Forrageiras para solos de média fertilidade

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Pastagem reformada com capim Xaraes, Fazenda Batista, em Rio Branco (AC) - Foto: Carlos Maurício de Andrade

Chegando a 20 toneladas de massa seca por hectare/ano o que confere 705 g/animal/dia no período das águas e na seca 310 g/animal/dia

Ao se obter os resultados da análise de solo, é possível verificar seus teores de nutrientes, acidez e textura são compatíveis com a exigência das culturas que se pretende implantar. No caso das forrageiras tropicais não é diferente. De modo geral, as pastagens vão bem em solos de acidez acentuada, porém a correção do pH ajuda, e muito, na resposta das plantas à adubação, além disso o pH próximo de 6 favorece na disponibilidade dos nutrientes.

Se o solo da propriedade não possui problemas de drenagem e a textura não é franco-arenosa, pode-se lançar mão de cultivares com maior potencial produtivo em termos de massa seca (kg/ ha) e ganho de peso animal (kg vivo/ ha/ ano).

Dentre as forrageiras medianamente exigentes em fertilidade do solo, tem-se as cultivares de Brachiaria brizantha: Marandu, Xaraés, BRS Piatã, BRS Paiaguás e o híbrido BRS Ipyporã.

Brizantas que engordam o boi

B. brizantha cv. Marandú, lançada em 1984, foi um avanço para a pecuária brasileira, uma vez que possibilitou o aumento da produtividade e apresenta certa tolerância ao ataque das cigarrinhas típicas das pastagens Deois flavopicta e Noctozulia entreriana). Chegando a 20 toneladas de massa seca por hectare/ano o que confere 705 g/animal/dia no período das águas e na seca 310 g/animal/dia. Possui boa cobertura do solo; boa capacidade de competição com invasoras é responsiva à adubação, porem não tolera solos encharcados.

A cultivar Xaraés é uma boa opção para pastejo rotacionado; muito produtiva, com elevada produção de folhas e rebrota rápida. Ainda, permite um período prolongado período de pastejo no período das águas devido ao seu florescimento mais tardio.  No período chuvoso, sua capacidade suporte é elevada o que resulta em 800 kg de peso vivo/há/ano. Porém na época de seca seu ganho individual é o menor em comparação as outras brizantas 265 gramas/ animal/ dia, isso se deve aos seu menor teor de proteína bruta nesse período. E moderadamente resistente às cigarrinhas típicas das pastagens e assim como o braquiarão não apresenta resistência à cigarrinha da cana-de-açúcar (gênero Mahanarva);

A BRS Piatã, possui valor nutritivo elevado, o que resulta em bom ganho de peso nas águas e no período da seca, chegando a, respectivamente, 720 e 380 gramas por animal/ dia. Ainda, sua elevada taxa de crescimento foliar, aliada a alta disponibilidade de folhas sob pastejo, resulta em melhora acabamento dos animais. É resistente às cigarrinhas típicas das pastagens e é alternativa para sistemas integrados, possuindo crescimento inicial mais lento, bom acúmulo de massa e certa facilidade de dessecação.

A BRS Paiaguás, dentre as cultivares de B. brizantha, é a que possui maior disponibilidade de folhas e melhor valor nutritivo no período, resultando em maior ganho de peso por animal e por área. É também alternativa para sistemas integrados, consorciando bem com milho safrinha para produção de forragem de outono-inverno e/ou de palhada para plantio direto; é de fácil dessecação, semelhante a B. ruziziensis. Em contrapartida, não possui resistência a nenhum dos gêneros de cigarrinhas.

Um híbrido para solucionar…

    Mesmo com todo o potencial produtivo das brizantas, a problemática das cigarrinhas ainda persistia. É aí que entra o híbrido BRS Ipyporã, além de cumprir todos os requisitos em termos de produtividade ( até 15 t/ha/ano de massa seca), muito responsiva à adubação, alto teor de proteína bruta tanto nas águas, como na seca, (11 e 10%, respectivamente) resultante em 700 kg/animal/ano. Ainda, o cruzamento B. brizantha X B. ruziziensis, resultou em resistência às cigarrinhas por antibiose, ou seja, ocorre a morte das formas jovens, afetando, portanto, a sobrevivência. O que isso significa? Controle da população de cigarrinhas na área.

Mesmo com todas as vantagens oferecidas pelo híbrido, é importante diversificar as espécies e cultivares na área. Dessa forma previne-se problemas com intempéries e pragas, possibilitando ainda criação de estratégias de manejo de favoreçam o suporte de pastejo durante todo o ano.

Fonte: SafraSul Sementes

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