Brasil mantém crescimento dos embarques em 2026, apesar da retração registrada em julho e da forte redução das compras chinesas; diversificação de mercados ganha peso nas exportações de carne bovina no segundo semestre.
As exportações brasileiras de carne bovina somaram 264,4 mil toneladas em julho de 2026, segundo levantamento da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), elaborado a partir de dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Na comparação com julho de 2025, o volume recuou 16,1%. A receita alcançou US$ 1,58 bilhão, queda de 5,5% no mesmo intervalo.
Segundo a Abiec, o desempenho mensal foi impactado principalmente pela redução dos embarques destinados à China, depois da concentração das vendas ao mercado chinês durante o primeiro semestre diante da cota estabelecida para a carne bovina brasileira.
Em julho, a China comprou 85,8 mil toneladas, volume 47% inferior ao registrado no mesmo mês do ano passado. A receita gerada pelas vendas ao país ficou em US$ 537,9 milhões, retração de 50,3%.
O presidente da Abiec, Roberto Perosa, afirma que a mudança já era esperada para esta etapa do ano.
“Julho começa a mostrar uma mudança de dinâmica que já esperávamos para o segundo semestre. Tivemos uma antecipação importante das exportações para a China nos primeiros meses do ano e, com o avanço da cota, naturalmente há uma redução desse fluxo.”
Nesse cenário, segundo Perosa, aumenta a importância de ampliar a presença da carne brasileira em outros destinos.
“Nesse cenário, ganha ainda mais importância o trabalho de diversificação e ampliação dos mercados para a carne bovina brasileira.”
Outros mercados ampliam compras
A redução das vendas para a China contrasta com o avanço observado em outros importantes compradores. Dos cinco principais mercados da carne bovina brasileira em julho, quatro aumentaram o volume adquirido em relação ao mesmo mês de 2025.
O Chile importou 19,2 mil toneladas, crescimento de 50,2%, enquanto a União Europeia comprou 12,5 mil toneladas, avanço de 52,6%.
Os Estados Unidos, segundo maior destino da carne brasileira no mês, receberam 28,9 mil toneladas, alta de 9,7%. Já o México chegou a 12,4 mil toneladas, crescimento de 4,5%.
Em receita, as vendas somaram US$ 122,4 milhões para o Chile, US$ 109,8 milhões para a União Europeia, US$ 193,9 milhões para os Estados Unidos e US$ 79,4 milhões para o México.
Acumulado do ano segue positivo
Mesmo com a retração registrada em julho, as exportações brasileiras de carne bovina continuam crescendo em 2026.
De janeiro a julho, o país embarcou 1,969 milhão de toneladas, volume 9,9% superior ao registrado no mesmo período de 2025. A receita acumulada chegou a US$ 11,43 bilhões, avanço expressivo de 28,3%.
A China continua sendo, com ampla vantagem, o maior mercado da carne bovina brasileira, com 880,3 mil toneladas compradas entre janeiro e julho, crescimento de 9,8%.
Na sequência aparecem Estados Unidos, com 233,8 mil toneladas (+17,1%); Chile, com 89,9 mil toneladas (+29,8%); Rússia, com 74,3 mil toneladas (+23,8%); e União Europeia, com 63,7 mil toneladas (+10,4%).
Novos destinos ganham espaço
Além dos compradores tradicionais, mercados que vêm ganhando importância para a pecuária brasileira apresentaram crescimentos expressivos.
A Indonésia importou 43,8 mil toneladas entre janeiro e julho, avanço de 242,1%. O Vietnã, aberto à carne bovina brasileira em 2025, chegou a 8,4 mil toneladas, crescimento de 375,4%. A Argentina, por sua vez, comprou 16,2 mil toneladas, alta de 139,5%.
Para Roberto Perosa, os números reforçam a estratégia de reduzir a dependência de poucos compradores e ampliar o número de destinos para a proteína brasileira.
“Temos mercados tradicionais ampliando suas compras e novos destinos ganhando relevância. A estratégia continua sendo investir nas regiões onde existe possibilidade de aumento da demanda e trabalhar, junto ao governo brasileiro, pela abertura de novos mercados.”
O presidente da Abiec destaca especialmente o potencial do continente asiático:
“A Ásia segue como uma região prioritária nesse processo.”
Os dados divulgados pela Abiec consideram as exportações brasileiras de carne bovina in natura, industrializada e salgada, além de miúdos, gorduras e tripas.
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