Diferença na alimentação quando o cavalo é um atleta

Diferença na alimentação quando o cavalo é um atleta

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Naturalmente um cavalo adulto precisa de uma dieta que contenha de 8 a 12% de proteína, o que é facilmente obtido pelos hábitos variados de pastejo, porém algumas gramíneas podem não atingir este índice, necessitando assim da adição de leguminosas, como a alfafa, por exemplo, que pode conter de 13 a 23% de proteína. As necessidades proteicas são importantes no que tange o desenvolvimento e a conformação do animal, porém perdem sua importância com a chegada do animal a idade adulta.

A alimentação do cavalo atleta é baseada no fornecimento de energia e não de proteína. O teor proteico jamais deve ultrapassar 14% na dieta. A utilização de fenos de gramíneas, com teores de proteína de cerca de 9 a 11%, além de mais barata, é mais saudável para o animal.

Para cavalos atletas, O que se pode e deve fazer é utilizar uma ração mais energética. Se isso não for suficiente (cavalos em trabalho muito intenso), utiliza-se suplementos energéticos nas doses individuais necessárias para suprir as necessidades ENERGÉTICAS do animal.

Devemos priorizar o fornecimento de rações de alta energia, com extrato etéreo elevado (acima de 6%) dependendo da intensidade do esforço. Rações com alta energia têm a grande vantagem de serem oferecidas em menor quantidade, sobrando mais espaço para o fornecimento de volumoso, o que evita uma sobrecarga gástrica e intestinal. O extrato etéreo, que é o valor de gordura de um alimento, indica-nos uma boa qualidade da energia disponível. Entretanto, devemos estar atentos para a quantidade da gordura total da dieta, para não sobrecarregar o organismo do eqüino nem permitir que ele enjoe da ração.

Caso a quantidade de concentrado não seja suficiente para o cavalo desempenhar a função desejada, deve-se utilizar uma ração mais energética ou um suplemento energético, mas jamais o concentrado deverá ultrapassar os 50% da dieta, sob riscos de cólicas.

Uma menor quantidade de volumoso diminui o preenchimento do volume intestinal, diminuindo a quantidade de peso que o animal sustenta, o que pode ser favorável para o exercício de curta duração. Por outro lado, em exercícios de longa duração, deve-se fornecer uma maior quantidade de volumoso, pois a forragem aumenta o consumo hídrico, eletrolítico e de nutrientes, o que aumenta a disponibilidade durante o exercício.
Devemos tomar cuidado com o aporte vitamínico suficiente para absorção dos ácidos graxos (energia) contidos na alimentação. A utilização de uma dieta muito muito rica em energia aumenta também as necessidades vitamínicas do cavalo, já elevadas pelo exercício físico. Além disso, existe uma grande quantidade de suplementos comerciais com a finalidade de aumentar a disponibilidade de energia, normalmente com fonte nos açúcares (frutose, glicose, dextrose) e aminoácidos (proteínas).

Nas transições alimentares, devemos evitar o aumento excessivo de energia através de gordura na ração nas três semanas que antecedem uma competição, pois é necessário um período mínimo de trinta dias para que o animal esteja adaptado ao novo alimento. Entretanto, deve-se limitar também a quantidade total de energia a 30% além das necessidades, pois o excesso de ácidos graxos essenciais (energia) na alimentação impede a absorção normal de Magnésio, mineral responsável pelo relaxamento da musculatura. Portanto, em dietas muito energéticas para animais que não necessitem de tanta energia, haverá indisponibilidade de Magnésio, dificultando o relaxamento da musculatura deste animal. O animal “trava” a musculatura.

Animais atletas em treinamento normalmente requerem mais atenção nas exigências de energia e minerais como sódio, cloro, potássio e cálcio caso o animal vier a ter uma sudorese excessiva. A influência do exercício ou trabalho sobre as exigências nutricionais depende da intensidade, da duração, do tamanho do animal, do peso do cavaleiro e do esporte praticado. A partir daí deve-se saber qual categoria de ração usar na dieta de cada animal, pois cada modalidade equestre tem uma intensidade a ser respeitada para que não ocorram consequências como lesões relacionadas ao sistema locomotor.

Não importa o tipo de esporte, seja Marcha, Salto, Provas de Trabalho e Rédeas, Enduro, CCE, etc., quando queremos alimentar um cavalo de esporte, nutricionalmente falando, as bases de sua dieta são as mesmas. O que vai diferenciar é a quantidade de nutrientes, principalmente energéticos, e a qualidade dos suplementos que devemos oferecer ao animal.

A alimentação do cavalo de esporte deve ser adaptada conforme as exigências. A dieta deve ser balanceada e equilibrada, suprindo as necessidades do cavalo sem deficiências nem excessos.

Partindo-se sempre da disponibilidade de volumoso com quantidade e qualidade adequadas, preferencialmente gramíneas, água fresca e limpa e sal mineral específico à vontade, devemos escolher qual o complemento e suplemento adequados às necessidades do cavalo, que serão diferentes conforme o esporte e o cavalo como indivíduo.

Aqui, os fatores individuais devem ser levados em consideração de forma mais acentuada, quando da determinação das necessidades de cada animal.

As necessidades específicas do trabalho são de Água, Energia (mais sob a forma de gordura – óleos – e menos sob a forma de amido – grãos), Sais Minerais (mais especificamente os eletrólitos: Ca, Mg, K, Na e Cl) e Aminoácidos, oriundo de fontes protéicas de qualidade.

Para mais informações, consulte um Médico Veterinário.

Fonte Vethorses