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Medidas como escolha de híbridos mais resistentes e plantio em épocas recomendadas podem evitar fungos que produzem substâncias químicas tóxicas chamadas micotoxinas.

Nas plantas, podem existir fungos que produzem substâncias químicas tóxicas chamadas micotoxinas. Entre os principais tipos de micotoxinas, estão as aflatoxinas, que atacam, por exemplo, a cultura do milho. Para discutir essa questão, acontece na Embrapa na próxima quinta-feira reunião técnica. O pesquisador Rodrigo Véras da Costa, da Embrapa, vai falar sobre identificação e manejo de aflatoxinas em milho.

Sobre os danos a essa cultura agrícola, ele explica que “a aflatoxina é uma toxina produzida, principalmente, pelo fungo Aspergillus flavus, que coloniza e causa o mofamento dos grãos, tornando-os impróprios para o consumo. Esta micotoxina é um metabólito secundário produzido durante o crescimento do fungo nos grãos”. Se para a planta de milho a micotoxina causa impropriedade no consumo, para os animais, entre eles o homem, o dano pode ser ainda maior.

De acordo com Rodrigo, “a aflatoxina é um dos compostos naturais mais tóxicos existentes na Terra. Está relacionada a diversos problemas de saúde em humanos e em outros animais, sendo considerada com elevado potencial carcinogênico (de provocar câncer) e teratogênico (de provocar danos a fetos). O consumo desta micotoxina está altamente relacionado à ocorrência de câncer de fígado em humanos, sendo considerada um problema de saúde pública”. Acesse a publicação “Micotoxinas em Cadeias Produtivas do Milho: Riscos à Saúde Animal e Humana” clicando neste link.

Até o momento, não há registros de presença de micotoxinas na cultura do milho no Tocantins. Por conta de condições naturais que favorecem a presença do Aspergillus flavus e a consequente produção de micotoxinas e também por conta de condições climáticas que predominam nas regiões onde se produz milho no estado, espera-se que ocorra essa presença. Rodrigo explica que “o fungo Aspergillus flavus é favorecido por temperaturas elevadas e períodos de seca na fase de pré-florescimento. Temperaturas noturnas elevadas também favorecem o crescimento do fungo e a produção da aflatoxina”.

E como evitar essa presença ou, pelo menos, controlar seus danos? Não é simples, nem fácil, já que o milho é uma das culturas agrícolas com mais predisposição à ocorrência de contaminantes em seus grãos e, por isso, as micotoxinas podem ser facilmente detectadas.

“De modo geral, o manejo ou a prevenção começa ainda no campo. Medidas como escolha de híbridos mais resistentes, plantio em épocas recomendadas, evitando-se condições de estresse, principalmente hídrico, na fase de pré-florescimento, utilização de adubações equilibradas, controle de insetos e colheita na época correta, evitando-se deixar o milho por longos períodos no campo, evitar danos nos grãos durante a colheita e o transporte, limpeza e secagem correta dos grãos e armazenamento adequado são medidas que podem ser adotadas para evitar a ocorrência dos fungos toxigênicos e de suas micotoxinas”, detalha o pesquisador da Embrapa.

Para entender melhor como se dá a presença, quais os danos causados e como se pode minorar os transtornos causados pelas aflatoxinas, os produtores, técnicos e demais profissionais interessados poderão participar da reunião técnica com Rodrigo. A Secretaria do Desenvolvimento da Agricultura e Pecuária (Seagro) recebeu a demanda por parte de atores da cadeia produtiva do milho e, em conjunto com a Embrapa, está organizando a reunião técnica.

Serviço

Reunião técnica “Aflatoxinas em milho: identificação e manejo”

Quando: 1º de novembro, próxima quinta-feira, às 9h:30
Onde: auditório da Embrapa (Prolongamento da Avenida NS 10, cruzamento com a Avenida LO 18, sentido Norte, loteamento Água Fria, Palmas-TO)
Palestrante: Rodrigo Véras da Costa, pesquisador da área de manejo de doenças em milho e sorgo
Inscrições: no local – não há custo financeiro
Mais informações: 3218-2118 (Seagro) ou 3229-7823 (Embrapa)

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