Balanço da Frente Parlamentar da Agropecuária reúne reeleitos e integrantes que trocarão de Casa; crédito rural, endividamento e Plano Safra estão entre as prioridades para a próxima legislatura
O primeiro turno das eleições de 2026 terminou com 200 integrantes da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) eleitos ou reeleitos para o Congresso Nacional, segundo levantamento divulgado pela entidade nesta segunda-feira (5). O resultado reúne parlamentares que permanecerão em suas atuais Casas e aqueles que passarão da Câmara dos Deputados para o Senado, ou farão o caminho inverso.
O principal destaque do balanço está no Senado, onde 17 deputados ligados à frente conquistaram uma cadeira, além de seis senadores reeleitos. Para o setor agropecuário, essa composição amplia a representação da bancada em uma Casa decisiva para votações sobre financiamento, renegociação de dívidas e outras políticas que afetam a atividade rural.
“A FPA sai muito fortalecida dessas eleições, principalmente no Senado”, afirmou o presidente da frente, deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), em entrevista ao programa CNN Agro News, na segunda-feira (5).
Como se distribuem os 200 parlamentares eleitos
De acordo com a FPA, a bancada conta atualmente com 299 integrantes na Câmara dos Deputados, dos quais 176 foram reeleitos. No Senado, são 48 membros, com seis reeleitos e 17 que estão no meio do mandato.
O levantamento também registra a mudança de Casa Legislativa de 18 integrantes: 17 deputados foram eleitos senadores e um senador conquistou uma vaga na Câmara.
Situação dos integrantes da FPA Número Deputados reeleitos 176 Senadores reeleitos 6 Deputados eleitos para o Senado 17 Senador eleito para a Câmara 1 Total de eleitos e reeleitos 200
Os 17 senadores que continuam no exercício do mandato não estão incluídos no total de 200 eleitos e reeleitos. O balanço também não representa, necessariamente, o tamanho final da frente na próxima legislatura, que dependerá da adesão de parlamentares.
Os 17 deputados da FPA eleitos para o Senado
Segundo a relação divulgada pela frente, os deputados que conquistaram uma cadeira no Senado são:
Parlamentar Partido Estado Alexandre Guimarães MDB Tocantins André Fufuca PP Maranhão Arthur Lira PP Alagoas Bia Kicis PL Distrito Federal Carlos Jordy PL Rio de Janeiro Carol de Toni PL Santa Catarina Domingos Sávio PL Minas Gerais Evair de Melo Republicanos Espírito Santo Fernando Máximo PL Rondônia Filipe Barros PL Paraná Guilherme Derrite PP São Paulo Gustavo Gayer PL Goiás Júlio César PSD Piauí Marcel van Hattem Novo Rio Grande do Sul Nicoletti PL Roraima Sanderson PL Rio Grande do Sul Zé Medeiros PL Mato Grosso
A FPA informou ainda que integrantes da bancada foram eleitos governadores em Minas Gerais, Paraná, Rondônia e Rio Grande do Sul. No Tocantins, dois parlamentares ligados à frente avançaram para o segundo turno. No Acre, outro integrante também permanece na disputa.
Endividamento e crédito rural seguem como prioridades
Além do resultado eleitoral, Lupion destacou os problemas financeiros enfrentados pelos produtores. Segundo o presidente da FPA, endividamento rural, inadimplência e dificuldades de acesso ao crédito continuarão entre os principais temas de negociação com o próximo governo.
“Nós estamos enfrentando um endividamento recorde no setor, estamos enfrentando um problema seríssimo de inadimplência, o produtor não está conseguindo plantar, não está conseguindo colher”, declarou na entrevista.
As declarações colocam o financiamento da produção no centro da agenda defendida pela frente. Para o produtor, a disponibilidade de crédito e as condições de pagamento influenciam decisões como a compra de insumos, o custeio da safra e a realização de investimentos.
FPA defende Plano Safra plurianual
Outra prioridade apresentada por Lupion é transformar o Plano Safra em uma estrutura plurianual, com maior previsibilidade orçamentária. A proposta busca permitir que o planejamento do financiamento agropecuário considere um horizonte mais longo.
O presidente da frente também defendeu melhorias nas fontes de financiamento disponíveis ao setor e menor dependência das decisões de cada governo.
“A gente tem que entender que o plano safra tem que ser cada vez menos dependente de um governo”, afirmou.
Para o agro, o resultado eleitoral abre espaço para fortalecer essas discussões no Congresso. A transformação das propostas em medidas concretas dependerá da articulação da bancada, das negociações com o Executivo e da disponibilidade de recursos.
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