Exportação de carne bovina recua 40% na média diária de outubro

Embarques somam 61,32 mil toneladas em sete dias úteis; preço médio sobe 11,3%, mas não compensa a redução do volume vendido ao exterior

As exportações brasileiras de carne bovina in natura registraram queda de 40% na média diária nas duas primeiras semanas de outubro, na comparação com outubro de 2025. Nos sete dias úteis considerados no levantamento, o Brasil embarcou 61,32 mil toneladas, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

O ritmo de vendas ficou em 8,76 mil toneladas por dia útil, abaixo das 14,57 mil toneladas registradas em outubro do ano passado. O resultado mantém a atenção da cadeia pecuária sobre a demanda internacional, após a retração dos embarques observada em setembro.

Preço maior não compensa queda dos embarques

A receita das exportações de carne bovina in natura alcançou US$ 377,94 milhões na parcial de outubro. A média diária foi de US$ 53,99 milhões, recuo de 33,1% frente aos US$ 80,70 milhões de outubro de 2025.

Apesar da redução no faturamento, a carne brasileira apresentou valorização no mercado externo. O preço médio chegou a US$ 6.163,30 por tonelada, avanço de 11,3% sobre os US$ 5.538,60 registrados um ano antes.

Na prática, o país recebeu mais por tonelada exportada, mas o aumento não foi suficiente para compensar o menor volume embarcado.

Segundo projeção da Agrifatto, as exportações de outubro podem encerrar o mês próximas de 170 mil toneladas, o que representaria queda de 46,85% na comparação anual. O número é uma estimativa e depende do desempenho das próximas semanas.

Setembro teve forte redução nas vendas à China

O desempenho parcial de outubro sucede um mês de retração nas exportações. Em setembro, os embarques brasileiros de carne bovina, considerando todos os tipos, totalizaram 229,3 mil toneladas, queda de 35,1% sobre as 353,1 mil toneladas de setembro de 2025.

De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), com base nos dados do MDIC, o faturamento atingiu US$ 1,38 bilhão, redução de 27,6% na mesma comparação.

A China foi um dos principais pontos de atenção. As vendas ao mercado chinês somaram 12,9 mil toneladas e US$ 75,2 milhões em setembro, com quedas de 93,2% no volume e 92,9% na receita em relação ao mesmo mês do ano anterior.

O que o pecuarista deve acompanhar

Para o produtor, o ritmo das exportações é relevante porque influencia o escoamento da carne e as decisões de compra dos frigoríficos. Embarques menores podem limitar a demanda industrial, mas não determinam, isoladamente, a direção da arroba.

A oferta de animais terminados, as escalas de abate e o consumo doméstico também precisam entrar nessa avaliação. Além disso, os dados de outubro ainda são parciais: a comparação mostra redução no ritmo diário dos embarques, e não o resultado fechado do mês.

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