Nova estimativa da Abiec aponta que o esgotamento da cota chinesa pode reduzir os embarques brasileiros em quase 750 mil toneladas e provocar perdas de até US$ 4,5 bilhões em 2026.
As restrições impostas pela China às importações de carne bovina brasileira podem provocar um impacto financeiro muito maior do que o inicialmente previsto pelo setor exportador. A nova estimativa da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) aponta que as perdas podem chegar a US$ 4,5 bilhões em 2026, valor 50% superior à projeção divulgada no início do ano.
Durante entrevista coletiva, o presidente da entidade, Roberto Perosa, afirmou que o novo cenário reflete o efeito da cota de salvaguarda adotada pela China, principal destino da carne bovina brasileira.
Segundo a Abiec, a expectativa é que o Brasil exporte cerca de 900 mil toneladas de carne bovina ao mercado chinês em 2026, uma redução de aproximadamente 748 mil toneladas em comparação com o volume recorde embarcado no ano anterior.
A estimativa anterior previa perdas de aproximadamente US$ 3 bilhões, considerando uma redução de 600 mil toneladas nas exportações. Entretanto, a revisão levou em conta um fator que não havia sido incorporado inicialmente: parte das cargas embarcadas em 2025 será contabilizada dentro da cota de importação válida para 2026, reduzindo ainda mais o espaço disponível para novos embarques brasileiros.
A medida chinesa estabelece um limite de 1,1 milhão de toneladas para as importações brasileiras de carne bovina em 2026. Como o governo chinês contabiliza o desembaraço aduaneiro das cargas — e não apenas a data do embarque —, produtos enviados no ano passado acabam consumindo parte da cota deste ano, diminuindo o volume efetivamente disponível para novas vendas.
Frigoríficos já reduziram embarques
Nas últimas semanas, diversos frigoríficos brasileiros interromperam temporariamente os embarques destinados à China diante da avaliação de que a cota de importação estaria praticamente esgotada, embora as autoridades chinesas ainda não tenham confirmado oficialmente o encerramento do limite anual.
União Europeia amplia preocupação do setor
Além das restrições impostas pela China, a indústria exportadora acompanha outro possível desafio: o mercado europeu.
Segundo Roberto Perosa, existe uma grande possibilidade de suspensão das exportações brasileiras para a União Europeia a partir de setembro, caso o Brasil não apresente evidências técnicas consideradas suficientes para comprovar que os bovinos destinados ao bloco europeu são produzidos sem o uso de antimicrobianos, conforme as exigências sanitárias adotadas pelo mercado europeu.
O cenário reforça a preocupação da cadeia da carne bovina, que poderá enfrentar simultaneamente limitações em dois de seus principais mercados internacionais, elevando os desafios para as exportações brasileiras ao longo de 2026.
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