Escola de samba do Rio de Janeiro critica o agronegócio

Escola de samba do Rio de Janeiro critica o agronegócio

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A escola de samba Imperatriz Leopoldinense, preparou um desfile para o carnaval do Rio de Janeiro com apresentação que inclui crítica ao agronegócio. Veja o que diz parte do samba-enredo da escola:

fazendeiros e seus agrotoxicos

“O belo monstro rouba as terras dos seus filhos devora as matas e seca os rios tanta riqueza que a cobiça destruiu”

Esta é uma parte do samba enredo, agora além da letra da escola uma ala tem um título de: Fazendeiros e seus Agrotóxicos que é representada por esta fantasia com um símbolo de uma caveira ao centro da fantasia é uma demonstração com este título Fazendeiros e seus Agrotóxicos.

Além desta ala fazendo menção ao agronegócio uma outra ala faz menção a doenças e pragas.Estes são alguns dos recortes do que a escola está ensaiando levar para a Sapucaí no carnaval do Rio de Janeiro. E a atitude da escola de samba chamou a atenção do jornalista Fabio Mezzacasa que fica em Sinop, Mato Grosso e fala ao vivo com a gente neste momento.

Confira o vídeo aqui, caso queira reproduzimos o vídeo abaixo:

Fabio, muito boa tarde e eu quero saber se você acha que o samba enredo retrata fielmente o agronegócio brasileiro.

Boa tarde Kelly, é uma satisfação falar com vocês aí e eu acredito que não né?

Não se pode generalizar uma classe dessa maneira e é por isso que eu fiz o comentário. Quando eu fiz esse comentário e ele acabou viralizando nas redes sociais, as pessoas me perguntaram: ‘Mas vêm cá, você não é agricultor, porque que você comprou essa briga? ’. E eu vou explicar o porquê que eu comprei. Eu trabalhei muito tempo como jornalista do agronegócio, muitas matérias rurais, e eu cansei de ver agricultores e pecuaristas ir ao abatedouro apanhando sozinhos, é como se as pessoas não percebessem, esses críticos que se dizem ambientalistas, é como se eles não percebessem que o arroz, e o feijão não nascem na prateleira do supermercado, muito menos a carne.

De repente eles acham que o leite não vem da vaca né vem da caixinha, e eu acho que a classe inclusive dos ruralistas e agricultores deve se unir nesse momento, a gente ‘levantou a neve’ como se diz. Eu não admitiria de maneira alguma falar mal do meu Estado, do Mato Grosso, falar mal do agro, sem dar uma resposta a altura. Então eu acho que esse meu áudio que viralizou foi apenas a ponte para que se crie um grande movimento, porque existe outras preocupações agora.

Eles mostraram algumas das fantasias, mas a gente sabe que as escolas de samba no carnaval elas revelam sempre alguma surpresa pro dia do desfile, e sabe lá o que eles vão mostrar pra falar do nosso agronegócio. Então assim, reforçando a minha ideia, não se pode generalizar uma classe, esse discurso é ultrapassado, eu sei que os agricultores trabalham sol a sol, trabalham com sustentabilidade, eles vão mais do que nunca fazer boas ações para poder preservar o meio ambiente, eles são os mais interessados nisso, então não se pode generalizar uma classe. Assim como tem carnavalesco bom, tem carnavalesco ruim, tem jornalista bom, tem jornalista ruim, tem agricultor que não é bom, tem agricultor que é bom, até os políticos tem os ruins e tem os bons. Essa é a minha opinião, esse é o meu ponto de vista Kelly, e fico agradecido por ser convidado para falar sobre isso, e a gente está à disposição para falar sobre isso, tem os meu comentários diários aqui na meridional, e sempre vou trazer assuntos bem polêmicos aí pra população.

[jornalista] Muito importante você ter destacado isso, porque a gente sabe que o carnaval é uma marca brasileira, ele é levado pro mundo inteiro e claro que o samba-enredo e a forma como as situações são montadas e apresentadas, trazem sim uma linha ideológica, uma maneira de apresentar os fatos, e foi isso que você evidenciou nesse seu comentário que claro, mobilizou todos os agricultores, os produtores rurais.

Inclusive Fabio, nós entramos em contato com a escola de samba Imperatriz Leopoldinense e o assessor de imprensa nos disse inclusive que tem recebido ligações diárias de centenas de produtores rurais, reclamando da posição que a escola adotou de crítica ao agricultor, de crítica ao agronegócio, na sua opinião, o que deveria ser feito, tentar mudar este discurso? Tentar trazer uma outra lógica? O que que é o ponto que você chama atenção além do que já mencionou?

[Fábio] Eu não sei te dizer né, não entendo muito de desfile de escola de samba, se dá tempo de mudar alguma coisa pro desfile, mas se houvesse tempo eu acho que eles têm sim que mudar esse ponto de vista, porque afinal, os agricultores não são bandidos como se insistem em falar por aí, eles não são vilões, eles são trabalhadores e ‘botam’ alimento na mesa de todo mundo.

O ano passado, se não me engano, falaram muito bem inclusive do agronegócio, não recordo agora a escola de samba, mostrando um sorriso, a potencialidade, e eu acho que isso é legal, a gente mostrar o nosso Brasil, mais do que nunca o nosso Brasil e agro, e se houver de repente essa possibilidade de se criar algo de última hora pra surpreender, pra não deixar essa imagem passar mais uma vez, como você falou o carnaval é uma festa assistida pelo mundo todo, e eu acho que a gente não pode mais uma vez passar essa imagem do nosso agronegócio, porque é o agronegócio que está salvando o nosso Brasil com certeza.

[jornalista] Fábio Mezzacasa, muito obrigada pela sua presença aqui no Mercado e Companhia, fica aqui o convite para voltar outras vezes e parabéns pelo seu trabalho.

[Fábio] Legal, o pessoal que quiser acompanhar de repente os meus comentários aí pode entrar no site da rádio,meridionalfm.com.br, tem meus post-casts, eu não falo só sobre o agronegócio, eu falo sobre outros assuntos polêmicos e a gente tá aqui para disposição aí pra falar sobre coisas boas do nosso estado e do nosso rádio. Satisfação falar contigo tá?

[jornalista] Muito obrigada Fabio, um bom trabalho pra você.

 

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