Estudo aponta que carga tributária das transportadoras do agro pode subir até 414%

Análise baseada nas operações de empresas do setor projeta impacto superior a R$ 144 milhões com a entrada em vigor da CBS

A carga tributária das transportadoras do agro poderá aumentar, em média, 414,44% com a implementação da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). A estimativa consta em um estudo da consultoria Rumo Brasil, elaborado a partir de dados reais de empresas ligadas à Associação Nacional das Empresas Agenciadoras de Transporte de Cargas (ANATC).

O levantamento considerou as operações realizadas durante 2025 e calculou um impacto financeiro superior a R$ 144 milhões para as companhias analisadas.

Estudo usa informações fiscais e contábeis das empresas

A pesquisa foi desenvolvida durante três meses e examinou documentos fiscais, obrigações acessórias, demonstrações contábeis e controles internos das transportadoras participantes.

As empresas avaliadas somaram R$ 6,6 bilhões em faturamento e aproximadamente R$ 5 bilhões em subcontratações de serviços de transporte.

Segundo a Rumo Brasil, a proposta do trabalho foi substituir projeções genéricas por uma análise baseada no funcionamento real das empresas. O estudo buscou demonstrar como a nova legislação poderá afetar custos, créditos fiscais e resultados financeiros.

CBS altera dinâmica de créditos tributários

O cálculo considera exclusivamente a CBS, tributo que substituirá PIS e Cofins no novo sistema tributário. O Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) ficou fora da análise por possuir cronograma de implementação e regras de creditamento próprios.

A mudança na forma de utilização dos créditos fiscais aparece como um dos principais pontos de atenção para o transporte de cargas. Empresas que dependem de serviços contratados de terceiros podem enfrentar maior dificuldade para compensar valores ao longo da operação.

Subcontratação influencia carga tributária das transportadoras do agro

A subcontratação é uma prática comum no transporte rodoviário, especialmente em períodos de safra, rotas de longa distância ou operações que exigem veículos específicos.

Esse modelo permite aumentar a capacidade de atendimento sem ampliar permanentemente a frota própria. No entanto, a nova sistemática tributária pode reduzir os créditos vinculados a essas contratações, elevando o valor efetivamente recolhido.

Para o CEO da Rumo Brasil, Rafael Brito, esse cenário exige atenção porque as transportadoras costumam operar com margens estreitas e forte pressão sobre os custos.

Gestão fiscal terá papel estratégico

Além do aumento projetado nos tributos, a CBS deverá tornar a gestão documental ainda mais relevante. Notas fiscais, contratos, registros de serviços e informações de fornecedores terão impacto direto na apuração dos créditos.

Erros ou inconsistências poderão provocar perda de valores compensáveis, autuações e recolhimentos superiores ao necessário.

Por isso, as transportadoras deverão revisar seus sistemas internos, ampliar a integração entre os setores fiscal e operacional e estabelecer controles mais rigorosos sobre as empresas subcontratadas.

Custos podem alcançar toda a cadeia produtiva

O aumento da carga tributária das transportadoras do agro poderá afetar outros segmentos ligados à produção e à comercialização de alimentos.

O transporte está presente no deslocamento de sementes, fertilizantes, máquinas, animais, grãos e produtos industrializados. Caso parte dos novos custos seja incorporada ao valor do frete, produtores, cooperativas, indústrias, distribuidores e varejistas poderão ser impactados.

O eventual repasse ao consumidor dependerá das condições de mercado, da concorrência entre transportadoras e da capacidade de negociação entre prestadores de serviço e embarcadores.

Empresas precisam antecipar adaptações

A consultoria recomenda que as transportadoras realizem simulações antes da consolidação do novo modelo. A análise deve considerar contratos, preços dos fretes, volume de subcontratações e possibilidades de aproveitamento de créditos.

Também será necessário preparar equipes, atualizar sistemas e aproximar as áreas financeira, contábil, jurídica e operacional.

Na avaliação da Rumo Brasil, a Reforma Tributária modifica não apenas o pagamento dos impostos, mas também a organização das operações. Empresas que começarem a adaptação com antecedência terão melhores condições de controlar riscos e proteger sua competitividade.

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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