Frigorífico paga mais pela arroba, preço vai subir!

Boiada e novilhas seguem firmes, puxadas pelo apetite externo; Indústria frigorífica começa a ter dificuldade para encontrar produtos prontos e disponíveis em quantidade.

Nesta terça-feira, os preços do boi gordo voltaram a subir, influenciados pelo quadro de grande escassez de oferta de animais terminados e pelo avanço das exportações de carne bovina.  “O rebanho disponível para abate não é suficiente para atender à demanda dos frigoríficos”, destaca a Informa Economics FNP.

Na maior parte das praças pesquisadas pela consultoria, os negócios avançam de forma lenta, com escalas preenchidas para apenas três ou quatro dias.

Segundo a FNP, as indústrias que atuam no mercado doméstico alegam instabilidade no escoamento dos cortes bovinos para atacado e encontram mais limitações para adquirir a boiada, já que os preços dos animais terminados seguem sob pressão altista.

Por sua vez, os frigoríficos exportadores têm se beneficiado pela alta demanda internacional pela carne brasileira, além da boa remuneração dos embarques. Em dados preliminares divulgados ontem pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), a média diária das exportações de carne bovina “in natura” no acumulado de junho (nove primeiros dias úteis) registrou um avanço de 34% e 19% em receita e volume, respectivamente, na comparação com o mesmo período em 2019.

No atacado, os preços dos principais cortes bovinos se mantêm estáveis e firmes. Mesmo com a reabertura gradual das atividades em alguns centros urbanos, o consumo doméstico de proteínas se encontra em níveis abaixo dos patamares registrados antes das quarentenas impostas.

Segundo a Agrobrazil

Negócios informados no app da Agrobrazil, tem apresentando um viés de alta no preço da arroba nas principais praças do país. Confira os principais negócios informados!

Seguindo o momento de alta, a arroba em São Paulo, ficou em R$ 215. Segundo informações no app, os negócios ficaram da seguinte forma: Realizada em Lençóis Paulistas, pecuarista vendeu seu lote, por R$ 215 a arroba, com prazo de 3 dias para pagamento e abate para o dia 19 de junho. Os animais não china foram negociados por R$ 210/@.

Para o mercado interno em Palmeira D´oeste/SP, o preço foi de R$ 210 à vista e abate para o dia 24 de junho. Já em Ribas do Rio Pardo/MS, o preço foi de R$ 190 com prazo de 30 dias e abate para o dia 19 de junho.

O indicador Cepea fechou com desvalorização e cotado em R$ 208,60/@. Já a média Agrobrazil ficou em R$ 211,87, com uma alta de 2%. Em São Paulo, os valores variam de R$ 208 a R$ 215/@

Giro pelas praças

No Mato Grosso, os preços da boiada gorda registraram ajustes positivos nesta terça-feira, sustentados pela baixa disponibilidade de animais para abate. O pecuarista Marcos Martins Villela, da fazenda Jacamim, no município de Nova Mutum, que anualmente abate 13.000 reses, prevê um ‘buraco’ na oferta de boi gordo no curtíssimo prazo.

“Na região, o gado a pasto já foi pro gancho e a entrega do boi de cocho vai atrasar. A pandemia do coronavírus gerou insegurança e influenciou nos investimentos dos produtores”, diz Villela. 

De acordo com produtor, o mercado na região foi impulsionado pelas unidades frigoríficas que exportam para a China. “Agora, a oferta está ficando bastante enxuta e as escalas de abate chegam até quatro dias”, revela.

Em São Paulo, as cotações do boi gordo seguem valorizadas, motivadas pela oferta restrita de animais e alta demanda pela carne brasileira no mercado externo. Houve registro de aquisições de novilhas, que atendem aos requisitos internacionais, negociadas a R$ 212/@, de acordo com informações da FNP.

Em Mato Grosso do Sul, as cotações subiram nesta terça-feira. Os pecuaristas da região também têm se beneficiado pela alta demanda de frigoríficos exportadores paulistas pelo gado terminado.

Em Goiás, a arroba da boiada gorda também se valorizou nesta terça-feira. As indústrias do Estado atendem a programações de abate bastante encurtadas, e se posicionam de forma ativa nas compras, elevando os preços oferecidos pela arroba, relata a FNP.

No Pará, a oferta restrita de gado terminado tem estringido o avanço de liquidez no mercado. Poucos negócios foram realizados e as cotações da arroba seguem sob forte pressão altista, sustentadas pela alta procura dos frigoríficos, que buscam estender as programações de abate.

No Estado ainda há sobra de capim para a boiada, informa o pecuarista João Guimarães (Nelore Água Fria – Xinguara, PA), que abate 7.000 cabeças por ano, em média. “Grande parte da desova de boi gordo já ocorreu. Agora, vem a terminação em semi-confiamento para entrega de animais prontos em até 30 dias”, diz.

Guimarães afirma que o preço da arroba chegou a subir R$ 10 em uma semana na região. “Grande parte dos produtores se organizaram para a comercialização de lotes com, no máximo, 200 cabeças. Antes, muitos vendedores mandavam lotes com até 1.000 animais”.

Na Bahia, os negócios de boiada gorda foram efetuados a valores mais elevados. Com o avanço do tempo seco e frio, o rebanho disponível para abate no Estado já parece ter se esgotado e as indústrias encontram grande dificuldade em adquirir matéria prima, o que tem contribuído para pressão altista nas cotações.

Compre Rural com informações do FNP, Agrobrazil e Portal DBO

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