Lançada dieta que pode revolucionar o mercado

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Galdo Nelore no Cocho
Foto: Embrapa

Recurso tem demanda sazonal e é altamente perecível. Armazenamento eficiente é opção para o pecuarista

Pesquisa realizada pela Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, propõe alternativas para conservação do bagaço de laranja, subproduto utilizado pelos pecuaristas como complemento na alimentação bovina.

“A conservação na forma de silagem pode garantir a utilização deste resíduo na alimentação de ruminantes abrindo uma alternativa para o seu escoamento e evitando o descarte em aterros, o que pode resultar em graves problemas de poluição ambiental”, afirma Regina Grizotto, pesquisadora da APTA e co-autora do estudo.

O valor nutricional do bagaço de laranja se compara ao de cereais como milho e sorgo e isso tem interessado muito a produtores de gado paulistas. Na região norte do estado de São Paulo, grande produtora de suco de laranja do Brasil, este subproduto é utilizado fresco pelos pecuaristas como complemento na alimentação bovina, sobretudo em épocas de poucas chuvas, quando o pasto tem menor qualidade.

O fato de conter muita umidade, no entanto, torna o recurso bastante perecível, sendo um empecilho sua armazenagem no estado fresco, o que só é possível por no máximo 3 a 4 dias. A baixa demanda pelo recurso nos meses de pasto bom (época de chuvas – de novembro a abril, normalmente) faz com que os produtores de suco acabem descartando a maior parte do bagaço em aterros neste período, tornando-o um tema de preocupação do ponto de vista ambiental.

“A ensilagem”, explica a pesquisadora, “é um processo de conservação de culturas agrícolas forrageiras e de outros produtos, como o milho, resíduos agroindustriais, entre outros, bastante utilizado em fazendas para alimentação animal. Consiste na compactação dos materiais em silos e fechamento hermético para favorecer a fermentação”.

A técnica, afirma, permite estender o período de armazenamento do bagaço por até 60 dias.

O processo esbarra em algumas características do bagaço, entretanto, como sua baixa taxa de matéria-seca (a parte do material que contém os nutrientes, retirada a água), o que pode prejudicar o resultado final.

A principal inovação proposta pelo trabalho da APTA é a adição da chamada polpa cítrica peletizada (PCP), produzida a partir do processamento de subprodutos da indústria do suco de laranja na forma de pellets (pequenos cilindros do produto concentrado), processo este que retira a umidade e reduz o volume do material. “A polpa cítrica peletizada, adicionada ao bagaço, aumenta os teores de matéria-seca e facilita a fermentação lática pelos microrganismos”, afirma Regina.

De acordo com a pesquisadora, a fermentação lática produz o ácido lático, cuja principal função é baixar o pH da massa ensilada. O processo ocorre durante o período em que a silagem fica fechada hermeticamente. “A redução do pH é um dos fatores de conservação da silagem, pois evita o crescimento de microrganismos deterioradores”, pontua.

Após testar várias concentrações, a proporção de 20% de PCP foi a mais vantajosa. “Valeu a pena incluir a PCP ao bagaço de laranja, pois reduziu significativamente as perdas por gás e efluente produzido. A polpa cítrica peletizada absorve a água livre do bagaço, impedindo que ela escorra na forma de efluente”, avalia a pesquisadora.

Regina ressalta que a ensilagem é um processo simples.

“É uma alternativa acessível para o produtor rural de qualquer tamanho”, finaliza.

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Fonte: APTA

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