Gigante Bayer suspende negócios na Argentina

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semente de soja
Foto: Divulgação

Bayer suspende negócios de sementes e biotecnologia para soja na Argentina; empresas que têm estoques da tecnologia Intacta continuarão comercializando até o esgotamento

A Bayer anunciou a suspensão de seus negócios de sementes de soja e biotecnologia na Argentina a partir da safra 2021/22. “Com uma pressão de insetos menor do que outras regiões, a Argentina representou aproximadamente 10% da área total semeada com INTACTA RR2 PRO na América do Sul em 2020/2021”, disse a multinacional em comunicado.

“O plano é reorientar os investimentos na Argentina para projetos lucrativos e inovadores, focados na promoção da transformação digital e de novos modelos de negócios, tais como a plataforma digital Orbia, ou Carbon Initiative”, justifica a Bayer. A empresa garante que buscará uma transição ordenada para acompanhar seus clientes e parceiros.

“Com mais de 100 anos de experiência no país, a Bayer agradece a todos que participaram e apoiaram o negócio de sementes de soja e biotecnologia na Argentina e reitera seu compromisso de oferecer soluções integrais aos produtores por meio de seus negócios de milho, proteção de safras e agricultura digital”, explicam.

A Bayer acrescentou que, embora deixe de fornecer soja na Argentina, outras empresas que têm estoques da tecnologia Intacta continuarão comercializando até o esgotamento. Juan Farinati, Chefe de Operações Comerciais da Bayer Crop Science Cone Sul, destacou que “a agricultura argentina já é uma das mais sustentáveis do planeta, mas ainda há espaço para melhorias. Quando intensificamos o manejo por meio de práticas agronômicas sustentáveis, aumentamos a possibilidade de extrair o valor real de cada germoplasma, produzindo cada vez com mais responsabilidade”.

Foto Divulgação.

Fuga de empresas da Argentina

A Argentina tem assistido à saída de diversas multinacionais de seu território: o grupo chileno de varejo Falabella, a rede de supermercados Walmart, as companhias aéreas Latam, Qatar, Emirates, Norwegian e Air New Zealand. As francesas Pierre Fabre, farmacêutica, e Saint-Gobain, que produzia parabrisas no país, a americana Axalta e a alemã Basf, que se dedicavam à área de revestimento automotivo, também anunciaram que deixariam a Argentina.

A situação na Argentina começou a se deteriorar em 2017, quando o Brasil ensaiava uma recuperação errática da recessão que se estendeu entre 2014 e 2016. Desde então, os argentinos têm convivido com desemprego elevado, inflação alta, aumento da pobreza e desequilíbrio das contas públicas.

Em 2018, o país assistiu à fuga de dólares e mergulhou em uma crise cambial, o que provocou uma desvalorização recorde no peso — que o governo tenta como pode segurar com suas parcas reservas internacionais. A economia argentina é bastante suscetível aos movimentos da moeda americana, mais do que a brasileira.

Com uma dívida externa significativa e um nível de reservas em dólar pequeno (hoje perto de US$ 40 bilhões, contra US$ 355 bilhões no Brasil), o país não consegue reagir a contento quando há uma saída massiva de capital estrangeiro.

Desde que assumiu, Alberto Fernández — um político visto como da esquerda moderada dentro do peronismo — instituiu uma série de mecanismos de controle cambial para tentar brecar a saída de dólares.

Limitou a compra da moeda americana entre os argentinos, colocou restrições às importações e instituiu uma taxa de 35% sobre compras feitas no cartão de crédito em sites estrangeiros (como e-commerce e serviços de streaming).

Adaptado do Agrolink

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