Empresário Héctor Laca, fundador da FACYT, afirma que já iniciou contatos com produtores brasileiros e vê o país como o próximo passo da expansão de sua companhia, que prevê faturamento de US$ 50 milhões em 2026.
O Brasil entrou oficialmente no radar da FACYT, considerada um dos maiores grupos privados de insumos agrícolas da Argentina. A empresa, fundada há três décadas por Héctor Laca, prepara a inauguração de sua sexta unidade industrial, resultado de um investimento de US$ 10 milhões, e já iniciou os primeiros movimentos para ingressar no mercado brasileiro.
Segundo o empresário, a estratégia começou após contatos estabelecidos com produtores rurais brasileiros na região de fronteira entre Argentina e Brasil. Um supervisor da empresa esteve em território brasileiro no início de junho para as primeiras reuniões comerciais, reforçando que o país é visto como um dos mercados prioritários para a próxima fase de crescimento da companhia.
Brasil é prioridade na expansão internacional
Durante entrevista à Forbes Argentina, Héctor Laca revelou que o interesse pelo mercado brasileiro já começou a sair do papel.
Segundo ele, após uma palestra realizada em Santo Tomé, cidade argentina próxima da fronteira, surgiu a oportunidade de aproximação com produtores brasileiros.
“Disse ao meu supervisor: se você conseguir me colocar no Brasil, viajo em um fim de semana com a Ferrari”, afirmou o empresário, em tom descontraído ao comentar a importância estratégica do mercado brasileiro.
A declaração evidencia o tamanho da aposta da empresa em um país que figura entre os maiores consumidores mundiais de fertilizantes, defensivos agrícolas e bioinsumos.
Empresa aposta em bioinsumos e alternativa à ureia
Fundada em 1996 com apenas US$ 1.500 obtidos por meio de empréstimos, a FACYT hoje reúne cinco plantas industriais, um portfólio com mais de 80 produtos e uma operação própria de assistência técnica e distribuição em toda a Argentina.
A principal novidade da companhia é uma nova fábrica que começará a operar com a produção de um fertilizante de base química e biológica desenvolvido para substituir parte da ureia convencional.
Segundo Laca, o produto permitirá substituir entre 150 e 200 quilos de ureia utilizando apenas 25 quilos do novo insumo, reduzindo o volume aplicado nas lavouras. A unidade recebeu equipamentos importados da Alemanha, Holanda e Itália.
Conflito internacional pode acelerar demanda
Na avaliação do empresário, o cenário internacional também favorece a estratégia da empresa.
Laca afirmou que o aumento dos preços dos fertilizantes provocado pelas tensões geopolíticas envolvendo importantes fornecedores globais cria espaço para tecnologias capazes de reduzir a dependência da ureia tradicional.
Segundo ele, mesmo antes da inauguração da nova fábrica, a empresa já registra elevado volume de pedidos para o novo produto.

Meta é multiplicar o valor da companhia
O fundador da FACYT projeta que a empresa alcance um faturamento anual de US$ 50 milhões em 2026, considerando todas as unidades industriais. Além disso, afirma acreditar que o conglomerado poderá atingir uma avaliação entre US$ 500 milhões e US$ 600 milhões nos próximos cinco anos.
Laca revelou ainda que recusou uma proposta de compra feita durante a pandemia por uma empresa norte-americana. Segundo ele, além de considerar a oferta abaixo do valor esperado, não aceitou permanecer na gestão da companhia após uma eventual venda.
Trajetória começou no campo
A história do empresário também chama atenção.
Filho de uma família humilde do interior argentino, Héctor Laca deixou a casa da mãe aos 13 anos para trabalhar. Atuou em carpintaria, construção civil e na represa binacional de Salto Grande antes de fundar a própria empresa aos 45 anos.
Hoje, além da atuação empresarial, também se dedica à música, possui dezenas de composições registradas e prepara o lançamento de um livro sobre empreendedorismo.
O que a possível chegada da FACYT, gigante argentina de insumos agrícolas, representa para o Brasil
Caso a expansão se concretize, a entrada da FACYT poderá ampliar a concorrência no mercado brasileiro de insumos agrícolas, especialmente no segmento de bioinsumos, que vem registrando crescimento acelerado impulsionado pela busca por maior eficiência produtiva e pela redução da dependência de fertilizantes convencionais.
Para produtores rurais, a chegada de novos fornecedores tende a ampliar o leque de tecnologias disponíveis e aumentar a competitividade do setor, embora qualquer operação comercial ainda dependa da estruturação da empresa no país e do cumprimento das exigências regulatórias brasileiras.
A movimentação da gigante argentina de insumos agrícolas, demonstra que o mercado brasileiro continua sendo visto por grandes empresas internacionais como um dos principais destinos para investimentos no agronegócio mundial.
Compre Rural com informações da Forbes Brasil
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