Em dois anos, dobra exportação de gado vivo no porto de São...

Em dois anos, dobra exportação de gado vivo no porto de São Sebastião

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Foto Divulgação.

O Brasil é o segundo maior exportador de gado vivo, atrás da Austrália, num mercado que também tem como fortes concorrentes EUA e México.

Alvos de críticas de entidade de proteção animal, mas vistas como um importante mercado pelos pecuaristas brasileiros, as exportações de gado vivo dobraram no período de dois anos no porto de São Sebastião, no litoral norte paulista.

Conforme dados da Companhia Docas de São Sebastião, enquanto em 2016 foram embarcadas 46 mil cabeças de gado no porto, o total subiu para 51 mil, em 2017, e já alcançou, 92.388 cabeças de gado somente nos sete primeiros meses deste ano.

O total, porém, já é maior que esse, pois no último dia 12 5.400 bois vivos embarcaram no navio Queensland.

O Brasil é o segundo maior exportador de gado vivo, atrás da Austrália, num mercado que também tem como fortes concorrentes EUA e México.

Os portos paulistas —Santos e São Sebastião— representaram 18% das exportações de bois vivos do país em 2017, sendo 6,6% em Santos.

Além deles, o país exporta o chamado gado em pé principalmente por meio dos portos de Barcarena (PA) e Rio Grande (RS). Barcarena transportou 267 mil bois vivos em navios no ano passado, mais de 60% do total do país.

Para os pecuaristas, a exportação de animais vivos é até 35% mais vantajosa em relação à comercialização do gado no mercado interno. O principal destino é a Turquia.

Com o crescimento das operações, na mesma proporção aumentaram as críticas de vizinhos do porto no litoral norte em relação ao mau cheiro com a presença do gado no local, além do rastro de urina e esterco.

Entre a chegada dos primeiros animais e o embarque dos últimos, a operação pode levar mais de 24 horas.

Além disso, há as campanhas de ativistas que qualificam a prática como geradora de maus-tratos e pedem o fim ou a modificação das operações. Os pecuaristas negam haver problemas e dizem que todas as práticas de bem-estar são seguidas, assim como normas do Ministério da Agricultura.

Por causa do cheiro, o empresário Valdner Bertotti, vice-presidente da Abreav (Associação Brasileira dos Exportadores de Animais Vivos) e dono da VB Agrologística, que atua no porto, instalou um sistema que tem como objetivo “raptar” odores, ao captar partículas de amônia e liberar uma essência no ar.

“Ele tem um grande alcance, chega até a zona residencial. Com isso, acreditamos que reduzimos as reclamações”, afirmou.

A Abreav alega ainda que, além de a atividade ser toda regulamentada, o setor gera 17 mil empregos diretos.

NORMAS

Para poder exportar, o pecuarista tem de ter um EPE (Estabelecimento Pré-Embarque). São Paulo tem 11 deles e o país, 42.

Um deles é o do pecuarista Diogo Castilho, de Sales (a 444 km de São Paulo). Num período de 24 horas, 98 caminhões saíram da propriedade rural com os animais rumo ao porto. No caso dele, eram bois com peso entre 260 quilos e 280 quilos, que passarão por processo de engorda para serem abatidos quando atingirem ao menos 550 quilos na Turquia.

Mas há, também, casos em que os bois, já engordados, são abatidos assim que chegam ao país de destino.

O porto, segundo a Companhia Docas, é responsável por oferecer a infraestrutura, enquanto as operações de embarque são de responsabilidade das empresas de logística que atuam no local.

Fonte: Folha de São Paulo.

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