Frete torna-se gargalo e limita ritmo das exportações de milho

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As exportações acumuladas de milho atingiram 17,9 milhões de toneladas, um aumento de 79% se comparado ao ciclo anterior.

De acordo com o estudo Rabobank Agroinfo de setembro, a produção brasileira de milho deverá alcançar um volume recorde 114 milhões de toneladas em 2021/22 (verão + safrinha). O volume equivale a um aumento de 26 milhões de toneladas frente ao observado no ciclo anterior.

Conforme o Rabobank, apesar do baixo volume de chuvas no Centro-Oeste, boa parte das lavouras foi semeada dentro da janela ideal, o que limitou as perdas de produtividade do milho safrinha. O volume recorde da produção brasileira e uma redução significativa das exportações ucranianas de milho deveriam impulsionar as exportações brasileiras do cereal. Porém, as elevadas cotações dos fretes no Brasil, limitaram o ritmo das exportações de milho.

De acordo com dados do Secex, as exportações acumuladas de milho atingiram 17,9 milhões de toneladas, um aumento de 79% se comparado ao ciclo anterior. Apesar do crescimento das exportações em relação a 2021, o volume ainda está muito abaixo do volume exportado em 2019, quando o Brasil exportou 22 milhões de toneladas nos primeiros 8 meses de 2019.

Associado a este cenário, a baixa comercialização também contribuiu para uma redução do ritmo das exportações brasileiras de milho. O Rabobank estima que as exportações de milho deverão atingir 42 milhões de toneladas. Em setembro, o indicador Esalq (mercado disponível) teve média próxima de R$ 83/saca (60 kg), um aumento de 1.5% em relação ao mês anterior.

Apesar dos preços do cereal seguirem em patamares elevados, o que indica margens operacionais positivas para o produtor brasileiro, a comercialização no Brasil segue abaixo da média dos últimos 5 anos. Segundo dados do Instituto Mato-Grossense de Economia Agrícola (Imea), a comercialização do milho 21/22 no Mato Grosso está em 74%, 13% abaixo da safra passada, considerando o mesmo período. Nestes níveis, a comercialização está atrasada também em relação a média dos últimos 5 anos.

Uma redução significativa da estimativa da safra de milho norte-americana poderá impulsionar as exportações brasileiras de milho durante o último trimestre de 2022. Mesmo considerando uma safra recorde, o Rabobank estima que os estoques de milho ao final do ciclo 2021/22 deverão seguir pressionados impulsionados pela demanda aquecida. Em meio a este cenário, é esperado uma leve retração dos estoques globais de 2%, se comparado a 2021/22.

Pontos de atenção do mercado de milho

O Rabobank tece ainda alguns pontos de atenção para o mercado de milho. Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o plantio da safra verão no Centro-Sul já atingiu 19%. As chuvas previstas nos mapas devem acelerar o ritmo do plantio.

No último relatório divulgado pelo USDA, a safra norte[1]americana de milho foi revisada em 11 milhões de toneladas e deve atingir 354 milhões de toneladas. Se confirmado, o maior produtor de milho deverá colher 30 milhões de toneladas abaixo da safra 2021/22.

Fonte: Agência Safras

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