Estresse do gado recém-chegado em confinamentos será estudado

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gado nelore no tronco curral 3
Agropecuária Solo Mio / Foto: Darin Neto

Pós-graduando propõe avaliar estratégias para mitigação do estresse em bovinos recém-chegados em confinamentos após o transporte; projeto concorre à prêmio

Projeto de pesquisa na área de bem-estar de bovinos em confinamento desenvolvido por aluno de doutorado orientado por pesquisador da APTA Regional de Colina é um dos dez selecionados na primeira etapa do Desafio da Pecuária Responsável. O projeto desenvolvido por Iorrano Cidrini foi selecionado entre os 73 trabalhos inscritos e agora receberá mentoria de profissionais da área de bem-estar animal. Após essa etapa, serão escolhidos três projetos finalistas que concorrerão ao prêmio de R$ 15 mil no final do segundo trimestre de 2022.

Cidrini é aluno do curso de doutorado em Zootecnia oferecido pela Universidade Estadual Paulista (Unesp — Campus Jaboticabal). Orientado pelo pesquisador da APTA Regional e professor da Universidade, Flavio Resende, o doutorando propôs projeto que visa melhorar o bem-estar dos animais no deslocamento e entrada dos bovinos nos confinamentos.

“Hoje, 15% dos bovinos no Brasil são terminados em sistema de confinamento. Para chegarem a esses locais, muitas vezes os animais ficam longos períodos em deslocamento, o que acaba trazendo estresse e acarretando uma série de problemas como depressão do sistema imune e redução do desempenho”, explica o doutorando.

Quando chegam aos confinamentos, os animais também precisam ser vacinados, vermifugados e recebem brincos para melhor controle. Todos esses procedimentos são necessários para a saúde dos animais, mas quando realizado após o desembarque acabam gerando mais estresse para os bovinos e para a equipe de trabalho, de acordo com o pesquisador.

Apesar de o setor produtivo saber sobre esses impactos, ainda faltam estudos científicos para quantificar essas perdas. Pensando nisso, Cidrini propõe a avaliação dos animais em três manejos diferentes. O primeiro deles é verificar como se comportam por 21 dias em entrepostos, uma espécie de pré-confinamento. Nesses locais, os animais passam a receber suplementação, se adaptando ao confinamento e ao seu novo grupo social, além de receberem vacinas e medicamentos. Ao término desse período os animais seriam pesados e destinados diretamente as suas respectivas baias, não sendo necessário passar por nenhum processamento na chegada ao confinamento.

Como nem todas as fazendas conseguem implementar essa logística, o doutorando propõe uma estratégia para mitigar o estresse dos animais recém-chegados e que ainda devem passar pelo processamento. Nessa estratégia, o gado passa de três a cinco dias recebendo água e feno para se recuperar o peso corporal perdido durante a viagem antes de passarem pelo protocolo sanitário serem destinados as suas respectivas baias. Para comparar os resultados, o doutorando também planeja avaliar animais em sistemas convencionais, processados imediatamente após a chegada no confinamento.

“A ideia é avaliar 294 animais Nelore com peso corporal (PC) inicial entre 380 e 420 kg, machos inteiros, com idade de 16 a 20 meses. O experimento teria duração total de 121 dias”, explica o pesquisador.

Ideia surgiu com a prática no dia a dia na APTA

A ideia para o projeto inscrito por Cidrini no Desafio da Pecuária Responsável surgiu do dia a dia dos trabalhos de pesquisa na APTA. O doutorando já havia desenvolvido projeto de mestrado na APTA Regional de Colina e há alguns anos convive com a equipe de pesquisadores e alunos de pós-graduação recebidos na unidade de pesquisa.

“Moro no alojamento de estudantes da APTA e convivo com muitos outros alunos que também desenvolvem pesquisas nessa área da pecuária de corte. Alguns de nossos colegas já haviam conduzido estudos avaliando os impactos do estresse sobre o desempenho dos animais, assim como estratégias nutricionais para mitigação desses impactos e os resultados deles me trouxeram ideias para esse projeto inscrito no Desafio”, conta.

Na visão do pesquisador, essa interação entre os estudantes, pesquisadores da APTA Regional e setor produtivo é muito interessante para o desenvolvimento dos projetos e crescimento profissional dos pós-graduandos. “Passamos o dia todo com pessoas que estudam essa área da pecuária. Tomamos café da manhã, almoçamos e jantamos falando desse assunto. Isso ajuda muito na nossa formação profissional”, afirma.

Sobre a conquista da boa colocação nessa primeira etapa de avaliação no projeto Desafio da Pecuária Responsável, Cidrini atribui a toda a equipe de profissionais da APTA Regional. “Não é uma conquista só minha, é de todos nós. Esse reconhecimento mostra que nossa formação na APTA é muito boa e que está alinhada aquilo que o mercado espera de nós. Meu projeto concorreu com outros tantos de profissionais que atuam, inclusive, em grandes empresas. Essa classificação é muito gratificante, porque mostra que o que fazemos aqui na APTA Regional de Colina está alinhado com as principais discussões e desafios do setor”, avalia, citando a importância da orientação de Resende e do apoio do pesquisador Gustavo Siqueira, também da unidade de pesquisa, na sua formação.

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