Candidato à Presidência exaltou o agronegócio diante do público da Festa do Peão, prometeu recolocar o setor em posição de destaque e evitou citar diretamente Lula; participação posteriormente virou alvo de ação da campanha petista na Justiça Eleitoral
A passagem de Flávio Bolsonaro (PL) pela 71ª Festa do Peão de Barretos colocou o agronegócio no centro de seu discurso eleitoral. Ovacionado ao subir ao palco principal do evento, o senador e candidato à Presidência fez uma fala curta, exaltou produtores rurais e afirmou que o setor é fundamental para o país.
“Sabemos que o agro é o coração desse Brasil”, declarou Flávio diante do público em Barretos. A participação ocorreu em um dos eventos de maior projeção popular ligados ao universo sertanejo e ao interior brasileiro, transformando a arena também em espaço de forte repercussão política durante a campanha presidencial.
A fala seguiu uma estratégia clara: aproximar sua candidatura do agronegócio sem mencionar diretamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seu principal adversário na disputa. Segundo os relatos publicados sobre o evento, Flávio foi recebido com aplausos e manifestações de apoio.
“O agro vai voltar a ser um grande orgulho mundial”
No palco, Flávio Bolsonaro afirmou que o setor estaria enfrentando dificuldades e prometeu uma mudança de cenário caso vença a eleição.
“Ultimamente, nosso agro tem sido muito atacado, tem ficado quase doente, mas não vamos abaixar a cabeça. Vamos resgatar o nosso agro. O agro vai voltar a ser um grande orgulho mundial. E é por isso que vamos fazer com que o Brasil vença. E o Brasil vai vencer porque o agro vai vencer.”
A declaração foi registrada na cobertura de sua passagem por Barretos. O discurso teve menos de dois minutos e concentrou-se principalmente no agronegócio.
Flávio também fez referências religiosas e disse que aqueles que acreditam em Deus sabem que “o agro é o coração desse Brasil”. Em outro momento, afirmou que seu projeto busca fazer com que “o Brasil vença” e associou diretamente esse objetivo ao desempenho do setor agropecuário.
Flávio evita Lula, mas público se manifesta
Embora a disputa presidencial esteja cada vez mais presente na agenda dos candidatos, Flávio Bolsonaro não citou Lula nominalmente durante sua fala no palco.
A ausência de ataques diretos ao adversário não impediu manifestações políticas vindas das arquibancadas. De acordo com a cobertura do evento, parte do público entoou gritos contra Lula enquanto Flávio participava da programação.
O candidato esteve acompanhado por nomes da política paulista e nacional, entre eles o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), além do deputado federal Nikolas Ferreira e dos candidatos ao Senado André do Prado e Guilherme Derrite.
Tarcísio também relembrou Jair Bolsonaro durante sua passagem pelo evento e afirmou que o ex-presidente havia lhe aberto portas, referindo-se posteriormente a Flávio como alguém que daria continuidade ao projeto político do pai.
Barretos vira vitrine política na corrida presidencial
A presença de Flávio Bolsonaro reforça a importância estratégica que a Festa do Peão de Barretos assumiu na disputa pelo eleitorado ligado ao interior e ao agronegócio.
O próprio Jair Bolsonaro esteve no evento em outras campanhas presidenciais, e Flávio fez questão de mencionar o pai ao chegar à arena.
“Antes de falar, eu entro nessa arena e só lembro de Jair Messias Bolsonaro recebendo o aplauso de vocês. Queria pedir para o meu amigo Cuiabano fazer como se ele estivesse aqui”, afirmou.
A agenda ganha peso adicional porque Barretos reúne um público que ultrapassa os limites da pecuária e do rodeio. A festa se tornou uma grande vitrine da cultura sertaneja e do interior, ambiente no qual o agronegócio possui forte presença econômica e simbólica.
Participação em Barretos foi parar na Justiça Eleitoral
A repercussão política não terminou na arena. Dias depois, a campanha de Lula pediu à Justiça Eleitoral a inelegibilidade de Flávio Bolsonaro, alegando suposto abuso de poder econômico relacionado à participação do candidato em Barretos.
Segundo a ação relatada pela imprensa, os advogados da coligação de Lula sustentam que Flávio teria utilizado estrutura pública e privada em um evento que, na interpretação da campanha adversária, teria funcionado como um “showmício disfarçado”. Também foi solicitado que o Ministério Público Eleitoral analisasse o caso.
A representação ainda questiona o financiamento da estrutura utilizada e cita declarações feitas durante a programação. Além da inelegibilidade, a campanha petista pediu a retirada de conteúdos relacionados ao evento das redes sociais de Flávio e sugeriu multa diária em caso de eventual descumprimento. Tratam-se de alegações apresentadas pela campanha de Lula, e não de uma decisão da Justiça Eleitoral.
De acordo com a reportagem que revelou a iniciativa, a equipe de Flávio Bolsonaro foi procurada para comentar o pedido, mas não havia apresentado resposta até a publicação.
Agro ganha espaço na corrida pelo Planalto
Mais do que uma passagem pela maior festa de rodeio do país, a participação de Flávio Bolsonaro em Barretos mostra como o agronegócio deverá permanecer no centro da disputa política pela Presidência em 2026.
Ao escolher dedicar praticamente toda a sua breve manifestação ao setor, o candidato sinalizou a tentativa de consolidar apoio entre produtores rurais e eleitores do interior. E resumiu a mensagem que pretendia deixar na arena em uma frase: “o Brasil vai vencer porque o agro vai vencer”.
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