamente registrado nos postos.

A análise ocorre em um momento de manutenção do apoio federal ao combustível, diante da instabilidade do mercado internacional de petróleo e dos efeitos da guerra no Oriente Médio. Em outubro, a subvenção considerada no material chegou a R$ 2,12 por litro, reforçando a importância do mecanismo na discussão sobre os custos de transporte e produção.

A própria Scot, entretanto, faz uma ressalva sobre o alcance do benefício ao afirmar que “esse montante não seja integralmente repassado ao consumidor”. Isso significa que o subsídio concedido na cadeia de fornecimento não equivale, necessariamente, a uma redução de R$ 2,12 no preço pago por quem abastece.

O que o levantamento da Scot mostra

O gráfico da consultoria apresenta, para outubro, R$ 8,57 por litro na coluna com subsídio e R$ 10,37 na estimativa sem subsídio. Em setembro, os valores indicados são de R$ 8,46 e R$ 10,26, respectivamente.

O levantamento considera a cotação máxima do diesel S10 em São Paulo. Portanto, os números não representam a média praticada no estado nem podem ser estendidos a todos os postos brasileiros.

Há também uma diferença que precisa ser observada na interpretação dos dados: em outubro, a distância entre as duas colunas é de R$ 1,80 por litro, enquanto o texto que acompanha a publicação menciona subvenção de R$ 2,12. O material não detalha a metodologia utilizada para explicar essa diferença.

Por essa razão, os R$ 10,37 devem ser tratados como resultado do cenário apresentado pela Scot, sem afirmar que correspondem à simples soma do benefício integral ao preço indicado no gráfico.

Apoio ao diesel começou em março e mudou ao longo do ano

A política de apoio ao combustível teve uma de suas primeiras medidas em 12 de março de 2026, com a publicação da Medida Provisória nº 1.340, que estabeleceu subvenção de R$ 0,32 por litro de diesel.

O objetivo era reduzir a pressão provocada pela alta dos combustíveis em meio ao conflito no Oriente Médio. Ao longo do ano, porém, o programa passou por mudanças de valores e de instrumentos legais.

Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a MP nº 1.340 perdeu eficácia em julho, após não ser convertida em lei. Já o benefício aplicado em outubro está vinculado à MP nº 1.391/2026.

Em 27 de outubro, o governo federal anunciou a renovação da subvenção de R$ 2,12 por litro por mais um mês. Como mostrou o Compre Rural na reportagem sobre a renovação do subsídio ao diesel por mais 30 dias, a manutenção do apoio busca conter os efeitos da volatilidade internacional sobre o mercado brasileiro.

Por que o preço do diesel preocupa o produtor rural

No campo, o diesel participa de diferentes etapas da atividade produtiva. Está presente no funcionamento de máquinas agrícolas e no transporte de insumos, animais e mercadorias, conectando o custo do abastecimento ao orçamento das propriedades.

Na agricultura, oscilações do combustível podem alterar as despesas de operações mecanizadas e de escoamento da safra. Na pecuária, o impacto também pode aparecer no frete de animais, na entrega de ração e na movimentação de insumos utilizados na alimentação do rebanho.

A dimensão desse efeito depende do consumo de cada operação. Para uma atividade que utiliza 10 mil litros, uma alta de R$ 0,10 por litro representa R$ 1 mil em gasto adicional, mantendo-se o mesmo volume consumido.

O exemplo é apenas uma conta de sensibilidade do orçamento: não mede a economia efetivamente proporcionada pelo subsídio, mas demonstra como pequenas variações por litro podem ganhar escala ao longo da produção.

Simulação não significa reajuste automático

Embora o cenário da Scot ajude a ilustrar a pressão sobre o combustível, não é possível concluir que a retirada da subvenção levaria automaticamente o diesel a R$ 10,37 por litro.

O preço final depende de fatores como custo de aquisição, condições de importação, câmbio, tributos, mistura de biodiesel, logística e margens de distribuição e revenda. Além disso, a transmissão de mudanças ao consumidor varia conforme as condições de mercado.

Para o produtor rural, o dado mais importante continua sendo o preço efetivamente negociado e sua participação no custo de produção. Acompanhar o consumo das máquinas, comparar fornecedores e revisar as condições do frete são medidas que ajudam a identificar quanto as oscilações do diesel pesam no resultado da atividade.

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